Três anos de uma lição sobre confiança e liderança feminina

Momento em que me licencieu para o procedimento, em 28 de abril de 2023, dando posse provisória no cargo à sua vice, Rita Bergamasco Ivair Oliveira

Existem datas que o calendário não apenas marca, mas tatua na nossa trajetória. Hoje, 28 de abril de 2026, completo exatamente três anos de um dos momentos mais decisivos da minha vida: o dia em que precisei parar para que meu coração pudesse continuar batendo. Mas, para além da mesa de cirurgia, aquela experiência me deu uma das maiores lições de gestão pública que eu poderia receber: a de que nenhum líder é uma ilha, e que a confiança é o oxigênio de qualquer administração.

Naquele 2023, enquanto os médicos preparavam o bypass para garantir que meu fluxo vital fosse restabelecido, eu vivenciava, na prática, um bypass administrativo em Jaguariúna. Ao transmitir o cargo para a minha vice-prefeita, Rita de Cássia Siste Bergamasco, entendi que a saúde de uma cidade não depende de um único batimento, mas de um sistema circulatório eficiente e resiliente.

A Gestão como um Organismo Vivo

Na medicina, se uma artéria obstrui, o corpo precisa de novos caminhos para o sangue fluir. Na gestão pública, o princípio é o mesmo. Muitas lideranças pecam pelo excesso de centralização, criando “tromboses” decisórias que impedem a máquina pública de avançar.

Acreditar nas pessoas e, acima de tudo, valorizar o trabalho em equipe é garantir que a pressão do dia a dia seja distribuída. Quando deleguei a chefia do Executivo à Rita — a primeira mulher a assumir a prefeitura na história de Jaguariúna —, eu não estava apenas cumprindo um rito legal. Estava atestando a qualidade do nosso “exame clínico” de equipe. Sabia que o ritmo cardíaco de Jaguariúna estaria em mãos precisas, sensíveis e extremamente competentes.

O Protagonismo Feminino na pulsação da Cidade

Ter mulheres na gestão não é uma questão de cota, é uma questão de eficiência. A liderança feminina traz uma capacidade de olhar para o micro sem perder o macro, um “estetoscópio” social que percebe nuances que muitas vezes escapam ao olhar masculino. Rita de Cássia não apenas manteve a cidade funcionando; ela imprimiu um cuidado e uma firmeza que mostraram que a sucessão bem-feita é o melhor remédio contra a instabilidade política.

Vida Pós-Recuperação: Novos Ritmos

Hoje, três anos depois, minha recuperação é plena. O ritmo agora é outro: como Vice-Presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), levo essas lições para o cenário nacional. Aprendi que:

Delegar é um ato de saúde: quem não confia na equipe, adoece sozinho. Fé e família são os nutrientes essenciais: sem eles, a imunidade política e pessoal baixa.

A vida é uma constante surpresa: é preciso estar com o check-up da gestão em dia para quando os imprevistos chegarem.

Trabalhar é vital, mas cuidar-se é o que nos permite continuar trabalhando. Que possamos liderar cidades e empresas como quem cuida de um coração: com atenção aos sinais, valorizando cada célula da equipe e entendendo que, quando todos trabalham em sintonia, o resultado é uma vida e uma gestão longa e saudável.

 

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