Guerra no Oriente Médio atinge exportações brasileiras; queda chega a quase 30%


Guerra no Oriente Médio atinge exportações brasileiras; queda chega a quase 30%
Reprodução/Tv Globo
O primeiro mês da guerra no Oriente Médio atingiu as exportações brasileiras para a região. A queda chegou a quase 30%.
Incerteza e prejuízos. Os números confirmam as consequências da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. As exportações brasileiras para países do Oriente Médio chegaram a US$ 881,5 milhões em março, no primeiro mês do conflito. Uma redução de 26% em relação ao mesmo período de 2025.
Nossos principais parceiros nesse resultado: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Líbano e Israel.
Os produtos do agronegócio foram os mais prejudicados. A exportação de carne suína teve uma redução de 59%. Soja, queda de mais de 25%. E frango, o principal produto vendido para a região, retração de 22%.
Hélio Sirimarco, vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, aponta uma outra preocupação: o Irã é o maior comprador de milho brasileiro, cerca de 10 milhões de toneladas em 2025:
“Você perde, de repente, o maior exportador de milho. Vou exportar para ele como? Não tem como exportar. Nossa produção aumentou: soja, milho, algodão, café, cana. Mas temos um problema sério: problemas logísticos.O produtor colhe e tem que vender porque não tem onde armazenar, não tem como administrar a venda de sua produção. Então você tem que começar a tentar equilibrar isso aí para melhorar”.
Enquanto o agronegócio enfrenta desafios com o conflito no Irã, as exportações de óleo bruto tiveram aumento de 70% em valores: US$ 2 bilhões a mais que em março de 2025. Especialistas dizem que a causa pode estar no aumento do preço do barril, já que a guerra afetou 20% do comércio global de petróleo.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que, apesar do conflito, o Brasil tem parceiros consolidados no Oriente Médio – como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – e considera que essa perspectiva a longo prazo não se altera.
Mas, independentemente da guerra e de sua duração, o país precisa buscar e intensificar parcerias com novos e antigos parceiros comerciais. É o que diz o embaixador Roberto Jaguaribe, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais. Além da China, nosso maior parceiro comercial, Jaguaribe diz que podemos explorar o gigantesco mercado da Índia e de outros países asiáticos:
“O Brasil tem que se acautelar buscando parcerias estáveis, ampliar o número de acordos comerciais que tem com países e outras regiões, juntamente com o Mercosul, e criar condições de mais previsibilidade e regulamentação clara em termos de comércio exterior”.
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