A cidade fundada em 1544 que ganhou nome do Padre Anchieta em uma missa de 1566 e tem 4 das 7 espécies de tartarugas marinhas do planeta

A cidade fundada em 1544 que ganhou nome do Padre Anchieta em uma missa de 1566 e tem 4 das 7 espécies de tartarugas marinhas do planeta

O nome veio de uma missa rezada em 21 de setembro de 1566. Quando o Padre José de Anchieta chegou ao antigo Povoado do Cricaré, no norte do Espírito Santo, era dia de São Mateus Evangelista no calendário católico, e o jesuíta seguiu o costume da época de batizar lugares com o santo do dia. São Mateus guarda 482 anos de história, tem 43 km de litoral e abriga uma das maiores reservas de tartarugas marinhas do Brasil.

Por que São Mateus é o segundo município mais antigo do Espírito Santo?

Os primeiros colonizadores portugueses chegaram à região em 1544, fugindo dos ataques indígenas em Vila Velha, segundo a Prefeitura de São Mateus. Subiram a costa em direção ao norte e fundaram um povoado nas margens do rio Cricaré, hoje rio São Mateus.

O nome atual veio 22 anos depois, em 1566, quando o jesuíta peregrinava pela Capitania do Espírito Santo e celebrou missa no povoado em 21 de setembro. A vila virou município oficialmente em 3 de abril de 1848, mas o aniversário continua sendo comemorado na data da missa de Anchieta. Hoje a cidade é, depois de Vila Velha, o segundo povoado mais antigo do Espírito Santo.

São Mateus, Espírito Santo // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Vale a pena viver no maior município afrodescendente do Espírito Santo?

Vale para quem busca uma cidade média com economia diversificada e acesso direto à praia. São Mateus tem cerca de 134 mil habitantes, fica a 215 km de Vitória e ostenta o título de município com a maior população afrodescendente do estado, herança direta do antigo porto que era uma das principais portas de entrada de africanos escravizados no Brasil, segundo a Prefeitura de São Mateus.

A economia mateense não depende de um setor só. Petróleo, agricultura, fruticultura, pecuária, pesca e comércio sustentam a cidade que é referência regional para o norte capixaba e o sul da Bahia. A presença italiana na zona rural completa o caldeirão cultural, com famílias chegadas em 1874.

São Mateus, Espírito Santo // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Reconhecimento patrimonial: tombamento estadual e Igreja Velha protegida pelo IPHAN

São Mateus reúne três proteções patrimoniais que poucas cidades capixabas conseguem somar:

  • Tombamento do Sítio Histórico do Porto pelo Conselho Estadual de Cultura: a Resolução nº 1/1976 incluiu o conjunto de casarões coloniais do final do século XVIII, segundo o ipatrimônio com base na Secretaria da Cultura do Estado do Espírito Santo (SECULT-ES).
  • Tombamento da Igreja Velha pelo IPHAN: o templo inacabado foi inscrito como patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1971.
  • Base do Projeto Tamar desde 1988: o programa de pesquisa e conservação de tartarugas marinhas mantém um centro de visitantes em Guriri, com 4 das 7 espécies do mundo desovando na praia entre setembro e março.

Há ainda um marco histórico nacional ligado a São Mateus. Em 1856, na barra do rio, foi apreendido o último carregamento clandestino de africanos da costa brasileira, com 350 pessoas, fato registrado por uma escuna norte-americana e ainda lembrado nos arquivos da cidade.

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O que fazer no Sítio Histórico e nas praias de Guriri?

O passeio começa na cidade alta e desce até o Porto. Depois cruza a ilha até as praias quase desertas. Os pontos imperdíveis são:

  • Sítio Histórico do Porto: conjunto tombado de sobrados coloniais portugueses do final do século XVIII, com Largo do Chafariz, Mercado Municipal e o ÁfricaBrasil Museu Intercontinental, idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro.
  • Museu Histórico Municipal: instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia de 1764, expõe urnas funerárias tupis, peças da escravidão e mobília do século XIX.
  • Igreja Velha: ruínas construídas em 1596 por jesuítas, indígenas e africanos escravizados, com pedras de lastro de navios, óleo de baleia e cal.
  • Igreja Matriz de São Mateus: erguida pelos jesuítas antes de 1764, na Praça Municipal, com altar restaurado após o incêndio de 1949.
  • Praia de Guriri: 8 km de areias claras na maior ilha do Espírito Santo, com águas mornas, piscinas naturais na maré baixa e base do Projeto Tamar.
  • Praia de Barra Nova: vila bucólica de pescadores onde o rio Mariricu encontra o mar, com manguezais, lagunas e arrecifes a 25 km do centro.
  • Praia de Urussuquara: paraíso isolado de surfistas no extremo sul do litoral mateense, com a Lagoa Suruaca para caiaque e mergulho.

A culinária local mistura influência baiana, indígena e capixaba. Os pratos para experimentar são:

  • Moqueca capixaba: panela de barro com peixe fresco, urucum, tomate, cebola e coentro, sem leite de coco nem dendê.
  • Moqueca baiana: versão também servida em São Mateus por causa da influência do extremo sul da Bahia, com leite de coco, dendê e pimenta.
  • Sururu de Barra Nova: marisco extraído nos recifes da praia, servido em caldinho ou como acompanhamento de pirão.
  • Farinha de mandioca mateense: produto que sustentou a economia da cidade no século XIX e ainda é vendido fresco no Mercado Municipal.
  • Vatapá e acarajé: heranças baianas presentes no comércio do centro histórico, ligadas à formação afrodescendente do município.

Quem busca conhecer a história de São Mateus, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Athylla Borborema, que conta com mais de 67 mil visualizações, onde Athylla Borborema mostra as riquezas da cidade histórica e do balneário de Guriri, no Espírito Santo:

Qual a melhor época para visitar São Mateus?

O clima é tropical quente, com temperatura média anual em torno de 24°C, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O verão concentra a maior parte das chuvas e o inverno é mais ameno, ideal para o turismo histórico.

Veja como cada estação se comporta na cidade:

Verão

24°C a 33°C
Apesar de concentrar a maior parte das chuvas no ano, é o período mais badalado, famoso pela agitação da Praia de Guriri e o vibrante Carnaval.
⭐ Alta Temporada / Guriri

Outono

22°C a 30°C
O clima estabiliza as chuvas e mantém as altas temperaturas. Excelente época para focar no Sítio Histórico e nos museus da cidade.
☁ Chuva Média

Inverno

18°C a 26°C
A melhor janela climática para o ecoturismo! Dias muito secos e frescos, tornando-se ideais para trilhas, passeios nos manguezais e no centro.
🎒 Chuva Baixa / Seco

Primavera

21°C a 29°C
A estação se destaca pela rica biodiversidade local e festejos, trazendo o aniversário da cidade e o início da temporada de desova de tartarugas.
☁ Chuva Média

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à segunda cidade mais antiga do Espírito Santo?

São Mateus fica a 215 km da capital Vitória. O trajeto principal é pela BR-101 Norte, com tempo médio de 3h de carro. Quem vem de avião pode pousar no Aeroporto de Vitória e seguir pela rodovia ou pelo aeroporto de Linhares, mais próximo. Dentro do município, a Praia de Guriri fica a apenas 12 km do centro, com acesso por estrada asfaltada.

Por que São Mateus merece pelo menos uma viagem na vida

Poucas cidades do Brasil reúnem 482 anos de história, um sítio colonial tombado, praias com tartarugas marinhas e a herança viva da formação afrodescendente do país em um mesmo território. São Mateus é o tipo de lugar que conta a história brasileira pela camada que costuma ficar de fora dos livros didáticos.

Você precisa caminhar pelo Porto de São Mateus e sentir o peso de pisar em um dos lugares onde a história do Brasil colonial deixou marca mais profunda.

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