Lula está senil?

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O ambiente político pode ser bastante hostil e, neste sentido, nenhuma munição é descartada quando se trata de atingir o adversário. Num episódio bem recente, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), protocolaram uma notícia-crime (boletim de ocorrência) na Polícia Federal contra o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, por supostos crimes graves, incluindo estupro de vulnerável. Gaspar se manifestou informando se tratar de algo envolvendo um primo dele, com o mesmo sobrenome. 

Um desses ataques, mais regular diga-se, é em relação a uma suposta perda cognitiva do presidente Lula. No popular, há quem o acuse de estar “gagá”. O senador Rogério Marinho reiteradamente se refere a Lula como “velho, decrépito e senil”. Outro senador, Sérgio Moro, declarou que o presidente “deu sinais de senilidade” por ocasião da cúpula do G7 em Kananaskis, Canadá. 

O dado novo, e recente, é a manifestação de profissionais de saúde mental neste exato sentido. De fato, o psiquiatra Marcelo Ferreira Caixeta vem, ao menos desde o começo de 2025, defendendo que Lula está com um quadro demencial em estágio inicial. Bem recentemente, analisando a conduta do presidente num evento da Embraer, Caixeta afirmou o seguinte no seu perfil numa rede social:

“Quadro demencial (brincar de aviãozinho numa cerimônia) para os puxa-sacos é engraçadinho, o locutor do evento diz: ‘eu queria ter essa energia (demência) que o Sr. tem, Presidente’. Mas de doença psiquiátrica ninguém fala, o eterno e enorme estigma é jogado para baixo do tapete (de derrame cerebral do Lula todos falaram, mas de seu quadro demencial não falam uma linha). Há muito tempo venho alertando para sinais preocupantes de demência no presidente, mas todos escondem (é só olhar na minha linha do tempo aqui no Facebook e ver há quanto tempo venho falando que ele não tem condições de dirigir um país assim). Tudo bem o país ser dirigido por psicopatas, mas por demenciados já é demais. Em tempos normais nós somos dirigidos por psicopatas, em tempos sombrios, por dementes.”

Os predicados técnicos de Caixeta são incontestáveis, mas é fato notório que médicos de uma mesma especialidade divergem não apenas do diagnóstico de um paciente, mas também de seu tratamento. E, no caso, nem discordância há, eis que não se tem notícia de análises semelhantes e principalmente de conclusões parecidas com as do citado psiquiatra. Parece ser mais o que os americanos chamam de “wishful thinking”, algo que não é verdade, mas a pessoa gostaria que fosse. 

Lula sempre foi dado a este tipo de conduta fora do protocolo, inclusive com frases grosseiras, sem sentido ou simplesmente mal colocadas. E ele brincar com uma maquete de avião não parece ser nada demais no contexto. No passado, tentou-se estigmatizar o líder petista por seu consumo regular de cachaça – hábito que ele diz ter abandonado em definitivo – porém, de novo, consumir bebida alcoólica é uma coisa e já ser um ébrio, um viciado em álcool, é outra, bem diferente.

Alguém tão exposto como um presidente da República, com uma agenda cheia de compromissos diários para cumprir, não conseguiria disfarçar uma demência ou uma senilidade seja de que modo fosse. Comparam-no com o ex-presidente americano Joe Biden, mas as situações são diferentes. Biden deu sinais claros de perda cognitiva. Não é o caso de Lula. 

Assim, o líder petista tem muitos desafios pela frente, especialmente com relação às próximas eleições de outubro. Contudo, não parecem integrar o rol de seus desafios, ao menos neste momento, a preservação de sua cognição, discernimento, memória e saúde mental.

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