
Delegações dos EUA e Irã estarão no Paquistão neste fim de semana para a segunda rodada de negociações da guerra do Irã
O ministro das Relações Exteriores do Irã voltou a Islamabad neste domingo (26), em mais um movimento para destravar as negociações indiretas com os Estados Unidos, enquanto o cessar-fogo entre os dois países permanece sem prazo definido e a guerra continua a pressionar a economia global.
A retomada da agenda diplomática ocorre em meio a sinais contraditórios. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, havia deixado a capital paquistanesa na noite anterior, gerando dúvidas sobre a continuidade das conversas, mas retornou horas depois antes de seguir viagem para Moscou.
Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump anunciou o cancelamento do envio de representantes americanos ao Paquistão por falta de avanços. Pouco depois, disse ter recebido de Teerã uma proposta considerada “muito melhor”, sem detalhar o conteúdo.
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Impasse gira em torno do Estreito de Ormuz
O principal ponto de tensão nas negociações é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial em tempos de normalidade.
O Irã tem restringido a circulação na região, enquanto os Estados Unidos mantêm um bloqueio aos portos iranianos. Como resposta, Teerã tenta viabilizar um mecanismo de cobrança de pedágios para embarcações que cruzam o estreito — uma medida que, se implementada, teria impacto direto no comércio internacional de energia.
Segundo autoridades envolvidas nas negociações, o governo iraniano condiciona o avanço das conversas ao fim das restrições impostas por Washington.
O navio Epaminondas é visto durante a apreensão pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) no Estreito de Ormuz, Irã , nesta imagem obtida pela Reuters em 24 de abril de 2026.
Meysam Mirzadeh/Tasnim/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS
Mediação indireta reflete desconfiança entre os países
As negociações têm sido conduzidas de forma indireta, com o Paquistão atuando como intermediário — um formato que reflete o nível de desconfiança entre as partes.
A escolha por canais indiretos não é nova. Rodadas anteriores, realizadas no último ano, também seguiram esse modelo e terminaram sem acordo, com escalada militar na sequência.
Neste momento, não há confirmação de quando representantes dos Estados Unidos voltarão à região para retomar o diálogo presencial.
Bloqueio ao Estreito de Ormuz
Editoria de Arte/g1
Cessar-fogo resiste, mas acordo permanente segue distante
Apesar do impasse, o cessar-fogo firmado em 7 de abril continua em vigor. O acordo interrompeu a maior parte dos combates iniciados no fim de fevereiro, após ataques coordenados de forças americanas e israelenses contra o Irã.
A trégua, no entanto, foi prorrogada sem prazo definido, o que mantém o cenário de incerteza. Um acordo permanente ainda depende de avanços nas negociações diplomáticas.
Para analistas, o ritmo lento não indica necessariamente retrocesso. A complexidade do conflito e os interesses envolvidos tornam improvável uma solução rápida.
Guerra acumula milhares de mortos e pressiona economia global
Dois meses após o início do conflito, o impacto humano e econômico segue em expansão.
Mais de 3.300 pessoas morreram no Irã desde o início da guerra, além de quase 2.500 no Líbano, onde os combates se intensificaram dias depois. Há ainda registros de mortes em Israel, em países do Golfo e entre militares americanos e forças de paz.
No campo econômico, a instabilidade no Estreito de Ormuz tem afetado o fluxo global de petróleo, gás natural liquefeito e fertilizantes, com reflexos nos preços internacionais e nas cadeias de abastecimento.
