
Ao longo dos últimos anos, o cenário do funk foi impactado por uma série de prisões e operações policiais, colocando cantores de funk e influenciadores digitais no centro de investigações por crimes como lavagem de dinheiro, estelionato e ligação com organizações criminosas.
Conheça quem são os funkeiros presos:
Ryan Santana dos Santos

MC Ryan foi preso no dia 15 de abril de 2026 pela Polícia Federal durante a Operação Narco Fluxo. Ele é acusado de envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e apostas ilegais ligado ao tráfico internacional de drogas. A polícia aponta que o funkeiro era líder da engrenagem criminosa, que teria movimentado cerca de R$1,6 bilhão.
Na operação foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal.
Como funciona o esquema?
O esquema começava com a arrecadação de valores por meio de plataformas de apostas não regulamentadas e rifas ilegais, que arrecadavam dinheiro de milhares de pessoas.
Esses recursos eram inicialmente espalhados em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento.
Depois de arrecadado, o dinheiro passava por uma rede estruturada de operadores financeiros, empresas e intermediários responsáveis por centralizar e redistribuir os valores.

Para esconder a origem ilícita, o dinheiro era fracionado em transferências, uso de criptomoedas e movimentações entre empresas e contas de terceiros.
Também foram identificados o uso de “laranjas” e transferências de bens e empresas para familiares. Para lavar o dinheiro também eram utilizadas empresas ligadas ao setor artístico e de entretenimento para dar aparência legal ao dinheiro.
Durante a operação, além de MC Ryan, outras pessoas foram presas, entre elas o funkeiro Poze do Rodo e influenciadores digitais.
Outras produtoras de funk e empresários do ramo também aparecem como alvos e foram submetidos a medidas cautelares, como o sequestro de bens e o bloqueio de valores. Além disso, algumas pessoas são citadas com algum tipo de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
O que diz a defesa?
A reportagem do iG entrou em contato com a defesa de MC Ryan, que, em nota, afirmou:
Marlon Brandon Coelho Couto da Silva

Conhecido como Poze do Rodo, foi preso no dia 15 de abril de 2026 durante a “Operação Narco Fluxo”, a mesma que também resultou na prisão de MC Ryan SP. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro.
Poze foi detido em sua residência, localizada no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste do Rio de Janeiro.
A prisão ocorreu por decisão da 5ª Vara Federal de Santos, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A apuração envolve a movimentação de valores bilionários ligados a apostas ilegais e rifas digitais.
Sem vínculo com facção
No dia 22 de abril, Poze do Rodo, que estava preso em Bangu 1, no Complexo de Gericinó, foi transferido para o Presídio Joaquim Ferreira, anexo da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, considerado um espaço neutro.
A transferência ocorreu após o cantor declarar que não mantém mais vínculo com facções criminosas.
O que diz a defesa?
A reportagem do iG entrou em contato com a defesa de MC Poze do Rodo, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno.
João Vitor Ribeiro Marcelino Guido

Conhecido como MC Negão Original, o artista foi considerado foragido da Justiça durante a “Operação Fim da Fábula”, realizada no dia 24 de fevereiro de 2026. A ação tinha como objetivo investigar uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes digitais e lavar dinheiro.
Como funcionava o esquema
A investigação aponta que o MC não apenas divulgava, como também fornecia infraestrutura, apoio logístico e financeiro para uma quadrilha especializada em golpes eletrônicos, incluindo o “golpe do INSS”, o “falso advogado” e a chamada “mão fantasma”.
Imóveis ligados ao artista foram identificados como bases operacionais para os estelionatos, onde foram encontrados computadores e celulares. Segundo a polícia, ele utilizava sua influência nas redes sociais para atrair seguidores para uma plataforma de apostas irregular, que favorecia apenas a banca.
O esquema fez vítimas em diversos estados e teria movimentado cerca de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos.

Golpe do INSS
Criminosos enviavam mensagens de texto ou áudio se passando por funcionários do INSS. Em seguida, solicitavam às vítimas uma suposta “prova de vida” para evitar o bloqueio do benefício.
Durante a abordagem, os golpistas convenciam principalmente idosos a participar de chamadas de vídeo e a instalar aplicativos em seus celulares. Na prática, esses aplicativos permitiam o acesso remoto aos aparelhos e possibilitavam a captura de dados pessoais, senhas bancárias e outras informações sensíveis.
Conversas encontradas em celulares apreendidos mostram os criminosos orientando as vítimas, passo a passo, a instalar os programas e compartilhar a tela do celular.
Golpe do falso advogado
Além das fraudes relacionadas ao INSS, a quadrilha também é investigada por aplicar o chamado “golpe do falso advogado”.
Nesse tipo de fraude, criminosos entram em contato com as vítimas afirmando que um processo judicial foi ganho e que há uma indenização disponível para saque.
Para liberar o valor, os golpistas exigem o pagamento antecipado de taxas ou supostos custos administrativos.
O que diz a defesa?
À época, a defesa do MC Negão Original afirmou que “João Vitor iria comprovar sua inocência e que todas as transações financeiras relacionadas ao artista possuem lastro documental e origem lícita, o que será devidamente demonstrado no momento oportuno”.
Até o momento, as investigações apontaram indícios considerados suficientes para a expedição de um mandado de prisão temporária. Também foram identificados imóveis de luxo, de propriedade ou uso do MC, que funcionariam como “centrais de golpes”.
Apesar disso, ele segue em liberdade.
Bruno Alexssander Souza Silva

Conhecido como Buzeira, ele foi preso pela Polícia Federal no dia 14 de outubro de 2025. A prisão aconteceu em sua mansão, na cidade de Igaratá, no interior de São Paulo, durante a “Operação Narco Bet”, que investiga um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e jogos de azar.
Buzeira ficou conhecido nas redes sociais por divulgar rifas e sorteios de carros, produtos de luxo e outras ações promocionais. Ele também chamava atenção por ostentar carros de luxo, joias, relógios caros e até helicópteros.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema teria movimentado cerca de R$ 630 milhões por meio do uso de criptomoedas e empresas de fachada.
Na época, a Polícia Civil de São Paulo já havia cumprido mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital em endereços ligados a ele na cidade de Mogi das Cruzes.
Como era o esquema?
De acordo com o relatório da Polícia Federal, Buzeira seria responsável por gerar o dinheiro irregular por meio de rifas e apostas clandestinas. Já o contador foi descrito pela corporação como uma espécie de “banco particular” dos investigados.
Segundo a apuração, o contador cuidava da parte financeira do esquema: criava empresas de fachada, emitia notas fiscais sem comprovação real, operava com criptomoedas e ajudava a reintroduzir o dinheiro no sistema formal.
No relatório, a PF listou 21 formas de lavagem de dinheiro envolvendo Buzeira e o contador. Entre os exemplos citados estão a compra de um imóvel de R$ 6 milhões, a manutenção de um caixa paralelo e a emissão de uma nota fiscal de R$ 50 milhões para justificar a entrada de recursos.
O que diz a defesa?
No dia 20 de novembro do ano passado, o Tribunal Regional da 3ª Região negou o pedido de habeas corpus da defesa do influenciador Bruno Alexssander, que segue preso.
A reportagem do iG entrou em contato com o advogado de Buzeira, Jonas Reis, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Elias Quaresma Teodoro

Conhecido como MC Urubuzinho, o cantor foi alvo de um mandado de prisão cumprido no dia 15 de março deste ano, em um apartamento no bairro do Belenzinho, na zona leste de São Paulo.
Na época, o artista era investigado por disparos de arma de fogo e por fazer menção a uma facção criminosa durante um “pancadão” de Carnaval, na cidade de Santos.
Nas imagens analisadas, MC Urubuzinho aparece cantando ao lado de um homem armado, além de fazer alusões a facções criminosas.
O cenário do funk foi impactado por uma série de prisões e operações policiais. Conhecido como MC Urubuzinho, o cantor foi alvo de um mandado de prisão cumprido no dia 15 de março deste ano, em um apartamento no bairro do Belenzinho, na zona leste de São Paulo. pic.twitter.com/e6Q8wNSOqq
— iG (@iG) April 27, 2026
Ele ficou preso por cerca de um mês na Penitenciária Dr. Geraldo de Andrade Vieira de São Vicente I, no litoral paulista, e foi solto posteriormente.
Mauro Davi dos Santos Nepomuceno

Conhecido como Oruam, o artista, que já participou de músicas de funk e sertanejo, foi preso no Rio de Janeiro no dia 26 de fevereiro de 2025, por abrigar em sua casa um foragido da Justiça.
O artista era alvo de buscas, mas, durante a operação, policiais encontraram em sua mansão, no bairro do Joá, na zona oeste da cidade, o traficante Yuri Pereira Gonçalves, que era procurado por envolvimento com organização criminosa. Com ele, foi apreendida uma pistola calibre 9 milímetros com kit-rajada e munição.
Oruam é filho de Marcinho VP, preso por crimes como assassinato, formação de quadrilha e tráfico de drogas, e apontado pelo Ministério Público como um dos líderes do Comando Vermelho. O rapper também possui tatuagens em homenagem ao pai e a Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.
Como Yuri estava na casa, Oruam foi enquadrado por favorecimento pessoal, crime que consiste em ajudar alguém a escapar da ação das autoridades após cometer algum delito.
O que ele alegou?
Oruam afirmou que não sabia que o amigo era foragido da Justiça.
Como o favorecimento pessoal é considerado um crime de menor potencial ofensivo, o artista foi liberado após assinar um termo circunstanciado e deverá responder ao caso no Juizado Especial Criminal (Jecrim).
