Um CEP para chamar de seu: casal de influenciadores nômades que viralizou com vídeos pelo mundo se ‘aposenta’ e fixa moradia no RS


Casal de influenciadores nômades se ‘aposenta’ e fixa moradia no RS
Você já pensou em ser nômade? Trocar a rotina fixa por aeroportos, fusos horários, culturas diferentes e decidir todos os dias onde comer, dormir e trabalhar?
Durante anos, essa foi a realidade dos criadores de conteúdo Marina Guaragna, de 31 anos, e do marido, Will Ritt, de 41. Sem endereço fixo, eles cruzaram o mundo até perceberem que a liberdade também pode pedir uma pausa.
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Agora, depois de quase uma década em viagens contínuas, o casal decidiu dar um novo significado à palavra “voltar”. Sem abandonar as viagens, os dois resolveram criar um lar com endereço fixo no estado natal, no Rio Grande do Sul, apostando em uma base para descansar, reunir a família e reorganizar a vida entre uma viagem e outra.
A construção de um lar próprio em Porto Alegre não significa o fim das viagens, mas representa uma pausa estratégica, um respiro necessário após quase uma década direto de estrada.
Anos no mundo e o desejo de voltar
Casal Will Ritt e Marina Guaragna no Sudeste Asiático
Divulgação/ Marina Guaragna
Durante seis anos, Marina viveu como “nômade digital”. Will, ainda mais experiente nesse vaivém, soma nove anos cruzando fronteiras. Juntos, colecionaram países que não são contados na ponta do lápis.
“Eu não conto países, gosto de contar só experiências, vivências, porque não é uma corrida, nem um checklist. Então, se eu morrer e tiver visitado 20 países, 10 países e aproveitado muito bem, conhecido muito bem, estou muito feliz. Não preciso conhecer todos os países do mundo, apesar de que gostaria, mas não quero correr, quero conhecê-los com calma”, confessa Marina.
Índia e China ocupam lugar especial no coração pelos contrastes culturais e pela sensação constante de estar em outro mundo. Eles buscam o choque cultural. No entanto, agora, depois de tantos lugares e histórias espalhadas pelo mapa, o casal entende que viajar também fica melhor quando existe um lugar para voltar.
Agora, o casal encara outro tipo de aventura: escolher móveis, discutir planta, planejar reforma e imaginar como será, pela primeira vez, chegar em casa sabendo exatamente onde está cada coisa.
A decisão animou não só os dois. Familiares e amigos reagiram com entusiasmo (e até certo alívio).
“Todo mundo ficou muito animado. A família ficou bem feliz. Eles já estavam tipo: ‘vocês precisam parar um pouco, ter uma casa'”, conta Marina.
Ao fazer um balanço da experiência nômade, Marina comenta que viajar ensinou em pouco tempo mais do que todo o resto da vida. Contudo, ao mesmo tempo, a rotina de mudanças constantes também trouxe desgaste e revelou limites que nem sempre ficam aparentes para quem acompanha à distância.
A rotina exige escolhas o tempo todo: descobrir onde comer, como se locomover, onde comprar o básico. Sem o conforto do automático, tudo vira escolha. Ter um lar, nesse contexto, surge como porto seguro.
“Ter uma base, um lar, uma geladeira nossa, poder fazer nossa comida, poder sentar no nosso sofá, ver uma TV, descansar”, enumera Marina.
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O apartamento na Capital
A decisão não veio de um dia para o outro. Foi amadurecida aos poucos, em conversas que começaram anos atrás e ganharam força recentemente. Curiosamente, amigos que também vivem na estrada estavam passando pelo mesmo processo. Muitos começaram a buscar uma base, um “cantinho” para chamar de seu.
Porto Alegre entrou no radar do casal por vários motivos. Marina conta que o casal chegou a cogitar outras cidades, inclusive São Paulo, mas a capital gaúcha falou mais alto. Estar perto da família e dos amigos foi um dos principais fatores de escolha. A familiaridade com a cidade também.
“Quando a gente está indo para uma nova cidade, tem todo aquele esforço de conhecer a cidade, de entender os lugares, de conhecer os lugares. Ia ser mais um esforço de conhecer um novo lugar. Então, a gente queria estar onde a gente sente em casa, onde a gente já conhece, já sabe o que tem, onde tem, que dias tem, já está mais habituado”, comenta a influenciadora.
A casa escolhida carrega um valor simbólico forte: é o apartamento onde Will nasceu e cresceu, no Centro Histórico de Porto Alegre. O imóvel, que pertence à família, estava vazio e agora será completamente reformado.
A escolha não é apenas prática, mas afetiva. O lugar faz parte da história do viajante, tanto que virou tatuagem: um desenho de casa, com o número do andar onde ele viveu a infância.
A reforma
Agora, o casal vive a fase pré-obra. Entre lojas de móveis, reuniões com arquiteta e conversas com marcas, Marina e Will planejam uma casa que fuja do óbvio. A ideia é identidade em cada escolha: apostar em cores e soluções pouco convencionais.
“É um momento que a gente quer fazer uma casa muito do nosso jeitinho, não muito usual”, revela a influencer.
Como criadores de conteúdo, eles pretendem dividir cada etapa do processo com os seguidores, mesclando temas de viagem com o cotidiano da nova rotina doméstica.
A reforma deve começar em maio, se tudo ocorrer como esperado. Até lá (e mesmo depois), as viagens continuam. A diferença é que, ao voltarem, haverá um endereço fixo esperando por eles.
A casa também deve ajudar na organização do trabalho: preparar conteúdos antes das viagens, ter mais foco quando estiverem no Brasil e, quem sabe, passar mais tempo no país entre um destino e outro.
“Ter uma casa oficial pra gente ficar é um motivo a mais pra ficar um pouco mais no Brasil, mas seguir gravando a mesma quantidade de conteúdos”, comenta.
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