
Mayk Steve Richter Nobre, ex-diretor da Penitenciária do Distrito Federal IV, virou réu por assédio sexual e moral contra uma policial penal subordinada.
Redes Sociais/Reprodução
Em nota enviada ao g1 na manhã desta quarta-feira (29), a defesa do ex-diretor da Papuda Mayk Steve Richter Nobre — réu por assediar uma policial penal e humilhá-la no trabalho, no Distrito Federal — negou a acusação de assédio e disse que sua inocência “será reconhecida”.
➡️ Mayk Steve foi denunciado pelo Ministério Público e virou réu na Justiça em março. Ele teria feito investidas sexuais, pedido fotos íntimas e humilhado uma subordinada. O caso tramita em sigilo para preservar a identidade da vítima.
Em depoimento na delegacia, Mayk já “admitiu o pedido da fotografia e o teor das conversas, inclusive o relato de excitação fisiológica”, segundo documentos do MP obtidos pelo g1.
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A defesa de Mayk é realizada pelo escritório de advocacia Sérgio Fonseca e Flávio Fonseca. Veja na íntegra o que a defesa diz:
“A defesa de MAYK STEVE RICHTER NOBRE vem a público esclarecer que as informações recentemente divulgadas não refletem a realidade dos fatos. Em respeito ao segredo de justiça que recai sobre o caso, não é possível prestar maiores esclarecimentos neste momento, sob pena de violação de normas legais. Todavia, a defesa reafirma que confia plenamente no regular andamento do processo e na atuação das instituições competentes, estando segura de que a verdade será devidamente apurada. Por fim, reitera-se o compromisso com a legalidade, com o direito de defesa e com o devido processo legal, confiando que, ao final, será reconhecida a inocência do Sr. Mayk Steve Richter Nobre”.
O Ministério Público do DF enquadrou o caso nos crimes de assédio sexual e constrangimento ilegal com intimidação sistemática. O órgão também pediu à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais.
O g1 apurou que Mayk Steve Richter Nobre foi exonerado do cargo de diretor da Penitenciária IV em 16 de janeiro deste ano.
O que diz a denúncia do MP
Conversas apresentadas pelo Ministério Público mostram mensagens atribuídas ao ex-diretor da unidade com conteúdo de cunho sexual e respostas da vítima recusando as investidas.
Reprodução
A denúncia destaca que o acusado teria se valido da condição de superior hierárquico para praticar as condutas e que a vítima estava diretamente subordinada a ele à época dos fatos.
De acordo com o Ministério Público, os episódios ocorreram entre junho e dezembro de 2025.
As investidas teriam começado quando o investigado, sem consentimento, massageou os ombros da vítima.
Em uma conversa posterior, ele relembrou o episódio e afirmou que ficou sexualmente excitado (veja o print acima).
Em outra ocasião, após a vítima publicar uma foto com uma taça de vinho, o então diretor perguntou se ela já havia tomado banho.
Diante da resposta negativa, disse: “então toma banho e me manda foto para me ajudar numa coisinha aqui” (veja abaixo).
Prints de conversas incluídos na denúncia mostram mensagens em que o então diretor faz comentários de teor íntimo e pede fotos à vítima, que responde pedindo que ele pare.
Reprodução
O MP afirma que, mesmo após várias negativas, o acusado insistiu nas investidas. Nas mensagens, a vítima responde: “Para com isso”, “Pelo amor de Deus, homem” e questiona: “Por que você tá agindo assim comigo? Eu nunca dei em cima de você”.
Também consta na denúncia que o ex-diretor enviou uma imagem íntima e pediu que a vítima fizesse o mesmo.
Ex-diretor da Papuda enviou foto íntima para a vítima.
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Humilhações e perseguição
Após a rejeição, o comportamento teria evoluído para episódios de constrangimento no trabalho. Segundo o MP, o então diretor passou a adotar condutas de intimidação, com gritos, cobranças públicas e ameaças administrativas.
Segundo a denúncia, o acusado também criava obstáculos para que a vítima fizesse plantões de interesse e tentou impedi-la de usufruir da folga de aniversário, ameaçando dar “falta” caso não comparecesse.
De acordo com o Ministério Público, as atitudes configuram não só assédio sexual, mas também assédio moral, com prejuízos à saúde emocional e ao ambiente de trabalho da servidora.
O documento aponta ainda que a situação gerou boatos no ambiente de trabalho que prejudicaram a reputação da vítima, incluindo comentários de que ela seria “amante” do diretor.
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O que diz a Seape
“A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) informa que, até a presente data, não foi formalmente comunicada pelo Poder Judiciário acerca do recebimento de denúncia envolvendo o referido servidor. Não obstante, tão logo teve conhecimento dos fatos consignados em ocorrência registrada em dezembro do ano passado, a Seape promoveu, em caráter preventivo, o afastamento do servidor de suas funções e instaurou procedimento administrativo com a finalidade de apurar as alegações apresentadas pelas partes. O processo administrativo segue em curso, sob sigilo.”
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