IPCA-15 sobe 0,89% em abril, abaixo das expectativas, com pressão de alimentos e combustíveis

IPCA-15

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou alta de 0,89% em abril de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. No acumulado de 12 meses, o indicador avançou 4,37%.

O resultado ficou abaixo das projeções do mercado, que apontavam alta de 1,00% no mês e 4,48% no acumulado anual, segundo levantamento da Reuters.

Apesar da leitura mais moderada, a composição do índice mostra que a inflação segue concentrada em itens sensíveis ao consumo das famílias, com destaque para alimentos e combustíveis.

IPCA-15: alimentos lideram alta da inflação em abril

O grupo Alimentação e Bebidas apresentou a maior variação no período, com alta de 1,46%, respondendo pelo principal impacto no índice geral, de 0,31 ponto percentual.

A alimentação no domicílio acelerou de 1,10% em março para 1,77% em abril, refletindo aumentos relevantes em produtos básicos. Entre os principais destaques estão:

  • Cenoura: +25,43%;
  • Cebola: +16,54%;
  • Leite longa vida: +16,33%;
  • Tomate: +13,76%;
  • Carnes: +1,14%.

Já a alimentação fora do domicílio também registrou aceleração, passando de 0,35% para 0,70%, com alta tanto nos preços de lanches quanto de refeições.

Combustíveis impulsionam grupo de transportes

O grupo Transportes teve a segunda maior contribuição para o índice, com alta de 1,34% e impacto de 0,27 ponto percentual.

O movimento foi puxado pelos combustíveis, que saíram de uma leve queda de 0,03% em março para uma alta expressiva de 6,06% em abril.

A gasolina teve papel central nesse avanço, com aumento de 6,23%, configurando o maior impacto individual no índice do mês, ao adicionar 0,32 ponto percentual ao IPCA-15.

Saúde e energia também pressionam o índice

O grupo Saúde e Cuidados Pessoais registrou alta de 0,93%, com impacto de 0,13 ponto percentual, refletindo reajustes em produtos farmacêuticos e itens de higiene pessoal.

Os medicamentos avançaram 1,16% após a autorização de reajuste de até 3,81% nos preços, em vigor desde 1º de abril. Já os planos de saúde tiveram alta de 0,49%.

No grupo Habitação, a inflação acelerou de 0,24% em março para 0,42% em abril, com destaque para a energia elétrica residencial, que subiu 0,68% no período. O movimento reflete reajustes tarifários aplicados por concessionárias, especialmente no Rio de Janeiro.

IPCA-15 abaixo do esperado, mas com pressão disseminada

Embora o IPCA-15 de abril tenha vindo abaixo das expectativas, a leitura qualitativa do índice indica manutenção de pressões relevantes.

A inflação segue sendo impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo:

  • Alta de alimentos in natura, com forte volatilidade;
  • Reajustes de preços administrados, como energia e medicamentos;
  • Retomada da pressão dos combustíveis.

Esse cenário mantém o desafio para a política monetária, diante de um ambiente em que a inflação não se dissemina de forma uniforme, mas permanece concentrada em itens essenciais, com impacto direto sobre o orçamento das famílias.

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