
Operação apreende R$ 4,4 milhões com funcionários da Receita Federal
Agentes encontraram cerca de R$ 2 milhões em dinheiro escondidos dentro de um piano na casa de uma auditora fiscal, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
A quantia foi localizada durante a Operação Mare Liberum, realizada nesta terça-feira (28). Ao todo, quase R$ 4,5 milhões foram apreendidos em endereços de funcionários da Receita Federal.
Segundo as investigações, os servidores recebiam propina para facilitar a entrada de mercadorias no Porto do Rio.
A Justiça afastou 18 auditores e 7 analistas tributários. As investigações apontam que os servidores federais se aliaram a empresários e despachantes para transformar o Porto do Rio na base de uma organização criminosa.
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“A atividade de comércio exterior é essencial para o estado brasileiro, pra economia brasileira. O controle aduaneiro protege o Brasil da entrada de mercadorias subfaturadas, de armas, de drogas, e tudo aquilo que pode entrar sem o devido pagamento de imposto de uma maneira nociva pra economia brasileira. Quem acaba pagando é a sociedade, como um todo”, explica o corregedor da Receita Federal, Guilherme Bibiani.
A ação integrada entre Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal cumpriu 45 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio, Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo e Vitória, no Espírito Santo.
As buscas resultaram em apreensões consideradas expressivas. Além do dinheiro escondido no piano, outro auditor, em Niterói, tinha US$ 358 mil , e mais US$ 200 mil foram apreendidos em um terceiro endereço.
Cerca de R$ 2 milhões foram achados dentro de piano na casa de auditora fiscal
Reprodução/TV Globo
Com um despachante, a polícia apreendeu ainda 54 garrafas de vinho, avaliadas em cerca de R$ 700 cada. Um analista foi preso em flagrante com uma arma sem registro dentro de casa.
A investigação começou a partir de uma denúncia e já é considerada a maior da história da Corregedoria da Receita.
Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia a liberação irregular de contêineres com mercadorias que, muitas vezes, eram diferentes das declaradas à Receita no momento da importação.
A prática, de acordo com os investigadores, envolvia fraudes e pagamento de propina para reduzir o valor de impostos pagos pelas empresas.
“Foram 17 mil declarações de importação no período, que vem lá de meados de 2021 até o início deste ano. Todos esses registros vão ser revistos pela aduana brasileira”, disse o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.
Outro auditor, em Niterói, tinha US$ 358 mil
Reprodução/TV Globo
A investigação estima um prejuízo de cerca de R$ 500 milhões aos cofres públicos. Nove despachantes foram proibidos de atuar no Porto do Rio, e a Justiça determinou o sequestro de R$ 102 milhões em bens dos investigados.
Um dos alvos da operação foi o auditor Pedro Antônio Pereira Thiago, ex-delegado da Receita no porto.
De acordo com a Receita, um dos núcleos do esquema permitia a entrada de equipamentos do setor de óleo e gás sem o pagamento de impostos.
As alfândegas do Aeroporto Internacional do Galeão e a superintendência da Receita no Rio também foram alvo de buscas. O órgão informou que a operação não impacta as atividades de comércio internacional no estado.
“Nó estamos reforçando a equipe do Porto do Rio de Janeiro com servidores de fora. Nós vamos alocar 50 servidores para ajudar não só no presente, mas também na revisão do passado”, disse Robinson Barreirinhas.
Os investigados podem responder por crimes como estelionato, corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho, sonegação e lavagem de dinheiro.
Operação no Porto do Rio
Reprodução/TV Globo
O que dizem as autoridades
A Autoridade Portuária do Rio informou que não é alvo da investigação e não tem qualquer relação com os fatos apurados.
Disse ainda que, apesar da operação, os trabalhos na Zona Portuária continuam.
Já o Sindicato dos Auditores da Receita diz que é importante uma apuração rigorosa dos fatos, com direito a ampla defesa dos acusados.
O RJ2 não conseguiu contato com a defesa do auditor Pedro Antônio Pereira Thiago.
