
Dois policiais militares foram presos no Rio de Janeiro depois de uma abordagem que terminou com a morte de um comerciante. Daniel Oliveira tinha saído de uma festa e estava chegando em casa.
Os tiros perfuraram o para-brisa e os pneus da caminhonete. As marcas também ficaram no muro e no portão de uma escola. A Polícia Civil fez a perícia, mas ainda não divulgou quantos tiros os PMs dispararam. A família da vítima contou mais de 20.
“Por que eles continuaram atirando? Foram 24 tiros de fuzil no meu irmão. Tinham cápsulas espalhadas para todos os lados”, diz Thais Oliveira, irmã de Daniel.
Daniel Patrício Santos Oliveira saiu de um pagode por volta das 3h30. Ele estava perto de casa quando policiais atiraram. Segundo a PM, eles faziam patrulhamento na região. Daniel foi baleado na cabeça e morreu na hora. Três amigos que estavam no veículo não se feriram. A mãe de Daniel foi até o local ainda de madrugada e cobrou explicações dos policiais.
“Eu vi policial, todos os policiais aqui parados vendo o absurdo que eles tinham feito. Na hora disseram para mim que deram ordem de parar, que ele vinha rápido e não parou. Mas ele jamais, se dessem ordem para ele parar, não ia parar. Ele não era bandido, ele tinha documento, ele tinha tudo”, diz Elaine de Oliveira, mãe de Daniel.
Ela lembrou do caso da médica Andréa Marins, morta há pouco mais de um mês em uma abordagem policial em Cascadura, também na Zona Norte do Rio. Na ocasião, as câmeras corporais dos agentes estavam com as baterias descarregadas.
“Metralharam o carro da médica. Então, quer dizer, é fatalidade o que está acontecendo no Rio de Janeiro? Não é fatalidade. É o despreparo da polícia do Rio de Janeiro”, afirma Elaine Oliveira.
Família de comerciante morto em abordagem policial no Rio ia para Foz do Iguaçu (PR)
Jornal Nacional/ Reprodução
Além da Delegacia de Homicídios, a Corregedoria da Polícia Militar abriu uma investigação. O primeiro passo foi analisar as imagens das câmeras corporais usadas pelos agentes. Segundo o comando da PM, as gravações mostram indícios de homicídio doloso, quando há intenção de matar. Depois dessa análise, a Corregedoria determinou a prisão dos dois policiais militares que participaram da abordagem.
Daniel tinha 29 anos. Era dono de uma loja de produtos eletrônicos. Casado, pai de uma menina de 4 anos. A família já arrumava as malas para deixar o Rio e recomeçar a vida em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde moram parentes da esposa. Uma tentativa de fugir da violência.
“Já estou com minha mudança pronta. Inclusive, ele veio de Foz do Iguaçu com esse carro para a gente levar nossas coisas. Eu faço o que agora? Com uma criança de 4 anos que vivia agarrada com o pai dela? Porque ele era a razão da vida dela”, diz Karina Dias Paes, viúva de Daniel.
LEIA TAMBÉM
Empresário é morto a tiros durante abordagem da PM na Pavuna: ’23 tiros não é ordem de parada’, diz irmã
Após médica baleada, motoristas relatam medo na Transolímpica: ‘A gente não vê policiamento’
