Boletim Focus registra sexta alta seguida da inflação e eleva projeção da Selic

BOLETIM FOCUS

A nova edição do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Central, voltou a trazer uma revisão para cima nas expectativas de inflação do mercado para 2026. A projeção para o IPCA subiu para 4,80%, marcando a sexta alta consecutiva nas estimativas feitas por economistas e instituições financeiras.

O movimento reforça a percepção de que o processo de desinflação no país continua enfrentando obstáculos, mesmo com a política monetária em patamar restritivo. Há quatro semanas, a estimativa para o IPCA de 2026 era de 4,17%, indicando uma trajetória de revisões sucessivas ao longo das últimas semanas.

As expectativas para os anos seguintes seguem relativamente ancoradas. Para 2027, o mercado projeta inflação de 3,99%, enquanto para 2028 e 2029 as estimativas são de 3,60% e 3,50%, respectivamente.

Boletim Focus prevê alta na Selic

A revisão das expectativas de inflação ocorre em um cenário em que o mercado também passou a projetar juros mais altos no horizonte de política monetária. A mediana das estimativas para a taxa Selic em 2026 subiu para 13,00% ao ano, refletindo uma percepção de que o Banco Central pode manter a política monetária em patamar restritivo por mais tempo diante da pressão inflacionária.

Para os anos seguintes, as projeções também indicam elevação nas estimativas da taxa básica. O mercado passou a projetar Selic de 11,00% em 2027, 10,00% em 2028 e 9,88% em 2029, sugerindo um ciclo de queda mais gradual da taxa de juros ao longo do tempo.

Crescimento econômico segue moderado

No cenário de atividade econômica, as expectativas do mercado indicam crescimento moderado do PIB. Para 2026, a projeção subiu ligeiramente para 1,86%, enquanto para 2027 a estimativa permanece em 1,80%.

Para os anos seguintes, o mercado projeta expansão um pouco mais consistente da economia brasileira, com crescimento de 2,00% em 2028 e 2029.

Dólar e contas externas, segundo o Boletim Focus

No câmbio, as expectativas indicam uma leve apreciação do real no curto prazo. A projeção para o dólar em 2026 caiu para R$ 5,30, enquanto para 2027 a estimativa está em R$ 5,35.

Para os anos seguintes, o mercado projeta R$ 5,40 em 2028 e R$ 5,45 em 2029, indicando estabilidade relativa da taxa de câmbio no horizonte mais longo.

No setor externo, a expectativa é de superávit comercial de US$ 72,65 bilhões em 2026, com projeções próximas a US$ 74 bilhões em 2027.

Mercado acompanha trajetória da inflação

“A gente teve um aumento das expectativas de inflação tanto para 2026 quanto para 2027, muito explicado pelos efeitos geopolíticos que têm impacto direto no preço do petróleo”, afirmou a economista Fernanda Mansano.

Segundo ela, apesar de oscilações recentes no curto prazo, o cenário ainda é marcado por incertezas relacionadas aos conflitos internacionais.

“O petróleo chegou a ficar acima de 110 dólares o barril, e isso já começa a impactar a inflação, principalmente quando olhamos para alimentos”, disse.

Mansano destacou que o grupo de alimentação tem peso superior a 20% no IPCA, o que amplia o efeito dessas pressões sobre as expectativas de inflação. A economista também observa que o mercado passou a revisar para cima as projeções para a taxa Selic, refletindo um ambiente inflacionário mais pressionado.

“O mercado ainda precifica cortes de juros, mas com bastante cautela na condução do Banco Central”, afirmou.

Para ela, mesmo com expectativa de redução da taxa básica ao longo do tempo, o ritmo tende a ser gradual.

“Pode ser que o Banco Central mantenha cortes de menor magnitude, como reduções de 0,25 ponto percentual”, explicou.

No câmbio, Mansano chama atenção para a expectativa de apreciação do real frente ao dólar.

Ela destaca uma expectativa de queda do dólar em relação ao real, por dois fatores O primeiro, segundo ela, está ligado ao cenário dos Estados Unidos, que enfrenta nível elevado de endividamento e pode avançar em um ciclo de cortes de juros mais rápido, favorecendo o diferencial de taxas para países emergentes.

“Esse ambiente acaba favorecendo o real”, afirmou.

Além disso, a economista aponta que o aumento da volatilidade global tem direcionado fluxo de capital para mercados emergentes.

“O Brasil não está diretamente no conflito geopolítico e isso favorece a entrada de recursos”, concluiu.

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