
O Brasil segue entre os países com maior juro real do mundo. Segundo o Ranking Mundial de Juros Reais, elaborado pela MoneYou em parceria com a Lev Intelligence, o país ocupa a 2ª posição global, com taxa real de 9,33% ao ano no cenário principal do levantamento divulgado em 28 de abril de 2026.
O resultado coloca o Brasil atrás apenas da Rússia, que lidera o ranking com juro real de 9,67% ao ano. Na sequência aparecem México, com 5,09%, África do Sul, com 4,62%, e Indonésia, com 3,31%.
O cálculo considera a taxa de juros de mercado para os próximos 12 meses, descontada da inflação projetada para o mesmo período. No caso brasileiro, o relatório usa como referência a taxa de juros DI de um ano e a inflação esperada de 4,34% para os próximos 12 meses, conforme coleta do relatório Focus do Banco Central.
Ranking mundial de juros reais
Entre os países analisados, a Rússia lidera o ranking, seguida pelo Brasil. O México aparece em terceiro lugar, com juro real de 5,09%, menos de quatro pontos percentuais abaixo do Brasil.
| Posição | País | Juro real |
|---|---|---|
| 1º | Rússia | 9,67% |
| 2º | Brasil | 9,33% |
| 3º | México | 5,09% |
| 4º | África do Sul | 4,62% |
| 5º | Indonésia | 3,31% |
| 6º | Hungria | 3,02% |
| 7º | Colômbia | 2,63% |
| 8º | Polônia | 2,61% |
| 9º | República Tcheca | 2,20% |
| 10º | Índia | 2,19% |
A média geral dos países considerados no ranking é de 1,58%, o que reforça a distância do Brasil em relação à maior parte das economias analisadas.
Juros nominais: Brasil aparece entre as maiores taxas do mundo
Em termos nominais, o Brasil também segue entre os países com as maiores taxas de juros. O ranking mostra o país na 4ª posição, com taxa de 14,50% ao ano, mesmo patamar da Rússia.
A liderança nominal é da Turquia, com 37,00% ao ano, seguida pela Argentina, com 29,00% ao ano. Depois aparecem Rússia e Brasil, ambos com 14,50%, e Colômbia, com 11,25%.
| Posição | País | Taxa nominal |
|---|---|---|
| 1º | Turquia | 37,00% |
| 2º | Argentina | 29,00% |
| 3º | Rússia | 14,50% |
| 4º | Brasil | 14,50% |
| 5º | Colômbia | 11,25% |
Inflação global pressiona juros reais
O levantamento aponta que as perspectivas de inflação foram majoritariamente revisadas para cima nos países analisados. Segundo o relatório, o impacto adicional do conflito entre Irã e Estados Unidos sobre os preços alterou a dinâmica das projeções globais de inflação para os próximos 12 meses.
Esse cenário também reconfigurou posições no ranking, diante de posturas mais conservadoras de autoridades monetárias em meio à incerteza dos eventos internacionais.
Entre 164 países acompanhados no levantamento, 84,15% mantiveram os juros, 4,88% elevaram e 10,98% cortaram suas taxas. No recorte dos 40 países do ranking, 85,00% mantiveram os juros, enquanto 7,50% elevaram e 7,50% cortaram.
O que o juro real elevado significa para o Brasil?
O juro real elevado reforça a atratividade da renda fixa brasileira para investidores, especialmente em comparação com outros mercados emergentes e desenvolvidos. Com remuneração real acima da média global, o Brasil tende a permanecer no radar de investidores que buscam retorno ajustado pela inflação.
Por outro lado, juros reais altos também representam uma condição financeira mais restritiva para a economia. Esse ambiente pode afetar o custo do crédito, o consumo das famílias, os investimentos produtivos e o custo de financiamento da dívida pública.
No caso brasileiro, o desafio permanece em equilibrar o combate à inflação, a credibilidade da política monetária e a necessidade de criar condições para uma retomada mais consistente da atividade econômica.
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