Dinamarca está instalando ilhas artificiais de energia com um objetivo: abastecer milhões de casas com vento do mar

O projeto dinamarquês de ilhas artificiais de energia

Por que a Dinamarca resolveu construir ilhas artificiais no meio do mar só para capturar vento? A resposta tem número: até 10 milhões de residências poderão ser abastecidas quando esses hubs energéticos entrarem em operação. É o maior projeto de infraestrutura da história dinamarquesa e uma peça-chave para a Europa reduzir sua dependência de combustíveis fósseis.

O que são as ilhas artificiais de energia da Dinamarca?

As ilhas de energia (Energy Islands) são hubs marítimos que reúnem a eletricidade gerada por dezenas de parques eólicos ao redor e a distribuem para vários países simultaneamente. Diferente de um parque eólico tradicional, que envia energia por um único cabo até a costa, essas ilhas funcionam como centrais de distribuição em alto-mar.

O governo dinamarquês aposta que essas estruturas permitirão instalar turbinas mais longe da costa, onde os ventos são mais fortes e constantes. O projeto prevê duas ilhas: uma artificial no Mar do Norte e outra ancorada na ilha de Bornholm, no Mar Báltico.

O projeto dinamarquês de ilhas artificiais de energia
O projeto dinamarquês de ilhas artificiais de energia

Qual a capacidade de geração dessas ilhas energéticas?

Os números impressionam. A ilha do Mar do Norte terá capacidade inicial de 3 a 4 GW, com potencial de expansão para 10 GW. Para se ter uma ideia, muitos parques eólicos offshore atuais operam com apenas 300 a 500 MW. A energia gerada será suficiente para abastecer entre 5 e 10 milhões de residências.

Já o hub de Bornholm, no Mar Báltico, vai gerar 3,8 GW e abastecerá tanto a Dinamarca quanto a Alemanha. Os dois projetos juntos colocam o país escandinavo na vanguarda da energia eólica offshore, tecnologia que a própria Dinamarca inaugurou no mundo em 1991.

Como a energia chega até as casas sem se perder no caminho?

O segredo está na tecnologia de transmissão. A eletricidade gerada pelas turbinas será convertida em corrente contínua de alta tensão (HVDC), um sistema que reduz drasticamente as perdas em longas distâncias. Cabos submarinos levarão essa energia até as redes elétricas de países como Alemanha, Bélgica, Holanda e Reino Unido.

Além de distribuir eletricidade, as ilhas também produzirão hidrogênio verde a partir da energia excedente. Esse combustível limpo poderá abastecer navios, aviões e indústrias pesadas, ampliando o impacto do projeto para muito além da rede elétrica.

Confira os principais destinos da energia gerada pelas ilhas:

  • Dinamarca: abastecimento direto de milhões de residências e indústrias.
  • Alemanha: maior economia da Europa, receberá energia via cabo HVDC de 525 kV.
  • Bélgica e Holanda: integradas ao hub do Mar do Norte por interconexões submarinas.
  • Reino Unido: potencial conexão futura ao North Sea Wind Power Hub.

Por que a Dinamarca decidiu investir bilhões nesse projeto agora?

O gatilho foi geopolítico. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a Europa acelerou a transição energética para cortar a dependência do gás russo. A Dinamarca, que já obtinha quase 49% de sua eletricidade de fontes eólicas, viu a oportunidade de liderar essa virada.

O investimento total passa de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 160 bilhões), com participação do governo dinamarquês e de parceiros privados. As obras devem começar em 2026, e a meta é ter a primeira ilha operando até 2033. O país também se comprometeu a zerar as emissões líquidas de carbono até 2050.

O projeto dinamarquês de ilhas artificiais de energia
O projeto dinamarquês de ilhas artificiais de energia

O projeto enfrenta desafios ambientais ou técnicos?

Sim. Um empreendimento dessa escala não sai do papel sem obstáculos. A construção da ilha artificial no Mar do Norte exigirá o transporte de milhões de toneladas de solo e rochas, o que levanta preocupações sobre o impacto na qualidade da água e nos ecossistemas marinhos.

Do lado técnico, a integração de redes elétricas de diferentes países é complexa. Cada nação tem seus próprios padrões de frequência e regulação. Sincronizar sistemas nacionais em um hub compartilhado exige acordos políticos e investimentos em infraestrutura de conversão. Ainda assim, a avaliação geral é de que os benefícios superam os obstáculos.

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As ilhas artificiais de energia podem inspirar outros países?

A Dinamarca está criando um modelo que pode ser replicado em qualquer região com ventos fortes e constantes no mar. Países como Coreia do Sul, Japão e Reino Unido já estudam projetos semelhantes. A lógica é simples: agrupar a produção e distribuir de forma inteligente reduz custos e aumenta a eficiência.

No fim das contas, as ilhas de energia representam uma mudança de mentalidade. Em vez de cada país construir seu próprio parque eólico isolado, a proposta é compartilhar infraestrutura e acelerar a transição para uma matriz limpa. O Mar do Norte, que já foi cenário de disputas por petróleo, pode se tornar o novo centro da energia renovável na Europa.

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