
O Irã recusou participar de uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos, segundo informou a agência estatal IRNA neste domingo (19). As discussões estavam previstas para serem iniciadas na segunda-feira (20), no Paquistão.
De acordo com uma publicação na rede social X (antigo Twitter), a IRNA afirmou que os Estados Unidos estariam fazendo “exigências excessivas”, além de “demandas irracionais e pouco realistas”. Teerã também acusou o governo norte-americano de apresentar declarações contraditórias e de violar o cessar-fogo.
As declarações ocorrem próximo ao fim do prazo da trégua entre Irã e Estados Unidos. O cessar-fogo temporário teve início em 7 de abril e está previsto para terminar na quarta-feira (22).
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Pressão diplomática
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (19) que seus enviados retornarão ao Paquistão para uma nova tentativa de negociação com o Irã. A previsão é de que a delegação americana chegue a Islamabad na noite de segunda-feira (20).
Ao mesmo tempo, voltou a ameaçar o país com possíveis ataques a pontes e usinas de energia, caso os termos propostos por Washington não sejam aceitos.
Em uma publicação feita na rede social Truth Social, Trump escreveu: “O Irã decidiu disparar balas ontem no Estreito de Ormuz — uma violação total do nosso acordo de cessar-fogo! Muitos dos tiros foram direcionados a um navio francês e a um cargueiro do Reino Unido. Isso não foi nada agradável, não é? Meus representantes irão a Islamabad, no Paquistão — estarão lá amanhã à noite para negociações”.
Na mesma mensagem, ele reforçou o tom de ameaça: “Estamos oferecendo um ACORDO muito justo e razoável, e espero que eles o aceitem porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes do Irã. CHEGA DE SER BONITINHO!”.
De acordo com a Reuters, a delegação dos EUA será liderada pelo vice-presidente JD Vance, que já participou das primeiras negociações de paz na semana anterior. Também devem integrar a comitiva o enviado especial de Trump, Steve Kushner, e Jared Kushner.
Do lado iraniano, o principal negociador, Mohammad Baqer Qalibaf, já havia sinalizado que houve algum avanço nas conversas, mas destacou que as partes ainda estão distantes em temas centrais, como o programa nuclear e a situação no Estreito de Ormuz.
A recente escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã ganhou força após Teerã voltar a restringir a navegação no Estreito de Ormuz neste sábado (18). A medida reverte a flexibilização adotada dias antes e reforça o controle iraniano sobre uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
A decisão não foi bem recebida pelo presidente americano que afirmou que o Irã não pode “chantagear” os Estados Unidos ao tentar fechar a hidrovia.
De acordo com autoridades iranianas, a retomada das restrições é uma resposta a supostas violações de confiança por parte de Washington em relação ao cessar-fogo. O governo de Teerã também acusa os EUA de manter bloqueios a portos iranianos, o que considera uma quebra do acordo firmado previamente.
O bloqueio do estreito já vinha sendo aplicado desde os ataques realizados por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Com o avanço das negociações diplomáticas, um cessar-fogo temporário permitiu a reabertura parcial da via. No entanto, cerca de 24 horas após o anúncio, o Irã voltou a sinalizar que poderia restabelecer as restrições caso o bloqueio naval americano fosse mantido.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, informou que a liberação do tráfego seria temporária, válida até 22 de abril, período do cessar-fogo entre Líbano e Israel.
O acordo, mediado pelo Paquistão, previa circulação controlada de embarcações, mas enfrentou resistência de atores envolvidos no conflito no Líbano, como o Hezbollah, além de Israel.
Diante do descumprimento do cessar-fogo e da exclusão do Líbano de pontos centrais do acordo, o Irã chegou a suspender novamente a liberação do tráfego.
Esse cenário mantém a instabilidade na região e afeta diretamente o comércio global, já que o Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás comercializado globalmente passa pelo local, o que representa aproximadamente 20 milhões de barris por dia.
