
Jovem de 30 anos morta após tomar vodca com metanol será enterrada nesta terça
Em uma semana, a força-tarefa do governo de São Paulo prendeu 20 pessoas por suspeita de adulteração de bebidas alcoólicas no estado. Os dados são de 30 de setembro, quando o grupo de crise foi criado até esta terça-feira (7), segundo informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP), por meio de sua assessoria de imprensa.
A SSP não informou, no entanto, se os suspeitos continuam detidos, em quais cidades foram presos e por quais crimes irão responder.
Mas, de acordo com policiais ouvidos pelo g1, entre os possíveis crimes que os detidos poderão responder estão os que tratam das “relações de consumo” aos de “falsificação de produtos”. A equipe de reportagem tenta localizar as defesas dos suspeitos para comentar o assunto.
O grupo de crise foi criado pelo governo paulista após surgirem vários casos suspeitos de intoxicação por metanol no estado.
Na segunda-feira (6) morreu em São Bernardo do Campo, na região metropolitana, a terceira vítima por ingestão de metanol após tomar um drink _ esse caso ainda não foi considerado pelo grupo de trabalho do governo de São Paulo. Os outros dois casos de morte por metanol ocorreram na capital paulista.
Suspeitos podem ser incriminados
Agentes da Vigilância Sanitária fiscalizam bares em Cajuru, SP, após mortes suspeitas por intoxicação com metanol
Divulgação
Ainda segundo policiais ouvidos pela reportagem, nos casos de mortes decorrentes do consumo de metanol em bebidas alcoólicas, os suspeitos pela adulteração poderão responder criminalmente por homicídio ou organização criminosa.
O mesmo entendimento das autoridades valeria para os responsáveis por adulterar bebidas que causaram a internação de vítimas com diversos sintomas graves, como cegueira, por exemplo. Eles poderiam responder também pelo crime de lesão corporal.
Segundo o site da Agência de Notícias do governo paulista, até segunda foram confirmados 15 casos no estado por ingestão de metanol.
Há ainda 164 casos suspeitos por intoxicação por metanol, sendo que seis deles vieram a óbito _três deles em São Paulo, dois em São Bernardo e um em Cajuru. “Todos os óbitos em investigação e confirmados são de homens”, informa trecho do comunicado na página do governo estadual.
Como bebidas podem ter sido ‘batizadas’
Brasil tem mais de 200 casos de intoxicação por metanol em investigação
A Polícia de São Paulo trabalha com duas linhas principais de investigação sobre como as bebidas podem ter sido “batizadas” com metanol.
Uma delas é que o metanol teria sido usado para a higienização de garrafas reaproveitadas que acabaram não indo para a reciclagem, segundo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Outra hipótese é o uso do metanol para aumentar na produção o volume de bebidas falsificadas. Uma possibilidade é que a intenção do falsificador fosse adicionar etanol puro, sem saber que o produto estava contaminando com metanol.
Governo de SP descarta atuação do PCC
Fábricas clandestinas são possíveis origens de bebidas contaminadas com metanol.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
Em 30 de setembro, a Polícia Federal (PF) informou que investigava se o Primeiro Comando da Capital (PCC) estava envolvido na adulteração das bebidas. Mas a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo descartou a participação da facção nesse tipo de crime.
“A intoxicação por metanol é grave, pode levar à cegueira permanente e até a óbito. O metanol pode estar presente em bebidas alcoólicas clandestinas e adulteradas, além de produtos como combustíveis, solventes e líquidos de limpeza”, informa outro trecho do que o governo publicou sobre o balanço das ações contra as intoxicações por metanol.
A perícia feita pela Superintendência de Polícia Técnico-Científica confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras no estado.
O governo de São Paulo informou nesta semana que vai solicitar à Justiça a destruição de garrafas, rótulos, lacres, tampas e selos apreendidos durante as ações de fiscalização. Desde o início das operações de combate contra a adulteração de bebidas, 10 mil garrafas foram apreendidas.
