‘Não li as letras miúdas’, diz Musk durante julgamento contra a OpenAI


Elon Musk chega ao tribunal para o julgamento contra a OpenAI.
Godofredo A. Vásquez/AP Photo
O bilionário Elon Musk discutiu com o advogado da OpenAI, criadora do ChatGPT, nesta quinta-feira (30). O empresário entrou com uma ação judicial contra a empresa e seu cofundador, Sam Altman, em 2024, alegando que a organização traiu sua missão original de operar como uma entidade sem fins lucrativos.
Durante o interrogatório, o advogado da OpenAI, William Savitt, pressionou Musk sobre se ele havia lido um documento de termos enviado por Altman em 31 de agosto de 2017, relacionado à transição da OpenAI para uma organização com fins lucrativos sob supervisão.
“Meu depoimento é que eu não li as letras miúdas, apenas a manchete”, afirmou o bilionário, vestindo terno e gravata escuros e uma camisa branca.
A OpenAI afirmou que Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, é movido por uma compulsão de controlar a empresa e estaria ressentido com seu sucesso após deixar o conselho em 2018.
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A empresa também afirmou que ele não priorizou questões de segurança enquanto esteve à frente da OpenAI e que está tentando impulsionar sua própria empresa de inteligência artificial, a xAI — que é uma unidade da SpaceX e está atrás da OpenAI em termos de adoção por usuários.
A OpenAI liderou o uso generalizado de IA com seu chatbot ChatGPT e vem captando bilhões de dólares de investidores para expandir sua capacidade computacional visando uma possível ofrta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) de US$ 1 trilhão.
Musk busca mudanças fundamentais na governança da empresa, além de uma indenização de US$ 150 bilhões.
‘Você me interrompeu’
Em certos momentos, Musk expressou frustração com o interrogatório de Savitt.
“Poucas respostas serão completas, especialmente quando você me interrompe o tempo todo”, disse Musk.
A juíza distrital dos Estados Unidos, Yvonne Gonzalez Rogers, posteriormente advertiu Savitt por não deixar Musk responder a uma pergunta, mas rejeitou as queixas de Musk de que o advogado estava conduzindo o interrogatório.
Musk foi questionado sobre por que não processou a OpenAI antes, bem como sobre como e por que não percebeu que ela se tornaria uma entidade com fins lucrativos.
Savitt apontou repetidamente para e-mails enviados a Musk por outros fundadores da OpenAI, nos quais eles discutiam a possibilidade de a companhia deixar de disponibilizar sua tecnologia ao público em algum momento ou de lucrar com ela.
“Sam Altman e outros me garantiram que a OpenAI continuaria como uma organização sem fins lucrativos”, disse Musk.
Ao ser questionado, Musk também afirmou que sua empresa, a xAI, utilizou a OpenAI para treinar seus próprios modelos, acrescentando: “É prática comum usar outras IAs para validar a sua própria IA.”
Savitt ainda pressionou o bilionário sobre mensagens de texto e e-mails que mostravam que ele, por vezes, expressou abertura à criação de uma entidade com fins lucrativos e que Altman o mantinha informado sobre os investimentos da Microsoft na OpenAI.
Altman eo presidente da OpenAI, Greg Brockman, estiveram presentes no tribunal durante grande parte do depoimento de Musk, observando atentamente. Musk foi dispensado após mais de duas horas de interrogatório, e em seguida, seu principal assessor, Jared Birchall, prestou depoimento.
US$ 150 bilhões em danos
A OpenAI, fundada em 2015, evoluiu de um laboratório de pesquisa sem fins lucrativos no apartamento de Brockman para uma empresa avaliada em mais de US$ 850 bilhões que planeja abrir capital.
Musk busca uma indenização de US$ 150 bilhões da OpenAI e da Microsoft, uma de suas maiores investidoras, com o valor destinado ao braço filantrópico da OpenAI.
Musk também quer que a OpenAI volte a ser uma organização sem fins lucrativos, com a destituição de Altman e Brockman de seus cargos de diretores e a remoção de Altman do conselho. As alegações de Musk incluem quebra de confiança fiduciária e enriquecimento ilícito.
“Não acho que se deva transformar uma organização sem fins lucrativos em uma empresa com fins lucrativos”, disse Musk em resposta às perguntas de Savitt. “Não há nada de errado em ter uma organização com fins lucrativos, você só não pode roubar uma instituição de caridade.”
A OpenAI afirmou ter criado uma entidade com fins lucrativos para poder aceitar investimentos privados que a ajudem a adquirir poder computacional e a remunerar os melhores cientistas.
Musk acusou a OpenAI de abandonar sua missão de desenvolver inteligência artificial para o benefício da humanidade.
Steven Molo, advogado de Musk, argumentou no tribunal que o depoimento de especialistas sobre a capacidade da IA ​​de extinguir a humanidade deveria ser admitido como prova, afirmando: “O risco de extinção é um problema real. Este é um risco real. Todos nós podemos morrer.”
O juiz respondeu : “Acho irônico que seu cliente, apesar desses riscos, esteja criando uma empresa exatamente no mesmo setor”, referindo-se à xAI, empreendimento de IA de Musk, que agora faz parte da SpaceX.
Ela não permitiu o depoimento, dizendo: “Este não é um julgamento sobre os riscos de segurança da inteligência artificial.”
O julgamento começou na segunda-feira e deve durar várias semanas. As próximas testemunhas, depois de Birchall, devem ser Brockman e o especialista em segurança de IA, Stuart Russell.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
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