
ONU: Começam as sabatinas para escolha do novo secretário-geral das Nações Unidas
Os candidatos ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) começaram a ser sabatinados nesta terça-feira (21), em Nova York, nos Estados Unidos, onde fica a sede da entidade.
Atual secretário-geral, o português António Guterres deixará o comando da entidade neste ano por estar no último ano de seu segundo mandato.
Ao todo, quatro candidatos estão na disputa:
Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile;
Rafael Grossi, diplomata argentino e atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica;
Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente de Costa Rica;
Macky Sall, ex-presidente de Senegal.
Desde o ano passado, o Brasil vem defendendo que, por consenso em torno da rotatividade, um cidadão latino-americano seja eleito secretário-geral. Além disso, defende que seja uma mulher.
No ano passado, o país tentou articular um apoio conjunto da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) a essa proposta.
A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, em Genebra, nesta segunda-feira (9).
Fabrice Coffrini/AFP
Em 80 anos desde sua fundação, a ONU já teve nove secretários-gerais, todos homens. Em sua página oficial, a própria organização afirma que “a pressão está aumentando” para que uma mulher assuma como secretária-geral da entidade, mas acrescenta que “não há garantias”.
Nesse cenário, o país formalizou em fevereiro o apoio à candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e que já atuou como alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e diretora-executiva da ONU Mulheres.
Em um comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que Michelle Bachelet possui “capacidade de facilitar o diálogo” e experiência em lidar com “processos políticos complexos”, além de ter “compromisso com os valores fundamentais das Nações Unidas”.
“A postulação de Michelle Bachelet representa uma oportunidade de dotar a ONU de uma liderança com comprovada experiência, legitimidade internacional e vocação para serviço público. Subscrevemos essa candidatura com a convicção de que sua liderança contribuirá para o pleno cumprimento dos propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas”, afirmou o Itamaraty.
Diante desse contexto, o perfil oficial do ministério nas redes sociais tem replicado publicações feitas por Michelle Bachelet a respeito do que ela entende ser necessário à frente da ONU, caso seja eleita.
Atribuições do secretário
Conforme a ONU, cabe ao secretário-geral da entidade:
liderar o secretariado da ONU e as operações globais;
levar ao Conselho de Segurança questões que ameacem a paz internacional;
atuar como mediador, defensor e porta-voz público em crises globais;
implementar as decisões dos Estados-membros.
Lula cobra mudanças na ONU
Em discursos no Brasil e no exterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem criticado a ONU de forma reiterada.
O petista tem afirmado, por exemplo, que a entidade não tem mais a força que teve após o fim da Segunda Guerra Mundial, acrescentando que parte dos países que integram o Conselho de Segurança se envolve em conflitos, a exemplo de Estados Unidos e Rússia.
Lula tem dito, ainda, que os países do Conselho de Segurança se tornaram “senhores da guerra”, acrescentando que atualmente não há “uma instituição” capaz de pronunciar a palavra “paz” ao nível mundial.
“O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, afirmou o presidente brasileiro em março deste ano.
Quem é Michelle Bachelet
Michelle Bachelet é médica, socialista e ex-presidente do Chile, tendo governado o país duas vezes, entre 2006 e 2010 e depois entre 2014 e 2018.
No retorno ao cargo, ela assumiu com a promessa de fazer reformas na educação, no sistema tributário e reduzir desigualdades sociais.
No cenário internacional, Bachelet ganhou destaque como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, cargo no qual fez críticas a ataques às instituições democráticas e se posicionou em defesa da transparência eleitoral em diferentes países, incluindo o Brasil.
