O governo federal se prepara para lançar o Desenrola 2.0, nova fase do programa de renegociação de dívidas voltado a famílias de baixa renda, com potencial de movimentar até R$ 140 bilhões em débitos. A iniciativa busca reduzir o nível de inadimplência no país e aliviar o comprometimento da renda das famílias, especialmente em um cenário de crédito ainda restritivo.
A nova versão do programa deve ser anunciada no dia 1º de maio, com foco em pessoas que recebem até cinco salários mínimos. A proposta inclui mudanças nas regras, redução do teto de juros e maior participação do governo na garantia das operações.
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Quem poderá participar do Desenrola 2.0
O programa será direcionado principalmente a consumidores com dívidas em atraso em produtos como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado. A elegibilidade inicial considera débitos vencidos entre 61 e 360 dias, com possibilidade de ampliação para prazos mais longos, podendo chegar a três anos.
A expectativa do governo é atingir um público relevante dentro da faixa de renda mais pressionada pelo endividamento, ampliando o acesso à renegociação em condições mais favoráveis.
Descontos e juros menores na renegociação
Uma das principais mudanças do Desenrola 2.0 é o novo teto para os juros cobrados nas renegociações, fixado em 1,99% ao mês, abaixo dos 2,5% discutidos anteriormente. Além disso, os descontos oferecidos pelos bancos podem chegar a até 80% do valor da dívida, podendo ser ainda maiores em débitos mais antigos.
O modelo prevê que as instituições financeiras concedam abatimentos proporcionais ao tempo de atraso, o que tende a incentivar a liquidação de dívidas mais antigas.
Governo amplia garantia para estimular bancos
Para viabilizar as condições mais favoráveis de renegociação, o governo pretende utilizar o Fundo Garantidor de Operações (FGO). Na prática, o mecanismo funciona como uma proteção para os bancos: em caso de inadimplência após o acordo, o Tesouro Nacional cobre parte das perdas.
As discussões indicam um aporte entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões no fundo, com o objetivo de aumentar a adesão das instituições financeiras ao programa.
O Desenrola 2.0 também prevê a possibilidade de uso do saldo do FGTS para quitação de dívidas, mas com limitações. O trabalhador só poderá utilizar os recursos caso o valor disponível seja suficiente para quitar integralmente o débito.
Isso significa que não será permitido o uso parcial do fundo para amortização da dívida. Caso o saldo seja inferior ao valor total devido, o acesso ao FGTS não será autorizado para esse fim.
Entre as medidas em discussão, o governo avalia incluir restrições ao uso de plataformas de apostas online para beneficiários do programa. Uma das propostas prevê uma trava de até seis meses para operações em bets, com o objetivo de evitar que consumidores renegociem dívidas e voltem a se endividar rapidamente.
Desenrola 2.0 vs Desenrola 1
| Critério | Desenrola 1 | Desenrola 2.0 |
|---|---|---|
| Público-alvo | Baixa renda e negativados | Até 5 salários mínimos |
| Tipo de dívida | Diversas (incluindo negativadas antigas) | Cartão, cheque especial e crédito pessoal |
| Prazo das dívidas | Mais amplo | 61 dias até 3 anos (possível ampliação) |
| Descontos | Variáveis | Até 80% ou mais (dívidas antigas) |
| Taxa de juros | Sem teto claro definido | Até 1,99% ao mês |
| Garantia do governo | Limitada | Uso do FGO com cobertura do Tesouro |
| Uso do FGTS | Não permitido | Permitido (somente quitação total) |
| Amortização parcial | Não aplicável | Não permitido |
| Volume estimado | Menor escala | Até R$ 140 bilhões |
| Regras adicionais | Não havia | Restrição a apostas (bets) em estudo |
| Objetivo central | Reduzir inadimplência | Reduzir inadimplência + reorganizar crédito |
Impacto econômico e desafios estruturais
Apesar do alcance potencial, especialistas avaliam que programas como o Desenrola 2.0 tendem a ter efeito limitado no longo prazo. Entidades como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) apontam que iniciativas desse tipo atuam sobre o estoque das dívidas, mas não alteram a dinâmica de geração de novos débitos.
O desafio, nesse contexto, permanece estrutural: reduzir o nível de endividamento de forma sustentável, em um ambiente marcado por crédito caro, renda pressionada e consumo fragilizado.
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