Quem é Carolzinha de Betim, suspeita de ligação com 50 homicídios

Sarah Carolina da Silva de Souza conhecida como “Carolzinha de Betim”Reprodução/redes sociais

Sarah Carolina da Silva de Souza, de 19 anos, conhecida como “Carolzinha de Betim”, “Carolzinha do Morro Vermelho” ou “Ruivinha do Crime”, morreu em fevereiro de 2016 após uma troca de tiros com policiais militares em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

A jovem teria ingressado na criminalidade ainda na adolescência. Aos 13 anos, foi detida pela primeira vez por porte de arma. Dois anos depois, voltou a ser apreendida, suspeita de envolvimento no assassinato de um jovem ligado à morte de uma amiga. A partir daí, aos 15 anos, passou a ser apontada como executora dentro do crime, sendo investigada por diversos homicídios, além de envolvimento com tráfico de drogas e roubos.

Segundo a Polícia Civil, Sarah Carolina é citada em 27 boletins de ocorrência e em 23 procedimentos registrados no sistema interno da corporação.  No entanto, a instituição não detalha a tipificação desses crimes, sob alegação de sigilo previsto na Lei de Acesso à Informação.  Paralelamente, relatos não oficiais, chegaram a associar seu nome ao envolvimento em 50 homicídios, número que não foi confirmado pelas autoridades.

Sarah Carolina da Silva de Souza conhecida como “Carolzinha de Betim”Foto: Reprodução/redes sociais
Sarah Carolina da Silva de Souza conhecida como “Carolzinha de Betim”Foto: Reprodução/redes sociais
Sarah Carolina da Silva de Souza conhecida como “Carolzinha de Betim”Foto: Reprodução/redes sociais
Sarah Carolina da Silva de Souza conhecida como “Carolzinha de Betim”Foto: Reprodução/redes sociais
Sarah Carolina da Silva de Souza conhecida como “Carolzinha de Betim”Foto: Reprodução/redes sociais
Sarah Carolina da Silva de Souza conhecida como “Carolzinha de Betim”Foto: Reprodução/redes sociais
Sarah Carolina da Silva de Souza conhecida como “Carolzinha de Betim”Foto: Reprodução/redes sociais

A morte de Carolzinha também é considerada em uma linha investigativa relacionada ao homicídio do policial militar Bruno Marcelo Porto. Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais, há a hipótese de que o assassinato do agente tenha ocorrido como forma de retaliação à morte de Sarah.  Carolzinha chamou a atenção por ser uma mulher atuando diretamente em execuções, algo menos comum no contexto do crime organizado, especialmente em casos envolvendo vítimas mulheres.

Redes sociais

Nas redes sociais, Carolzinha também ganhou notoriedade por expor sua rotina no crime. Em seu perfil no Facebook, ostentava dinheiro, joias e fazia referências ao Comando do Morro Vermelho (CMV), facção criminosa da qual era apontada como integrante.

Publicações de ‘Carolzinha de Betim’ nas redes sociaisReprodução/redes sociais

Suas postagens frequentemente abordavam temas como inveja e vingança. Em conteúdos mais pessoais, dizia gostar de sertanejo, funk e mencionava a banda One Direction como favorita. Também utilizava as redes para falar sobre relacionamentos, já que se identificava como lésbica.

Há ainda registros de vídeos em que ela aparece participando de batalhas de rima em meio a uma multidão.

O medo no Morro Vermelho

Na comunidade do Morro Vermelho, no bairro São Caetano, em Betim, Carolzinha passou a ser temida por moradores. Relatos indicam que conflitos podiam surgir por motivos banais, como olhares ou desentendimentos cotidianos.

Em entrevista ao iG, uma ex-moradora da região afirmou que uma colega, que tinha 19 anos, foi morta por Carolzinha.

Outros relatos nas redes sociais descrevem um clima constante de medo, especialmente pela forma imprevisível como ela agia, frequentemente armada e disposta a confrontos.

“Eu estudava no Lívia Mara de Castro, que fica no Industrial São Luiz. Ela ia direto para a porta da escola, e a maioria do pessoal, na hora da saída, ficava com receio, porque a gente nunca sabia o que se passava na cabeça dela. Ela metia o terror na população, e ai de quem olhasse pra ela de cara feia, ela ia lá e batia de frente mesmo”, diz um comentário nas redes sociais.

Outro relato aponta: “Moro em Contagem e trabalho alguns dias em BH e outros justamente no bairro São Caetano, na divisa de Contagem com Betim. Apesar de ser uma área comercial e residencial, Carolzinha passava por lá na garupa de moto ou com amigas, às vezes até menores, e caçava confusão com comerciantes pelo simples fato de olharem pra ela. Gritava, apontava arma e ainda saía com cara de deboche. Em Betim, ela era o terror”.

Além disso, quando havia prejuízos ao tráfico, como apreensão de drogas pela polícia, moradores relatavam que ela cobrava os valores perdidos da própria comunidade, além de ameaçar possíveis denunciantes.

O dia da morte

Carolzinha também era conhecida por confrontar policiais. Na madrugada de 3 de fevereiro de 2016, ela estava em um baile funk quando foi abordada por agentes, que não encontraram nada de ilícito.

Após a saída da equipe, os policiais foram novamente acionados por perturbação no local. Nesse momento, Carolzinha teria retornado na garupa de uma motocicleta, armada com uma pistola calibre .380. Ao passar pelos agentes, efetuou diversos disparos, atingindo dois policiais, um no colete à prova de balas e outro no joelho.

Viatura da Polícia Militar foi atingida pelos disparos durante o confrontoReprodução

Os agentes revidaram e Carolzinha foi baleada na perna e no abdômen. Posteriormente, foi encontrada durante buscas policiais e encaminhada a uma unidade de saúde no bairro Jardim Teresópolis, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. 

Segundo o boletim de ocorrência, ela teria cuspido na cara dos agentes e dito que eles não valiam nada. 

Repercussão

Após sua morte, surgiram especulações de que seu irmão, Diego de Souza, poderia assumir o controle do tráfico na região. Carolzinha era suspeita de já ter tentado matar Diego, o que reforçava a imagem de conflitos internos e violência até mesmo dentro do próprio círculo familiar.

Também houve relatos de que moradores comemoraram a morte da jovem, em razão do medo que ela impunha na comunidade.

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