
Uma hamburgueria em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, é alvo de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público após as funcionárias relatarem um processo seletivo abusivo para a contratação, definido como importunação sexual.
O estabelecimento localizado na Avenida do Café, na Zona Oeste, oferecia salários maiores para candidatas que aceitassem trabalhar usando calças legging marcando as partes íntimas e decotes.
A primeira vítima a denunciar foi uma adolescente de 17 anos, que procurou a Polícia Civil para relatar a situação, e nesta semana, uma mulher de 23 anos relatou ter passado pelo mesmo constrangimento.
Segundo as vítimas, o recrutador justificava que a exposição do corpo delas ajudaria a atrair clientes para o local e que pagaria mais para as que topassem usar roupas justas e marcando.
Divulgação das vagas
A empresa utilizava o Whatsapp para anunciar as vagas em grupos destinados a pessoas que buscavam oportunidades de emprego.
Na descrição da vaga, a empresa se limitava a dizer que era um trabalho fixo, para mulheres e não precisava de experiência.
Para mais informações da oportunidade, as candidatas interessadas deviam enviar uma mensagem privada para o número disponibilizado no anúncio.
Era durante a conversa privada que o responsável pela hamburgueria apresentava as condições exigidas, atrelando um salário maior ao uso de roupas que marcassem as partes íntimas da candidata.
Salário maior se houvesse exposição do corpo
Nas mensagens expostas pelas vítimas, o recrutador informava que havia duas formas de pagamento para a mesma função, e que a diferença salarial estaria exclusivamente ligada à exposição do corpo da funcionária.
Em um dos casos, o recrutador ofereceu R$ 90 para seis horas de trabalho, podendo chegar a R$ 180 se a condição imposta fosse aceita. Em outra mensagem, o salário base de R$ 1,3 mil poderia subir para R$ 1,7 mil se a mulher topasse exibir o corpo.
Na troca de mensagens com a candidata de 17 anos, o responsável pela contratação justifica que com o tempo percebeu que funcionárias com calças justas e decotes atraiam mais clientes.

A adolescente ainda informou que o recrutador pediu fotos do corpo dela para avaliação. Abalada, ela contou aos pais e a família registrou um boletim de ocorrência por importunação sexual.
A mulher de 23 anos, que enfrentou a mesma situação, chegou a perguntar se o termo “marcando” significava evidenciar as partes íntimas e recebeu a resposta afirmativa do recrutador. Ela recusou a a oferta na sequência.

A conduta da empresa virou alvo de investigação na Polícia Civil. O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou um processo para apurar a atuação dos responsáveis pelo estabelecimento.
Um dos casos é investigado pelo 3º DP de Ribeirão Preto e o outro pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
