Com média de 23 por dia, notificações de acidentes de trabalho atingem recorde na região de Campinas


Região de Campinas registra 8.300 acidentes de trabalho em 2025, recorde histórico
A região de Campinas (SP) registrou em 2025 o maior número de notificações de acidentes de trabalho da série histórica, com 8.348 casos — média de 23 por dia, segundo dados do Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador (Cerest).
A série histórica teve início em 2014, quando foram registradas 664 notificações. Desde então, o número nunca havia ultrapassado o patamar de 2025 – confira abaixo.
O levantamento inclui as cidades de Campinas, Americana, Artur Nogueira, Cosmópolis, Hortolândia, Nova Odessa, Paulínia, Sumaré e Valinhos, que são atendidas pelo Cerest.
Segundo o órgão, o aumento nas notificações está relacionado, entre outros fatores, a mudanças nos critérios de registro dos acidentes e a uma maior identificação dos casos pelos serviços de saúde.
📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp

Depois de um período de queda entre 2017 e 2020, quando os registros chegaram ao menor número (245 notificações em 2020), os dados voltaram a crescer a partir de 2021 e avançaram de forma contínua até alcançar o recorde no ano passado.
Em 2026, até o momento, foram contabilizadas 874 notificações.
Acidentes mais frequentes
Os diagnósticos mais comuns entre as notificações registradas em 2025 envolvem, principalmente, ferimentos e quedas. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), os casos mais frequentes registrados foram:
Ferimentos envolvendo múltiplas regiões do corpo: 43 registros
Queda em ou de escadas ou degraus: 42
Traumatismo superficial do abdome, do dorso e da pelve: 39
Corpo estranho na parte externa do olho: 38
Motociclista traumatizado em acidente de transporte sem colisão: 38
Entre as atividades econômicas com mais notificações de acidentes de trabalho em 2025 estão:
Ignorado: 3.422
Restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação: 219 notificações
Transporte rodoviário de carga: 203
Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, como hiper e supermercados: 197
Construção de edifícios: 156
Obras de acabamento: 119
“A gente tem um aumento no número dos casos de notificação em decorrência de uma maior sensibilização dos profissionais de saúde, identificando os acidentes e doenças relacionadas ao trabalho”, afirmou Christiane Sartori, coordenadora de Saúde do Trabalhador e de Determinantes Ambientais da Saúde.
Segundo ela, esse movimento ganhou força após a pandemia. “Com a pandemia, a gente também tem uma maior sensibilidade dessas pessoas, tanto do trabalhador identificando o seu adoecimento, como também das empresas”, disse.
Sartori explicou ainda que uma mudança adotada pelo Ministério da Saúde em 2019 ampliou o que passou a ser considerado acidente de trabalho nas notificações oficiais e os registros passaram a incluir todos os acidentes, desde casos leves até os mais graves.
A coordenadora reforçou que a legislação atribui às empresas o dever de garantir condições seguras de trabalho, e que, após um acidente, o esperado é que as empresas revejam procedimentos para evitar novos casos.
“É um momento da empresa olhar seu processo, rever a organização do trabalho e fazer as correções necessárias. Só que, infelizmente, nas inspeções, a nossa equipe técnica percebe que ainda tem muitas empresas que não fazem essas modificações nos seus ambientes”, afirmou.
Para Sartori, a redução dos acidentes depende de ações conjuntas. “O trabalhador não quer se acidentar e a empresa também não. Então, a gente precisa juntar esses esforços, a empresa fazendo o papel dela e o trabalhador também”, avaliou.
Imagem de arquivo mostra trabalhador com pá.
Reprodução/EPTV
VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Adicionar aos favoritos o Link permanente.