
Após paralisação total, frota de ônibus retorna às atividades em Rio Branco
A frota de veículos do transporte coletivo de Rio Branco voltou a operar totalmente nesta quinta-feira (23) após os motoristas, a empresa Ricco Transportes e Turismo e a prefeitura da capital firmarem um acordo para que o pagamento dos salários e benefícios, que segundo a categoria estavam atrasados, seja efetuado.
A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), que informou que a empresa deve pagar os salários e o vale alimentação nesta quinta e, na sexta (24), a entrega das cestas básicas.
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Segundo o presidente do Sinttpac, Antônio Neto, todas as linhas já estão operando nesta quarta. “Se não tem nenhuma linha atendendo hoje, aí já não é o sindicato, é por conta da empresa”, disse.
Ainda de acordo com ele, ficou acordado que o pagamento seja realizado até as 12h desta quarta. Caso não seja cumprido, a categoria deve paralisar os serviços novamente na sexta (24).
“Foi decidido que caso eles não paguem até meio-dia, os trabalhadores vão trabalhar em consideração a população, porque eles já trouxeram o pessoal para o trabalho. Não achamos justo deixar esse pessoal na rua sem ter como voltar. Então, o pessoal decidiu que vai trabalhar normalmente e amanhã para de novo, caso não cumpram o combinado”, afirmou.
Ônibus voltaram a circular em Rio Branco nesta quinta-feira (23)
Richard Lauriano/Rede Amazônica Acre
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Conforme Neto, a decisão do sindicato é que paralisação siga a porcentagem determinada pela lei. “Se a categoria aderir parar 100%, aí já não é o sindicato. O sindicato sempre vai parar dentro da legalidade, que é operar 30% no horário de pico e 50% no horário de interpico”, explicou.
A categoria paralisou totalmente as frotas de veículos nesta quarta-feira (22) sob alegação de salários e benefícios trabalhistas atrasados. Com a suspensão da circulação dos ônibus, o Terminal Urbano, no Centro, amanheceu sem passageiros e carros no local.
A frota de ônibus de Rio Branco estava reduzida desde março. No dia 14 daquele mês, a Empresa Ricco, responsável pela gerência do serviço na capital de forma emergencial, decidiu paralisar 31 das 50 linhas de ônibus, alegando problemas nos veículos e falta de manutenção nas ruas da cidade.
A paralisação, decidida pelos próprios motoristas sem que a mobilização fosse feita pelo sindicato, foi anunciada nesta terça-feira (21) nas redes sociais. Por conta disto, muitos passageiros se anteciparam e resolveram usar transporte particular para se deslocar pela cidade.
Paralisação dos ônibus esvaziou Terminal Urbano de Rio Branco
Lucas Thadeu/Rede Amazônica Acre
Decreto de emergência
Em meio à paralisação dos motoristas e a interrupção da circulação de ônibus na em Rio Branco, a prefeitura da capital decretou situação de emergência no transporte público. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE), no início da noite de quarta.
Com o decreto, que tem vigência de 60 dias, a prefeitura poderá intervir no sistema, através da Superintendência Municipal de Trânsito (RBTrans) e abrir espaço para que novas companhias assumam operações. A emergência poderá ser prorrogada por mais dois meses ao fim do prazo.
No documento, o município argumenta que a concessionária do sistema público Ricco Transportes não cumpriu com as obrigações de “executar as atividades com zelo, diligência e economia, utilizando a melhor técnica e obedecendo normas e padrões”.
Com a paralisação, justificada pelos trabalhadores como uma reivindicação a salários e encargos atrasados, a prefeitura afirma que a interrupção afeta o direito de ir e vir dos passageiros.
A suspensão do serviço escancarou um cenário que já vinha se agravando há meses e que, segundo a Empresa Ricco Transportes e Turismo, responsável pela operação emergencial do sistema, envolve prejuízos financeiros e falta de repasses públicos.
O impacto atinge diretamente os usuários: somente entre os dias 1º e 17 de abril, mais de 490 mil passageiros utilizaram o transporte coletivo na capital. Com a paralisação, o Terminal Urbano amanheceu vazio e muitos usuários precisaram recorrer a alternativas particulares para se deslocar.
Em documento obtido pelo g1, a Ricco afirma que opera no limite financeiro e atribui a situação a uma combinação de fatores, como a defasagem da tarifa, sem reajuste desde 2022, aumento nos custos operacionais e ausência de repasses integrais por parte da prefeitura, especialmente relacionados a gratuidades e meia-passagem estudantil.
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