
O Super El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento extremo das águas do Oceano Pacífico e está associado ao enfraquecimento dos ventos alísios. Ele altera a circulação atmosférica no Pacífico Equatorial, inverte padrões climáticos e interfere na distribuição de calor e umidade do planeta.
Tema recorrente em provas, é analisado também em salas de aulas do ensino médio e cursinho pré-vestibulares.
O professor Aluísio de Araújo Costa Junior, autor de geografia do Sistema de Ensino pH., explica que a anomalia climática ocorre a cada cinco ou sete anos e não tem duração definida, mas o tempo aproximado é de um ano e meio.
Em 2026, cientistas acreditam que um novo evento pode estar em formação. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) estima 61% de probabilidade, com 25% de chance de ser intenso.
Impactos no Brasil
No Brasil, os efeitos variam em cada região. No Sul, está previsto o aumento de chuvas, com risco elevado de enchentes e deslizamentos.
No Norte e no Nordeste há maior ameaça de seca prolongada, comprometendo o abastecimento de água, a agricultura e intensificando a ocorrência de incêndios florestais.
Já no Sudeste e Centro Oeste, o fenômeno provoca calor mais intenso. O ar seco e a baixa umidade também devem ser predominantes durante o período, especialmente na primavera.
Reflexos nos estudantes
As consequências também estão presentes na rotina escolar. Em situações de calor extremo, o cérebro prioriza o alívio do desconforto em detrimento da concentração e do raciocínio, comprometendo o ensino e o aprendizado.
Segundo artigo do Centro sobre a Criança em Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, as perdas de aprendizagem chegaram a até 50% quando as temperaturas em dias letivos ficavam acima de 38 graus, afetando negativamente o desempenho em testes realizados até três ou quatro anos depois.
Os eventos também podem afetar diretamente o calendário letivo. Em 2025, no Rio Grande do Sul, a Justiça chegou a adiar o início do semestre escolar na rede estadual, após os termômetros registrarem 43,8 graus, a maior temperatura da história do estado.
O avanço do aquecimento global também amplifica esse cenário. Com os oceanos mais quentes, há maior retenção de calor, o que potencializa fenômenos como o El Niño e aumenta a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos.
Tema nos vestibulares
Segundo o professor Aluísio, o tópico aparece de forma interpretativa no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), na UERJ e na Fuvest, com questões que exigem que o aluno analise mapas e gráficos, para associar os dados apresentados à circulação atmosférica e aos impactos socioeconômicos.
*Estagiária sob supervisão
