Gigantes dos rios e histórias de vida: veja a série do Terra da Gente no Araguaia


O Terra da Gente presenciou um fenômeno muito importante para a dinâmica do rio: o pulso de inundação
Márcio de Campos
Entre março e abril de 2026, o Terra da Gente levou o público a uma imersão em dois dos rios mais emblemáticos do Brasil Central. A série especial “Expedição: no Coração das Águas Mansas” percorreu o Rio das Mortes e o Araguaia em quatro episódios, revelando paisagens preservadas, espécies gigantes e histórias que conectam natureza, cultura e transformação social.
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Ao longo da jornada, a equipe atravessou áreas remotas, acompanhou fenômenos naturais essenciais à vida aquática e mostrou como a pesca esportiva e o turismo movimentam a região — sem deixar de lado os desafios da conservação.
Onde a vida nasce
Terra da Gente estreia a série ‘Expedição: no Coração das Águas Mansas’
A expedição começa em Novo Santo Antônio (MT), na divisa com o Tocantins, em um dos trechos mais preservados do Rio das Mortes.
Logo no início, a equipe presencia o chamado pulso de inundação, fenômeno em que o rio transborda e forma lagoas nas margens. Esses ambientes funcionam como berçários naturais para diversas espécies de peixes e são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema.
Em um acampamento isolado, sem energia elétrica ou sinal de celular, o grupo vivencia a rotina no coração da natureza. É nesse cenário que surge um dos símbolos da série: a piraíba, o maior peixe de água doce do Brasil e um importante indicador da saúde ambiental da região.
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O “tubarão” de água doce
Tubarão de água doce: equipe navega pelo Rio das Mortes em busca da piraíba
No segundo capítulo, a expedição aprofunda a busca pela piraíba e mostra como a ciência tem ajudado a entender o comportamento do animal.
O Projeto Peixara já monitorou mais de 100 exemplares com radiotransmissores. Um dos registros mais impressionantes revelou uma migração de cerca de 890 quilômetros — evidência da importância da conectividade dos rios.
Diante de nós está um verdadeiro gigante do Rio das Mortes: a Piraíba
Márcio de Campos
A pescaria exige técnica e paciência: linhas longas, estratégia e resistência. Quando o peixe finalmente é fisgado, a força do animal impressiona. O exemplar capturado pela equipe, com cerca de 20 quilos, reforça o apelido popular de “tubarão de água doce”.
Mais do que a captura, o episódio destaca a experiência: o encontro entre pessoas, histórias e o ritmo lento das águas.
Entre rios e tradições
Confira o 3º episódio da expedição pelo Araguaia
A jornada segue até o encontro entre o Rio das Mortes e o Araguaia, formando um verdadeiro corredor de biodiversidade.
Com mais de 2 mil quilômetros de extensão, o Araguaia conecta Cerrado, Amazônia e Pantanal. Em alguns trechos, chega a ter 1,5 quilômetro de largura, impondo respeito pela grandiosidade.
É nesse cenário que a equipe registra uma das cenas mais emblemáticas da cultura local: a travessia da boiada pelo rio. Enquanto o gado enfrenta a correnteza, boiadeiros acompanham o deslocamento em embarcações — uma tradição que resiste ao tempo.
O Terra da Gente registrou a famosa travessia da boiada de uma margem para a outra
Márcio de Campos
Na pescaria, o destaque é a pirarara, peixe conhecido pela coloração vibrante e pela força, considerado um dos mais admirados da região.
Novas histórias nas águas
O último episódio leva a expedição até Luciara (MT), já às margens do Araguaia, onde a pesca esportiva se consolida como atividade econômica importante.
A região recebe mais de 1 milhão de turistas por ano, segundo dados locais. E um movimento recente chama atenção: o crescimento da participação feminina.
Hoje, mulheres representam cerca de 30% dos visitantes em algumas pousadas. A equipe acompanha um grupo de pescadoras que, desde 2021, se reúne para fortalecer a presença feminina nesse universo.
Entre fisgadas, risadas e longos dias no rio, elas mostram que a pesca vai além da técnica — é também espaço de convivência, autonomia e troca de experiências.
A série se encerra com esse retrato: um Araguaia que continua sendo território de gigantes, mas também de novas histórias.
Entre fisgadas e muitos registros, elas permanecem no rio até o último fio de luz
Márcio de Campos
Ao longo de quatro episódios, a série do Terra da Gente revelou que, por trás das águas aparentemente calmas, existe um ecossistema complexo e pulsante — onde ciência, tradição e transformação caminham juntas.
Uma viagem que vai além da pescaria e ajuda a entender por que esses rios seguem sendo essenciais para a biodiversidade e para a cultura do Brasil.
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