Defesa diz que ex-presidente do BRB pode fazer delação premiada

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB)Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

A defesa do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso durante a Operação Compliance Zero, disse que ele pretende colaborar com as investigações mediante uma possível delação premiada. Em um pedido enviado pelos advogados ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), afirma-se que Costa demonstrou interesse de colaboração com as autoridades. 

Além disso, no documento, a defesa solicita ao STF a transferência do ex-presidente do BRB do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para um outro local que garanta o sigilo das conversas entre o cliente e a defesa. 

Prisão

No dia 16 de abril, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso pela Polícia Federal (PF) durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Paulo Henrique é investigado sob suspeita de permitir operações sem lastro com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e foi afastado do cargo na primeira fase da operação.

A investigação aponta ainda que ele teria recebido vantagens avaliadas em R$ 146,5 milhões em imóveis de luxo em São Paulo e no Distrito Federal. Até agora, os investigadores identificaram pagamentos de mais de R$ 74 milhões ligados a esses imóveis, que fariam parte de um suposto “cronograma pessoal” de Paulo Henrique. 

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Operação Compliance Zero

A ação da Polícia Federal teve início em novembro de 2025 para investigação de emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras, com foco em gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.

À época, foram executadas sete prisões, sendo cinco preventivas e duas temporárias, e cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. Nessa etapa, a operação teve como principal alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que foi preso ao tentar sair do Brasil. 

Em janeiro de 2026, a segunda fase da Compliance cumpriu 42 mandados de busca em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, tendo novamente como alvo Vorcaro e parentes. Além disso, o STF autorizou bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. 

Na terceira fase, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, autorizados pelo ministro do STF, André Mendonça. Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi preso novamente, além de outros alvos como Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, e funcionários do Banco Central.

Caso Banco Master

O colapso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, abriu uma série de investigações da Polícia Federal e intensificou embates entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Cerca de 800 mil clientes aguardam o reembolso de investimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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