
Banco Master: PF investiga aplicação de R$ 13 milhões da previdência no interior de SP
Um ex-diretor, a ex-supervisora de gestão e três integrantes do comitê de investimentos estão entre os alvos da operação da Polícia Federal, realizada nesta quinta-feira (23), que investiga a aplicação irregular de R$ 13 milhões da previdência dos servidores de Santo Antônio de Posse (SP) em investimentos do Banco Master.
A apuração investiga uma possível má gestão dos recursos do Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio de Posse (IPREM). O caso começou após um alerta da Subsecretaria de Regimes Próprios de Previdência Social, que apontou problemas na aplicação do dinheiro do fundo municipal. O IPREM e cinco pessoas foram alvos de busca e apreensão.
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Entre os investigados está Hortêncio Lala Neto, o Tainha, que foi diretor do IPREM até 2024. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, em novembro do ano passado, ele afirmou que o investimento no Banco Master foi realizado no último ano de sua gestão para ajudar a cumprir metas de rentabilidade.
O instituto tinha R$ 8,2 milhões aplicados em Letra Financeira e, à época, Hortêncio declarou que 90% dos recursos estavam em instituições sólidas e parte foi direcionada ao Master, que não tinha restrições ou investigações. Ele também disse que o investimento passou por todas as etapas internas, sendo discutido, aprovado e analisado pelo conselho fiscal.
Também são alvos da operação desta quinta:
Marlene Maria Vieira Bassani, ex-supervisora de gestão
Maria de Lourdes Villalva, assessora de secretária do Comitê de Investimentos
Hélio Augusto Moraes, agente técnico administrativo do Comitê de Investimentos
Tatiana Feliz dos Reis, assessora de secretária do Comitê de Investimentos
A Justiça Federal também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio de bens. O g1 tenta localizar a defesa dos suspeitos para pedir um posicionamento.
Hortêncio Lala Neto é alvo de investigação da PF sobre má gestão dos recursos do IPREM de Santo Antônio de Posse
Instagram/Reprodução
MP alertou risco de perda
A Procuradoria do Ministério Público de Contas de São Paulo (MPC-SP) alertou, em abril do ano passado, que pelo menos cinco institutos de previdência de servidores municipais no estado haviam investido centenas de milhões de reais no Banco Master — entre eles, o de Santo Antônio de Posse.
Quando o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, o IPREM tinha R$ 8,2 milhões aplicados em Letras Financeiras. O valor constava no Portal da Transparência do instituto, no relatório analítico de investimentos de setembro de 2025.
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À época, o IPREM disse em nota que acompanhava a situação e afirmou que as aplicações foram feitas “integralmente dentro das normas legais que regem os investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e em conformidade com a política aprovada pelo Conselho Deliberativo”.
O instituto destacou ainda que não era possível prever impactos financeiros naquele momento, já que a avaliação dos ativos dependia da atuação da massa liquidante, sob supervisão do Banco Central.
“O IPREM segue monitorando constantemente a situação e informa que qualquer novidade será divulgada assim que houver posicionamento oficial das autoridades competentes”, dizia o comunicado.
A nota também ressaltava que eventuais irregularidades seriam apuradas pelos órgãos responsáveis, como Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Ministério Público e Poder Judiciário.
Por fim, o IPREM reafirmou seu compromisso com a transparência e a boa gestão, destacando que mantém rotinas de controle, governança e monitoramento de riscos para proteger o patrimônio previdenciário dos servidores municipais.
PF investiga aplicação irregular de R$ 13 milhões na previdência e cumpre mandados em Santo Antônio de Posse
Polícia Federal/Divulgação
PF investiga aplicação irregular de R$ 13 milhões na previdência e cumpre mandados em Santo Antônio de Posse
Polícia Federal/Divulgação
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