Arábia Saudita explode montanhas de granito e constrói uma rede de 14 mil quilômetros para levar água dessalinizada do mar até o meio do deserto

Você consegue imaginar um país no meio do deserto que produz 22 por cento de toda a água dessalinizada do mundo? A Arábia Saudita constrói uma rede de 14 mil quilômetros de dutos que leva esse recurso do mar até o coração do deserto. Para vencer as montanhas, os engenheiros explodiram granito maciço e abriram o maior túnel de adutora do planeta, com 12 quilômetros e meio de extensão.

Como a escassez hídrica forçou a criação da maior malha de dutos no deserto?

A capital Riade abriga mais de oito milhões de habitantes e fica localizada a cerca de 400 quilômetros do litoral mais próximo. Sem nenhum rio permanente no território e com o esgotamento acelerado dos aquíferos fósseis subterrâneos, o país precisou agir rápido para evitar um colapso civil e industrial.

A Saudi Water Authority transformou a tecnologia de purificação marítima na espinha dorsal da segurança nacional. Atualmente, o país opera 31 usinas de dessalinização que respondem por 22% de toda a capacidade mundial de conversão hídrica, injetando diariamente 9,4 milhões de metros cúbicos na rede de distribuição.

Atualmente, o país opera 31 usinas de dessalinização que respondem por 22% de toda a capacidade mundial de conversão hídrica, injetando diariamente 9,4 milhões de metros cúbicos na rede de distribuição

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Qual é o trajeto correto do líquido desde a captação até as torneiras da população?

O processo logístico segue uma ordem rigorosa que começa com a captação bruta diretamente no Mar Vermelho ou Golfo Arábico. O líquido é bombeado para as instalações costeiras e submetido ao processo de osmose reversa, a tecnologia dominante que substituiu os antigos e caros métodos térmicos de purificação.

Após atingir o padrão máximo de potabilidade, a carga é ejetada em uma estrutura certificada pelo Guinness World Records com 14.217 quilômetros de extensão. O sistema atinge uma disponibilidade operacional impressionante de 99,6%, distribuindo o recurso vital por cidades e polos industriais isolados.

Para proteger essa malha contra as intempéries climáticas, a Saline Water Conversion Corporation (SWCC) aplicou especificações rigorosas na montagem dos tubos principais:

  • Fabricação em aço de alta resistência mecânica, suportando altas pressões internas.
  • Diâmetro padronizado de 2,25 metros, garantindo vazão contínua em grande escala.
  • Aplicação de revestimento anticorrosivo especial contra os sais minerais residuais.
  • Instalação totalmente enterrada para bloquear o calor da superfície que ultrapassa os 50 °C.

O desafio de perfurar maciços de granito sólido no meio do deserto

O maior obstáculo do traçado foi abastecer cidades serranas como Taif, localizadas na encosta das Montanhas Sarawat. A cordilheira possui picos próximos a 3.000 metros de altitude, formando uma barreira física colossal entre a costa do oceano e o planalto interior habitado.

A engenharia venceu a montanha escavando o maior túnel de adutora do mundo, com 12,5 quilômetros abertos diretamente em granito maciço por detonações controladas. Esse atalho cirúrgico encurtou o trajeto em 40 quilômetros e exigiu a construção de 47 estações de bombeamento pesadas para empurrar o volume d’água ladeira acima.

O gerenciamento de resíduos oceânicos e a descarbonização futura

As usinas costeiras geram um subproduto denso chamado salmoura concentrada, que não pode ser descartado sem planejamento. O país opera uma rede independente de dutos subterrâneos para devolver esse material ao mar gradualmente, protegendo os recifes de coral e zonas costeiras da toxicidade imediata.

A tabela abaixo expõe a diferença de modelo mental entre a exploração de poços antigos e as novas tecnologias financiadas com investimentos de US$ 24 bilhões pelo governo saudita:

Modelo de gestão hídrica Fonte primária de extração Impacto no ciclo ambiental
Modelo fóssil tradicional Reservatórios no subsolo profundo Esgotamento rápido e irreversível
Modelo por osmose reversa Captação em alto-mar Sustentável com descarte controlado

Para dimensionar visualmente a brutalidade dessa infraestrutura colossal, selecionamos a reportagem documental do canal Unimaginable Builds, que conta com 631 inscritos acompanhando os megaprojetos da engenharia moderna. No vídeo a seguir, que já ultrapassou 8 mil visualizações, a equipe ilustra a complexidade dessa travessia continental épica:

As parcerias bilionárias blindam o abastecimento do deserto contra as mudanças climáticas

O projeto de construção da megacidade NEOM utilizará fontes renováveis para alimentar toda a planta de purificação futura sem depender da queima de petróleo. Em 2025, o governo firmou um acordo com a americana Ebb Carbon para remover 85 megatons de CO₂ por ano das operações costeiras.

Os pesquisadores também mapeiam a extração lucrativa de magnésio e lítio dissolvidos na salmoura ejetada pelas tubulações. Ao transformar um rejeito químico em insumo valioso para a indústria global de baterias, o sistema hidrológico passa a gerar caixa e pavimenta a independência econômica do polo petroleiro para as próximas décadas.

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