Diga adeus aos tijolos convencionais: este é o bloco de areia e cal que está substituindo o tijolo cerâmico na construção civil

Você já ouviu falar de um tijolo que não leva argila, é feito com areia e cal e vai para uma autoclave em vez de um forno? O bloco sílico-calcário é essa inovação centenária que está ganhando as obras brasileiras. Ele dispensa a junta grossa, aguenta o fogo por horas e ainda pode substituir vigas e pilares em paredes portantes.

O que é o bloco sílico-calcário e como ele é fabricado com areia e cal?

O bloco sílico-calcário, também chamado de sand-lime brick, é produzido com areia silicosa, cal e água. A mistura úmida é prensada e submetida à cura em autoclave, onde o vapor sob alta pressão promove uma reação química que forma silicatos de cálcio responsáveis pela ligação entre os grãos de areia. Esse processo confere ao material compactação elevada, estabilidade geométrica e resistência à compressão que varia de 4,5 MPa (Classe A) a 35 MPa (Classe J), conforme a ABNT NBR 14974.

A tecnologia tem mais de um século de uso consolidado em mercados europeus. A norma europeia EN 771-2 enquadra as unidades de silicato de cálcio para uso em diferentes tipos de parede, incluindo componentes estruturais, com marcação CE obrigatória para comercialização na Europa. No Brasil, a regulamentação é feita pela ABNT NBR 14974, cujas duas partes definem requisitos, dimensões, ensaios e procedimentos para execução de alvenaria estrutural.

O bloco sílico-calcário, também chamado de sand-lime brick, é produzido com areia silicosa, cal e água

Leia também: Em Bangladesh, carpinteiros erguem casas pré-fabricadas que podem ser desmontadas e transportadas em um único dia de trabalho

Por que a junta fina é consequência da precisão do bloco, não uma escolha estética?

A principal diferença entre o bloco sílico-calcário e o tijolo cerâmico convencional está na regularidade dimensional das peças. No sistema tradicional, variações entre tijolos são absorvidas com camadas mais espessas de argamassa ao longo das fiadas. Com o bloco sílico-calcário, esse improviso deixa de funcionar: a junta fina só é eficiente quando as peças chegam à obra com medidas uniformes e controladas.

Sem essa precisão, a junta delgada perde eficiência e a parede volta a depender de correções que aumentam o consumo de areia e argamassa, o tempo de execução e a variabilidade no acabamento. A mudança desloca a exigência de habilidade do canteiro para uma execução mais coordenada e menos tolerante a falhas de projeto.

Como executar alvenaria com bloco sílico-calcário na prática?

O processo exige atenção desde a preparação da base até a amarração estrutural. O canal Bloco Sical, com mais de 3,38 mil inscritos, apresenta o passo a passo completo das boas práticas de execução, com dicas de assentamento, uso de telas de reforço e corte dos blocos:

Na prática, os principais cuidados na execução envolvem:

  • Limpeza e chapisco colante na base antes do início do assentamento para garantir aderência adequada.
  • Umidificação dos blocos antes do assentamento e juntas controladas com transpasse mínimo de 12 cm entre fiadas.
  • Ancoragem em pilares de concreto com telas como a BelgoFix fixadas com buchas Hilti, integrando o sistema à estrutura.
  • Tela Murfor para reforço e estabilidade da alvenaria em pontos de maior solicitação.
  • Corte com serrote, sem necessidade de ferramentas especiais, facilitando ajustes e acabamentos em vãos de janelas e portas.

O bloco de areia pode ser usado em paredes portantes no lugar da estrutura convencional?

A resistência à compressão elevada permite que o bloco sílico-calcário funcione como elemento estrutural, dispensando vigas, pilares e toda a mão de obra associada à estrutura convencional. Esse enquadramento aproxima a tecnologia de modelos construtivos mais racionalizados, comuns em mercados que reduziram a dependência de soluções artesanais na elevação das paredes.

A tabela abaixo compara o desempenho técnico do bloco sílico-calcário com o do tijolo cerâmico convencional nos principais critérios de avaliação para escolha do sistema construtivo:

Critério Bloco sílico-calcário Tijolo cerâmico convencional
Resistência à compressão 4,5 MPa a 35 MPa (classes A a J) Variável, geralmente de 1,5 MPa a 8 MPa
Precisão dimensional Alta, controle industrial rígido Variável, depende do fabricante
Resistência ao fogo CF240 e PC240 (240 minutos) Depende da espessura e composição
Isolamento acústico Favorecido pela alta densidade Inferior em paredes de mesma espessura
Tipo de junta Fina, com argamassa controlada Grossa, absorve variações dimensionais
Uso em parede portante Sim, conforme NBR 14974 e EN 771-2 Limitado, exige estrutura complementar

O sistema muda o canteiro, não apenas o material da parede

A adoção do bloco sílico-calcário em lugar do tijolo cerâmico não é uma simples troca de componente. É uma mudança na forma de conceber e executar a parede, que passa a depender de modulação rigorosa desde o projeto, compatibilização entre estrutura e instalações e uma equipe treinada para operar em tolerâncias menores do que as habituais na alvenaria de areia e cimento convencional.

Em obras concebidas desde o início para repetição e modulação, o resultado costuma ser um canteiro mais organizado, com menos improviso e maior coerência entre o que foi projetado e o que de fato se constrói. O peso da correção tardia diminui, e o bloco sílico-calcário deixa de ser curiosidade para se tornar uma escolha técnica justificável em obras que levam desempenho a sério.

O post Diga adeus aos tijolos convencionais: este é o bloco de areia e cal que está substituindo o tijolo cerâmico na construção civil apareceu primeiro em BM&C NEWS.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.