Tiros em jantar com Trump: repórter da Globo relata evacuação, esquema de segurança e bastidores


Raquel Krähenbühl, repórter da TV Globo, estava em jantar onde Trump sofreu ataque.
Reprodução/TV Globo
A repórter Raquel Krähenbühl, da TV Globo, viveu de dentro do salão os momentos de pânico durante um jantar com o presidente Donald Trump em Washington, D.C.. Em reportagem do Fantástico, ela contou como convidados se esconderam sob as mesas e viram agentes armados invadirem o local após disparos do lado de fora.
Realizado desde 1921, o evento reúne jornalistas, autoridades e integrantes do governo em uma celebração da liberdade de imprensa e de expressão. Naquela noite, cerca de 2.500 pessoas ocupavam o salão de festas do hotel quando Trump e a primeira-dama foram apresentados.
Trump sentou-se ao lado da presidente da Associação dos Correspondentes da Casa Branca, Weijia Jiang. Também estavam no evento o vice-presidente JD Vance, a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt e outros integrantes do governo. A salada acabava de ser servida quando tudo mudou.
Por volta das 20h30, o som de disparos interrompeu a cerimônia.
“No momento, achei que tivesse sido mesa derrubando. De repente começou todo mundo a entrar debaixo da mesa, porque disseram que tinha sido tiros disparados lá fora”, relatou Raquel.
A transmissão ao vivo registrou o instante de confusão. No palco, participantes olhavam em volta tentando entender o que acontecia. A primeira-dama parecia questionar o que se passava. Em segundos, agentes do Serviço Secreto armados entraram no salão e correram em direção às autoridades.
“Imediatamente todos os agentes do serviço secreto ficaram em cima dos integrantes do gabinete para protegê-los”, contou Raquel.
O diretor do FBI, Kash Patel, que estava atrás da equipe da TV Globo, se agachou enquanto um agente permaneceu ao lado dele com a arma em punho.
Um a um, integrantes do governo foram escoltados para fora. O primeiro a sair foi JD Vance. Em seguida, agentes com armas mais pesadas subiram ao palco para retirar Trump.
Segundo a reportagem, o presidente chegou a tropeçar, mas foi reerguido e deixou o salão. Organizadores e convidados também saíram agachados.
O fotojornalista Andrew Harnik, que estava na mesma mesa do presidente, registrou tudo com o celular.
“Somos os olhos da imprensa, é nossa responsabilidade capturar o que acontece diante de nós no momento em que acontece”, afirmou. Ele disse ter visto uma “muralha” de agentes avançando em direção a Trump.
Andrew Harnik, fotojornalista.
Reprodução/TV Globo
“Não tive tempo de pegar minha câmera profissional, mas peguei o celular”, disse. “Acho que o mais difícil foi que a minha esposa estava ali também. Eu já fiz coberturas difíceis com algum nível de perigo, mas a minha família nunca vai comigo”.
Às 21h, a presidente da associação informou que o jantar seria retomado. Pouco depois, ainda dentro do hotel, Trump escreveu nas redes sociais que o atirador havia sido preso.
Segundo Raquel, mesmo assim, havia informações desencontradas: alguns falavam em discurso do presidente, outros em evacuação total. O sinal de telefone também falhava, dificultando o trabalho dos jornalistas.
Às 21h40, pouco mais de uma hora após os tiros, o evento foi cancelado definitivamente. Todos deixaram o hotel. A reportagem mostrou ainda falhas na segurança: não havia revista nem barreiras na entrada principal, e bastava apresentar um convite físico para entrar. O suspeito, Cole Tomas Allen Torrance, de 31 anos, foi preso armado com facas, uma espingarda e uma pistola. Trump chamou o homem de “lobo solitário”. Este foi o terceiro atentado ou tentativa de assassinato contra o presidente em menos de dois anos.
Falhas na segurança
Segundo Raquel, não havia nenhum tipo de revista ou barreira de segurança nas entradas do hotel onde acontecia o jantar. Os convidados também não precisavam apresentar documento de identidade para entrar no evento.
Bastava portar o convite físico. No papel, a orientação era direta: “Por favor, apresente este ingresso para entrar na recepção e no salão de festas”.
O evento acontecia em um salão localizado dois andares abaixo da entrada principal do hotel. Só nesse percurso intermediário os convidados passavam pelo raio-x de segurança.
Foi justamente nesse andar que o atirador acabou preso, perto da escada que dava acesso à porta central do salão.
O atirador
O suspeito foi identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos. Segundo a investigação, ele viajou de trem de Los Angeles para Washington, passando por Chicago, e enviou um manifesto à família pouco antes do ataque. No texto, dizia que tinha integrantes do governo como alvo. O irmão chegou a avisar a polícia.
Trump afirmou depois que o documento continha “visões anticristãs”.
Torrance estava hospedado no mesmo hotel do jantar, local onde Ronald Reagan sofreu uma tentativa de assassinato em 1981. Ele responderá por ataque contra agente federal e uso de arma de fogo em crime violento. Este foi o terceiro atentado ou tentativa contra Trump em menos de dois anos.
Reação internacional ao ataque
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou solidariedade a Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump e aos presentes no jantar em Washington. Lula afirmou que o Brasil repudia veementemente o ataque e declarou que a violência política é uma afronta aos valores democráticos que devem ser protegidos.
Líderes de diferentes partes do mundo também condenaram o episódio e destacaram alívio pelo fato de os participantes terem saído em segurança.
Na Europa, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer falou por telefone com Trump, condenou o atentado e desejou rápida recuperação ao agente ferido. O rei Charles III, que tem viagem marcada aos Estados Unidos, também foi informado e decidiu manter o encontro oficial.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a violência política não tem lugar nas democracias. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o chanceler alemão Friedrich Merz adotaram o mesmo tom.
O presidente francês Emmanuel Macron classificou o episódio como inaceitável. A premiê italiana Giorgia Meloni declarou total solidariedade a Trump e disse que o fanatismo não pode contaminar os espaços de debate e informação. Já o premiê espanhol Pedro Sánchez afirmou que a violência nunca é o caminho.
Em Portugal, o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro também condenaram o ataque e prestaram solidariedade aos presentes no evento.
No Oriente Médio, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse estar chocado com a tentativa de assassinato. Na Turquia, Recep Tayyip Erdoğan repudiou a ação armada.
Na Ásia e Oceania, manifestações semelhantes vieram do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, de lideranças japonesas e do premiê australiano Anthony Albanese. Na América Latina, a presidente do México Claudia Sheinbaum afirmou que a violência nunca deve ser o caminho, enquanto o governo argentino de Javier Milei repudiou o episódio.
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