El Niño entra em alerta com onda de calor marinha inédita

Aquecimento no Oceano Pacífico se espalha por milhares de quilômetrosNOAA

Uma onda de calor marinha muito forte atinge o Oceano Pacífico desde a segunda metade de 2025 e acendeu um alerta entre meteorologistas e especialistas em clima em março de 2026. Isso porque o fenômeno pode indicar a chegada de um novo episódio de El Niño.

O aquecimento se espalha por milhares de quilômetros, desde a costa da Califórnia, nos EUA, e do México até áreas do Pacífico tropical.

Segundo centros de pesquisa e órgãos de monitoramento dos Estados Unidos, esse aquecimento está ligado a mudanças nos ventos e na circulação do oceano, um padrão que costuma aparecer antes do El Niño.

Até setembro de 2025, essa onda de calor já se aproximava, em tamanho e força, do fenômeno conhecido como “The Blob” (“A Bolha”), que aconteceu entre 2013 e 2016 no mesmo oceano. Em 09 de setembro de 2025, a parte nordeste do Pacífico registrou a maior temperatura média já medida: 20,6°C. O número ficou quase meio grau acima de qualquer recorde anterior.

Ao contrário de outros episódios parecidos, que costumam perder força e se afastar da costa entre outubro e novembro, desta vez o calor voltou a aumentar depois desse período.

O aquecimento não está só na superfície. Pesquisas mostram que o calor também está armazenado em áreas mais profundas do oceano, o que pode fazer o fenômeno durar mais tempo, segundo a MetSul Meteorologia. Cientistas também registram novos recordes de temperatura quase todos os dias, em alguns casos em medições feitas há mais de 100 anos.

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Cientistas acompanham cenário incomum

Andrew Leising, pesquisador da NOAA, afirmou que a situação está sendo monitorada de perto e que, embora existam ferramentas de previsão, os cientistas acompanham com atenção os possíveis impactos no ecossistema marinho.

Leising também destacou os efeitos na vida marinha e afirmou que as ondas de calor no oceano alteram o ecossistema, afetando peixes e outros animais, além de exigir atenção ao que pescadores e outras pessoas no mar têm observado.

A água muito quente já está causando mudanças no mar na costa da Califórnia. Cientistas observaram aumento na morte de aves marinhas por fome, porque os peixes que servem de alimento fogem ou diminuem em águas muito quentes.

Algo parecido aconteceu durante o “The Blob”, mas o fenômeno atual pode ser ainda mais forte.

No outono de 2025, grandes quantidades de atum foram pescadas no Alasca, nos EUA, onde esse peixe não costuma aparecer com frequência. Também houve aumento de algas tóxicas no sul da Califórnia. Isso causou a morte de centenas de leões-marinhos, golfinhos e aves marinhas, além do fechamento da pesca de mariscos.

Michael Jacox, pesquisador da NOAA, reforçou que o cenário atual é incomum e ainda pouco conhecido, o que exige análise constante para entender os desdobramentos mais prováveis, já que é o próprio ecossistema marinho que acaba mostrando os rumos dessas mudanças.

Possíveis reflexos no Brasil

O alerta preocupa porque episódios fortes de El Niño costumam mudar o clima em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, segundo a MetSul Meteorologia.

No Sul, o fenômeno geralmente traz mais chuva que o normal, além de aumentar o risco de temporais, enchentes e outros eventos extremos.

Já no Norte e Nordeste, a tendência costuma ser de menos chuva, o que pode provocar seca, calor intenso e piorar as queimadas.

O que dizem as previsões

Segundo um relatório de abril de 2026, 27% dos oceanos do planeta estam sob onda de calor. A previsão é que esse número suba para cerca de 40% até setembro.

No Pacífico tropical leste, a chance de a onda de calor continuar nos próximos meses varia de 80% a 100%.

Já outro boletim climático aponta que as condições neutras, quando não há El Niño nem La Niña, devem continuar até junho, com 80% de chance.

Entre maio e julho, porém, o El Niño pode se formar, com 61% de chance, e seguir pelo menos até o fim de 2026. Há ainda 25% de chance de ele ser muito forte, com aquecimento de 2°C acima do normal na região central do Pacífico.

Segundo os cientistas, isso vai depender da continuidade de ventos fora do padrão no oceano durante o verão no hemisfério Norte.

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