Faltam ‘juízes’ e sobram razões para manter ex-chefe do BRB preso

Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique CostaDivulgação/BRB

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decide hoje manutenção ou não da prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília acusado de envolvimento no escândalo do banco Master.

Até o início da tarde, o colegiado tinha dois votos contra o dirigente. Um deles, do relator do caso na Corte, André Mendonça. Outro, de Luiz Fux.

Dias Toffoli não participa do julgamento porque se declarou impedido. Era um mínimo para quem já foi sócio, em um resort do Paraná, de um fundo ligado a Daniel Vorcaro.

Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes, outros ministros da Segunda Turma, também poderiam se declarar impedidos. Nunes Marques porque o Master e a BBS repassaram cerca de R$ 18 milhões a uma consultoria ligada a um filho do ministro. Kevin de Carvalho Marques, advogado de 25 anos, foi contratado pela consultoria mesmo tendo só um ano de formado. 

Já Gilmar Mendes foi agraciado, em 2024, com uma contribuição generosa do Master para a 12ª edição do Fórum Jurídico de Lisboa, idealizado pelo decano da Corte. O evento é conhecido como “Gilmarpalooza”.

Se falta gente habilitada para julgar o caso na Corte, o que não faltam são indícios de irregularidades entre Costa e Vorcaro, BRB e Master. Costa é suspeito ocultar seis imóveis recebidos como propina – quatro em São Paulo e dois em Brasília – avaliados em R$ 146,5 milhões, pagos pelo Master. 

Diálogos entre ele e Vorcaro escancaram as tratativas envolvendo os imóveis, inclusive com indicações de interesse em determinados apartamentos. As conversas foram interpretadas pela Polícia Federal e incluem até mesmo uma ordem de Vorcaro para uma corretora, de que era preciso fazer o ex-presidente do BRB feliz. Pudera: em uma das conversas Vorcaro pede para o amigo desenrolar uma questão envolvendo R$ 300 milhões.

Costa era o manda-chuva do BRB na época em que o banco, gerido pelo Governo do Distrito Federal, virou a boia de salvação do Master quando as fraudes da instituição vieram à tona e o barco afundou.

Sob o comando do governador bolsonarista Ibaneis Rocha, a diretoria do banco foi pressionada a fingir que não estava comprando gato por lebre e colocou dinheiro no barco furado. As consequências só agora são visíveis. Em vez de salvação, o BRB se afundou junto e levou seu ex-presidente para a prisão. Alguém acredita mesmo que ele dava um passo por lá sem aval de Ibaneis?

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