
Família pede justiça em julgamento de acusado de matar ex na frente da filha em Rio Branco
O julgamento de Jairton Silveira Bezerra, de 46 anos, acusado de assassinar a ex-companheira Paula Gomes da Costa, de 33 anos, em outubro de 2024, começa nesta terça-feira (28), na Cidade da Justiça, em Rio Branco.
Do lado de fora e dentro do fórum, a expectativa é marcada pela mobilização da família da vítima que, com cartazes, cobra justiça e relembra a violência do crime, ocorrido em via pública e a frente da filha do casal, de apenas 6 anos na época.
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Parentes e amigos acompanham o júri popular, que havia sido adiado na última sexta-feira (24). A nova data foi definida pelo juiz Alesson Braz, da 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar da capital acreana.
Durante a sessão, devem ser ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu. O g1 não conseguiu contato com a defesa.
Com cartazes, familiares de Paula Gomes da Costa cobram por justiça pelo assassinato dela
Pâmela Celina/g1 AC
Em meio à espera pela decisão, a dor da família se mistura ao desejo por uma condenação.
“Nada vai tirar a dor que a gente está sentindo, mas que corra tudo certo para a condenação. A minha irmã era uma pessoa muito querida na família, era de casa para o trabalho, do trabalho para casa. A saudade vem e fica um buraco, ainda mais quando eu olho para a filha dela que escreve o nome da mãe dela por todo o quarto da minha mãe. A gente não queria estar aqui agora e que isso não tivesse acontecendo. Está sendo um pesadelo muito grande”, disse Cristina Silva, irmã de Paula
“Justiça, primeiramente eu quero a justiça de Deus, e segundo a dos homens, porque o que Ele fez, eu quero justiça. Ele não acabou só com a vida da minha filha, acabou com a minha também […] eu vivo agora pela Valentina, e pela [memória da] Paula também. Que a justiça seja feita”, complementou Maria Eliane Gomes, mãe de Paula.
Cristina Silva e Maria Eliane Gomes, irmã e mãe de Paula Gomes, assassinada a facadas em Rio Branco
Pâmela Celina/g1 AC
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De acordo com a denúncia, Jairton matou Paula a facadas no dia 27 de outubro de 2024, no bairro Alto Alegre, em Rio Branco, após não aceitar o fim do relacionamento.
O réu foi pronunciado para responder por homicídio simples, classificado como feminicídio, com qualificadoras por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ter sido cometido na presença de descendente e em contexto de violência doméstica.
Investigações apontam que Paula já havia sido agredida anteriormente e possuía medida protetiva contra o ex-companheiro, que teria sido descumprida.
Jairton Silveira Bezerra é suspeito de matar a ex-mulher na frente da filha e do pai no Acre
Arquivo pessoal
Andamento do processo
A Justiça do Acre aceitou a denúncia do Ministério Público em janeiro de 2025, tornando Jairton réu. Em junho do mesmo ano, o juiz responsável decidiu levá-lo a júri popular, por entender que havia indícios suficientes de autoria e materialidade do crime.
Ao longo do processo, a defesa tentou alterar a tipificação do crime e retirar a qualificadora de feminicídio, mas os pedidos foram negados. Também foram rejeitadas solicitações para que o acusado respondesse em liberdade.
Uma decisão de fevereiro deste ano autorizou a oitiva de testemunhas indicadas pelas partes, inclusive com depoimento remoto de uma delas. O magistrado também permitiu a inclusão de um relatório de acompanhamento psicológico da filha da vítima e de um vídeo anexado aos autos. Por outro lado, negou o pedido de quebra de sigilo telefônico feito pela assistência de acusação.
Paula Gomes da Silva tinha 33 anos e era funcionária de uma clínica odontológica
Reprodução/Instagram
Feminicídio
Paula foi brutalmente esfaqueada na frente da filha de 6 anos em via pública de Rio Branco. Em janeiro do ano passado, a Justiça recebeu denúncia do Ministério Público do Acre (MP-AC) e, com isso, ele virou réu no processo.
Jairton, que era gerente em uma loja de tintas da capital acreana, fugiu após o crime. Ele foi casado com Paula por 13 anos e já tinha agredido a vítima em outras ocasiões, o que fez com ela tivesse conseguido uma medida protetiva contra ele.
O acusado se entregou à polícia no dia 6 de novembro na Delegacia de Flagrantes (Defla), em Rio Branco, 10 dias após o crime. Logo em seguida, foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para prestar depoimento.
Ele teve um pedido de liberdade ou substituição de prisão por medidas cautelares negado em dezembro de 2024. No início de abril de 2025, teve negado outro pedido de benefício da Justiça gratuita e exclusão no processo da agravante de que o crime foi cometido na frente da filha do casal.
No pedido, a defesa alegou à época, a ausência dos requisitos legais para manutenção da prisão. O suspeito também utilizou a filha como argumento, mesmo sendo apontado como o culpado por tirar a vida da mãe dela e fazer com que testemunhasse o crime.
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