“Eu deveria estar lá”: relato expõe erros no Titan

OceanGateTwitter/@OceanGate – 21.12.2023

Quase três anos após o desastre do submarino Titan, Christine Dawood decidiu falar publicamente pela primeira vez sobre a perda do marido, Shahzada Dawood, e do filho Suleman Dawood, de apenas 19 anos, mortos na implosão do submersível durante uma expedição aos destroços do Titanic em junho de 2023. As informações são do The Guardian.

Christine relembrou os últimos momentos com os dois e descreveu o impacto devastador da tragédia que chocou o mundo.

Na casa da família em Surrey, na Inglaterra, um dos objetos que mais chama atenção continua exposto na sala: uma réplica gigante do Titanic feita de Lego por Suleman. O modelo, com cerca de 1,5 metro de comprimento e mais de 9 mil peças, foi montado pelo jovem poucas semanas antes de morrer.

Expedição ao Titanic terminou em tragédia

No dia 18 de junho de 2023, Shahzada e Suleman embarcaram no Titan ao lado de outras três pessoas para uma viagem de turismo extremo rumo aos destroços do Titanic, localizados a cerca de 3,8 mil metros de profundidade no Atlântico Norte.

Pouco depois do início da descida, o contato com a embarcação foi perdido.

Após quatro dias de buscas intensas e cobertura mundial, autoridades confirmaram que o submarino havia implodido durante a descida, matando instantaneamente todos os ocupantes.

Titan submarinoReprodução

Segundo Christine, sua primeira reação ao descobrir a causa do acidente foi de alívio em meio ao horror.

Ela deveria estar no submarino Titan

Christine revelou que originalmente seria ela quem faria a viagem ao lado do marido.

No entanto, decidiu ceder seu lugar ao filho quando percebeu o quanto Suleman desejava participar da expedição com o pai.

A decisão, segundo ela, foi uma das mais difíceis de processar após a tragédia.

Quanto custou a viagem

A família pagou cerca de US$ 500 mil por dois assentos na expedição, aproximadamente R$ 2,5 milhões na cotação atual.

Christine afirmou que confiou na segurança do passeio porque não encontrou registros de acidentes com submersíveis turísticos e acreditava que a empresa responsável, a OceanGate, era confiável.

Alertas ignorados pela OceanGate

Após a implosão, investigações revelaram que o CEO da OceanGate, Stockton Rush, ignorou diversos alertas de segurança sobre o Titan.

Entre os problemas descobertos posteriormente estavam:

  • Falhas técnicas recorrentes;
  • Mergulhos abortados por defeitos mecânicos;
  • Ruídos explosivos ouvidos em mergulhos anteriores;
  • Ausência de certificação oficial do submersível;
  • Recusa da empresa em submeter o Titan a inspeções independentes.

O relatório final da Guarda Costeira dos EUA concluiu que o desastre era totalmente evitável e foi causado por engenharia inadequada e negligência operacional.

Suleman Dawood, de 19 anos, ao lado do pai, Shahzada, de 48 anosRedes sociais

Quatro dias de esperança e desespero

Christine estava no navio de apoio Polar Prince quando o Titan desapareceu.

Ela relembra que inicialmente foi informada pela tripulação de que a perda de comunicação era “normal” e que não havia motivo para preocupação.

Com o passar das horas, porém, o clima mudou.

Durante a espera angustiante, ela ouviu conversas de tripulantes especulando que os ocupantes poderiam precisar beber condensação das paredes do submersível caso ficassem presos por dias.

Restos mortais chegaram em pequenas caixas

Christine também revelou um dos detalhes mais perturbadores do pós-tragédia: os restos mortais recuperados meses depois do fundo do mar.

Animação recria como seria a implosão sofrida pelo submersível TitanReprodução / TikTok – 22.06.2023

Segundo ela, o que foi entregue à família após testes de DNA veio em duas pequenas caixas.

Trauma e luto seguem presentes

Mesmo após terapia intensiva, Christine afirma que o quarto de Suleman permanece intacto desde o dia da morte do jovem.

Ela conta que ainda sofre com ataques de pânico e momentos de paralisia emocional.

A psicóloga de formação também revelou que está planejando abrir um centro de apoio para pessoas que enfrentam traumas e perdas severas.

Ao refletir sobre Stockton Rush, CEO da OceanGate que também morreu na implosão, Christine diz que escolheu não viver alimentando ódio.

Ela resume sua jornada de luto com uma frase simples, mas poderosa:

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