
Ao longo da história, o povo judeu demonstrou uma notável capacidade de resiliência e contribuição. Em diferentes contextos e geografias, invariavelmente destacamo-nos seja na ciência, na economia, na tecnologia, na cultura ou na construção de ideias. Muitas vezes ao longo da história fomos de alguma forma influentes, prósperos ou ambos. Mas essa trajetória nunca foi linear.
Por mais de dois mil anos, enfrentamos perseguições brutais em praticamente todos os territórios por onde passamos, ou fomos obrigados a passar. Diante desse histórico, é legítimo perguntar: por que seria diferente agora? A resposta, em grande medida, tem um nome: O moderno Estado de Israel.
Em vários países nós continuamos sendo difamados, atacados, brutalizados, mas finalmente temos um porto seguro, com um monte de problemas, cercado por inimigos que buscam diuturnamente nosso extermínio, mas o único pais em todo mundo onde somos recebidos de braços abertos.
Há 81 anos, estávamos sendo massacrados em escala industrial, em uma verdadeira máquina de extermínio promovida pela política de limpeza étnica nazista — um genocídio perpetrado única e exclusivamente pelo fato de termos nascidos judeus, ou até mesmo apenas por terem ascendência judaica.
A população judaica mundial caiu drasticamente no século XX, perdemos cerca de um terço do nosso povo. Éramos aproximadamente 17 milhões de judeus no início da década de 1930 e restaram cerca de 11 milhões em 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial.
Em apenas seis anos, cerca de seis milhões de judeus foram brutalmente assassinados — uma média de aproximadamente 1 milhão por ano, ou cerca de 83 mil por mês. Isso equivale a cerca de 2.700 homens, mulheres, idosos e crianças, assassinados por dia, ao longo de todos os 2.191 dias de guerra.
Até hoje é raro encontrar uma família judaica que não carregue, direta ou indiretamente, histórias de perseguição, perdas e exílio forçado. Mesmo após mais de 80 anos do fim da guerra, a população judaica mundial ainda não retornou plenamente aos níveis anteriores ao Holocausto. Ainda assim, a reconstrução foi extraordinária.
Em apenas 78 anos de independência, depois de séculos de invasões e ataques dos mais diversos reinos e impérios, Israel emergiu como um caso singular na história moderna: um país construído em condições extremamente adversas, com escassez de água, terras desérticas ou pantanosas (lotadas de malária) e sem recursos naturais, sem água, sem terras férteis, sem minérios, sem petróleo tão abundante em tantos vizinhos. Um Estado defendido, em seus primeiros anos, por um exército recém-formado, com poucas armas, equipamentos e munições, com muito pouco apoio, um exército de sobreviventes ou refugiados, inexperientes, debilitados e cansados, pessoas marcadas pela dor, mas movidas pela coragem, orgulhosos e esperançosos.
Apesar de séculos de perseguições, massacres, expulsões, ataques, assassinatos e estupros, apesar de tanta discriminação, o povo judeu perseverou, fizeram muito, em todo mundo, para todo mundo. Sempre como minoria absoluta, éramos (e ainda somos) o bode expiatório perfeito para “desinfetar” as mais terríveis mazelas causadas contra suas próprias populações por déspotas e autocratas de regimes autoritários e sociedades em crise, estes de fato os verdadeiros expansionistas, colonialistas e genocidas.
Até hoje, Israel – o Judeu entre as nações – permanece como o único país do mundo onde os judeus são maioria e podem exercer plenamente sua autodeterminação nacional. Trata-se de uma conexão histórica contínua com a terra, desde os tempos bíblicos até a independência em 1948, atravessando impérios, conquistas e transformações.
Israel é amplamente reconhecido como a única democracia plena do Oriente Médio, uma região historicamente marcada por regimes autoritários e monarquias. É um país onde diferentes religiões podem ser praticadas livremente, inclusive com apoio institucional do Estado para sua preservação.
Ali as mulheres desfrutam de ampla liberdade, com direitos civis e políticos consolidados, incluindo participação ativa na vida pública — basta lembrar que Golda Meir foi eleita primeira-ministra em um período em que muitos países ainda sequer permitiam o voto feminino —, além de presença significativa nas esferas acadêmica e econômica. Realidade que também se estende às mulheres árabes cidadãs de Israel que contam com níveis de liberdade e direitos amplos muito superiores na comparação com outros países da região.
Da mesma forma, Israel se destaca como o único país da região onde pessoas LGBTQ+ podem viver com proteção legal e total liberdade, dando guarida inclusive para árabes-palestinos geralmente perseguidos em suas vilas, por vizinhos e até por suas próprias famílias.
Em seu território, judeus e árabes coexistem diariamente, convivem no cotidiano compartilhando espaços de trabalho, educação e vida social de forma única em toda região.
Israel está longe de ser perfeita, comete erros e falha muitas vezes, mas afinal qual país não erra? Sim, Israel merece críticas, mas não difamação, deslegitimação e demonização em verdadeiros tribunais de exceção, enviesados por um double standard descarado.
Apesar de tudo, apesar de tantos, Israel conquistou sua independência e veio para ficar. O que antes era esperança tornou-se realidade.
O Hatikva não é apenas um hino, é a expressão de um sonho coletivo que resistiu ao tempo.
Ali estivemos. Ali estamos. Ali estaremos. Am Israel Chai
Ariel Krok, assessor da Presidência da Federação Israelita do Estado de São Paulo, é membro da Mesa Diretora do JDCorps (braço diplomático do Congresso Judaico Mundial) e delegado do Congresso Judaico Latino-Americano.
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