Tiradentes ‘esquartejado’: a história por trás do quadro centenário que está em museu de Juiz de Fora


Memória MG1:Tiradentes e o legado da Inconfidência Mineira
Nos livros de história, uma imagem impressionou gerações de estudantes brasileiros: a de um homem esquartejado, com partes do corpo espalhadas, sangue e uma cruz ao fundo. Trata-se da representação da morte de Joaquim José da Silva Xavier, símbolo da Inconfidência Mineira.
O feriado desta terça-feira (21) homenageia o considerado ‘mártir da Inconfidência Mineira’. Tiradentes foi enforcado em 1792 e, depois, esquartejado, acusado de traição à Coroa Portuguesa. O movimento do qual participou defendia o rompimento com Portugal e a instalação da República.
A obra popularmente conhecida como ‘Tiradentes Esquartejado’ integra o acervo do Museu Mariano Procópio (Mapro), em Juiz de Fora.
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Quadro Tiradentes Esquartejado no Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora
Reprodução/TV Integração
Em 2026, a pintura completa 133 anos. Ela foi produzida em 1893, um ano após o centenário da execução de Tiradentes, pelo artista brasileiro Pedro Américo. A tela, considerada uma das mais importantes e perturbadoras do século XIX, foi doada em 1922, ano do centenário da Independência do Brasil, para o acervo do Museu Mariano Procópio.
Atualmente, o Museu Mariano Procópio e o parque permanecem fechados temporariamente depois das fortes chuvas de fevereiro deste ano na cidade, sem previsão de reabertura.
Obra ajudou a construir imagem republicana
Obra Tiradentes Supliciado ou Tiradentes Esquartejado está no museu em Juiz de Fora
Prefeitura de Juiz de Fora/Divulgação
Segundo o historiador Sérgio Augusto Vicente, a pintura foi produzida em um momento em que a República havia sido recém-instalada no Brasil e ainda passava por processo de consolidação.
“Pedro Américo opta por pintar uma série de cinco pinturas históricas, representativas de diferentes momentos da Conjuração Mineira, e a tela ‘Tiradentes Esquartejado’ seria a última da série. Curiosamente, ele pinta primeiro essa obra, porém não finaliza as outras quatro, o que desfavorece a melhor contextualização da imagem”.
Apesar da relevância histórica, a obra não foi bem recebida inicialmente pelas autoridades republicanas e por parte da crítica.
“Por ter sido associada a uma imagem que esvaziava o potencial revolucionário, rebelde e insurgente de um herói intrépido, corajoso, que lutava contra as imposições e os desmandos da Coroa Portuguesa. Por ele ter sido representado esquartejado, isso foi entendido como um esvaziamento do potencial heroico e revolucionário do personagem”.
Relação com a imagem de Cristo
Sérgio Augusto Vicente contou que a aceitação da obra ocorreu anos depois e, principalmente, pela população. Conforme ele, especialistas, como José Murilo de Carvalho, associam essa aceitação à tradição católica da sociedade brasileira.
“Essa aceitação e vinculação ao imaginário popular teria se dado muito por conta da tradição católico-cristã da sociedade brasileira, que associou essa representação à imagem de Cristo, do martírio cristão e da ideia da compaixão”.
Outra curiosidade apontada pelo historiador é o fato de a obra que retrata o ‘herói republicano aos pedaços’ integrar justamente o Museu Mariano Procópio, instituição marcada pela preservação da memória monárquica e detentora do segundo maior acervo do período imperial no país.
Museu Mariano Procópio, o primeiro museu de Minas Gerais
Carlos Mendonça/Visite Museus
Fundado em 1915 por Alfredo Ferreira Lage, o Museu Mariano Procópio foi o primeiro museu de Minas Gerais. O espaço reúne cerca de 50 mil peças e está localizado na rua Mariano Procópio, nº 1.100, em Juiz de Fora.
Quem foi Tiradentes e por que 21 de abril é feriado no Brasil inteiro?
Joaquim José da Silva Xavier participou da Inconfidência Mineira, movimento conspiratório que defendia o fim da dominação portuguesa sobre o Brasil.
Condenado pela Coroa, foi executado em 21 de abril de 1792. Décadas depois, passou a ser reconhecido como herói nacional. Em 1965, foi declarado patrono cívico da nação brasileira por meio da Lei nº 4.897, sancionada durante o governo Castello Branco.
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