O massivo projeto logístico do Eurotúnel, concluído em 1994, utilizou potentes máquinas perfuradoras e detém o recorde de possuir a porção submarina mais longa do mundo, atingindo até 75 metros de profundidade sob o leito oceânico. O túnel ferroviário de 50 km uniu fisicamente a ilha da Grã-Bretanha ao continente europeu.
Como as máquinas perfuradoras abriram caminho pelo leito do mar?
A escavação foi realizada por gigantescas Tunnel Boring Machines (TBMs), que pesavam milhares de toneladas. Elas possuíam cabeças de corte rotativas revestidas de carboneto de tungstênio que trituravam a rocha de giz marinho. Ao mesmo tempo em que perfuravam, as máquinas já instalavam os anéis de concreto pré-moldado que formam as paredes do túnel.
O alinhamento exigiu uma precisão matemática absurda, pois as equipes francesa e britânica perfuraram de lados opostos e se encontraram sob o oceano. Registros técnicos da Sociedade Americana de Engenheiros Civis (ASCE) atestam que o erro de alinhamento final no encontro foi de apenas poucos centímetros.

Quais os desafios geológicos de escavar sob o Canal da Mancha?
A rocha escolhida para a escavação foi o calcário argiloso inferior (chalk marl), que é ideal para a perfuração porque é relativamente impermeável à água do mar e estruturalmente estável. No entanto, zonas de fissuras com água pressurizada causaram atrasos e forçaram a engenharia a usar técnicas de vedação química intensiva.
Para entender a escala desse feito em relação à engenharia de transportes global, comparamos a estrutura submarina européia com outros túneis notáveis:
| Fator de Engenharia | Eurotúnel (Canal da Mancha) | Túnel de Seikan (Japão) |
| Porção Submarina | 37,9 quilômetros (A mais longa do mundo) | 23,3 quilômetros |
| Extensão Total | 50,4 quilômetros | 53,8 quilômetros (O mais longo até 2016) |
| Sistema Operacional | Vagões de transporte de veículos e trens de passageiros | Apenas trens convencionais e de alta velocidade |
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O que foi feito com os milhões de toneladas de rocha escavada?
O entulho gerado pelas perfuradoras precisava ser removido rapidamente para não atrasar o avanço das TBMs. Do lado britânico, o material escavado foi transportado por correias rolantes e depositado na costa, criando um aterro artificial de 36 hectares conhecido como Samphire Hoe, que hoje é uma reserva natural popular.
Do lado francês, a rocha escavada foi bombeada como lama e descartada em uma vala protegida atrás do canteiro de obras, demonstrando como megaobras precisam integrar a logística de descarte com o planejamento ambiental.
Para compreender os imensos desafios e a complexidade de se escavar debaixo do mar, selecionamos o conteúdo educativo de O Canal da Engenharia. No vídeo a seguir, eles detalham de forma didática a história, as tecnologias utilizadas e a incrível corrida entre ingleses e franceses durante a construção do Eurotúnel:
Quais os dados de engenharia que sustentam o recorde do Eurotúnel?
A obra foi financiada inteiramente por capital privado, sem subsídios governamentais, uma façanha raríssima para projetos de infraestrutura continental na década de 1980. O complexo consiste em dois túneis principais de tráfego de trens e um túnel de serviço central.
Com base nos registros históricos da engenharia civil moderna, compilamos os indicadores impressionantes da execução desta via transfronteiriça:
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Início das Escavações: Dezembro de 1987.
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Inauguração Oficial: 6 de maio de 1994.
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Volume de Terra Escavada: Mais de 7,5 milhões de metros cúbicos.
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TBMs Utilizadas: 11 máquinas perfuradoras atuando simultaneamente.
Por que a obra é aclamada como a Maravilha do Mundo Moderno?
O Eurotúnel superou a barreira psicológica e geográfica do Canal da Mancha, que por séculos agiu como uma linha de defesa natural para a Inglaterra. A engenharia civil provou que a cooperação internacional poderia superar os limites do mar e do nacionalismo insular.
A travessia ferroviária subterrânea continua a bater recordes de transporte ecológico e eficiência de carga. É um monumento de concreto e aço que não vemos, mas que sustenta silenciosamente o ritmo acelerado da economia e do turismo europeu no século XXI.
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