Descoberta cria camada que mata germes instantaneamente

Descoberta cria camada que mata germes instantaneamenteReprodução

Pense em quantas superfícies você toca todos os dias: da bancada da cozinha ao corrimão no transporte público, passando pela mesa de trabalho e pela tela do celular. Todos esses locais podem se tornar pontos de transmissão de vírus e outros microrganismos nocivos.

A contaminação geralmente ocorre de forma simples: uma pessoa toca uma superfície infectada e, em seguida, leva as mãos aos olhos, nariz ou boca. Embora a limpeza com produtos químicos seja uma solução comum, ela apresenta limitações importantes, como desgaste ao longo do tempo, impactos ambientais e até o risco de contribuir para a resistência antimicrobiana.

Um novo estudo publicado na revista Advanced Science apresenta uma alternativa inovadora. Pesquisadores desenvolveram uma superfície plástica ultrafina com estruturas em escala nanométrica, bilionésimos de metro, capazes de imitar a textura das asas de insetos e destruir vírus fisicamente.

Imagem microscópica de uma célula viral sendo rompida pela superfície nanotexturizada.RMIT University

O material demonstrou eficácia contra o vírus da parainfluenza humana tipo 3 (hPIV-3), associado a doenças respiratórias como bronquiolite e pneumonia. A proposta é simples e promissora: tornar objetos do cotidiano, como celulares e equipamentos hospitalares, muito menos propensos a espalhar doenças.

Limitações dos desinfetantes

Atualmente, o combate à transmissão por superfícies depende de limpeza e desinfecção. No entanto, esses métodos exigem que os produtos permaneçam ativos por um período específico, algo difícil de garantir em ambientes reais.

Além disso, superfícies podem ser rapidamente contaminadas novamente após o toque de outras pessoas. O uso frequente de substâncias químicas agressivas também pode danificar materiais e gerar impactos ambientais.

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Embora já existam tecnologias antivirais baseadas em revestimentos com substâncias como grafeno ou ácido tânico, esses métodos também apresentam desafios. Eles podem oferecer riscos à saúde humana, causar poluição por liberação de compostos químicos e perder eficácia com o tempo.

Uma descoberta inspirada na natureza

A jornada para desenvolver essa nova superfície começou há mais de uma década. Inicialmente, os cientistas buscavam criar materiais extremamente lisos, nos quais microrganismos simplesmente não conseguissem se fixar.

O resultado foi inesperado: bactérias aderem com facilidade a superfícies lisas em escala nanométrica.

A resposta veio da natureza. As asas de insetos como cigarras e libélulas possuem propriedades antibacterianas naturais. Mais do que repelir microrganismos, essas superfícies são capazes de destruí-los.

BactériasPixabay

Experimentos mostraram que o efeito não depende da composição química, mas da estrutura física. As nanoestruturas presentes nessas superfícies forçam a membrana das bactérias a se esticar até se romper.

Material flexível e eficiente

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que superfícies rígidas com nanoespinhos, como o silício, conseguem destruir vírus ao contato. No entanto, sua rigidez limita aplicações práticas.

No novo estudo, os cientistas avançaram ao criar um material leve, flexível e de baixo custo. Trata-se de um filme acrílico coberto por milhares de pilares microscópicos.

Embora a superfície seja suave ao toque, esses nanopilares prendem e esticam a camada externa dos vírus até rompê-la, eliminando-os por força mecânica.

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Testes em laboratório mostraram que até 94% das partículas do hPIV-3 foram destruídas ou severamente danificadas em apenas uma hora de contato com o material.

Os pesquisadores também descobriram que a distância entre os nanopilares é mais importante do que sua altura. Estruturas separadas por cerca de 60 nanômetros apresentaram os melhores resultados.

Aplicações e desafios

A tecnologia pode ser produzida em larga escala, abrindo caminho para aplicações em embalagens de alimentos, transporte público, equipamentos hospitalares e até mobiliário de escritórios.

Apesar da durabilidade, essas superfícies ainda estão sujeitas a desgaste físico, químico e ambiental ao longo do tempo.

Mesmo assim, os cientistas veem grande potencial nessa abordagem. Ao dispensar o uso de substâncias químicas, a tecnologia surge como uma alternativa promissora no combate à disseminação de vírus, especialmente em um mundo cada vez mais atento à prevenção de doenças.

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