
Contas ligadas a nove influenciadores digitais alvos de operação por divulgação do ‘jogo do tigrinho’ em Roraima foram tiradas do ar.
Reprodução
Perfis ligados a nove influenciadores digitais alvos da Operação Mantus por participação no esquema do “jogo do tigrinho” foram desativados nesta quinta-feira (30), no Instagram. Juntos, os perfis dos alvos acumulavam mais de 1,4 milhão de seguidores. A investigação aponta que o grupo movimentou R$ 260 milhões em dois anos.
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O g1 teve acesso à lista com 15 contas citadas na investigação por divulgação irregular das plataformas de apostas. Desse total, 14 foram derrubadas. Apenas uma conta ligada à influenciadora Vick Paixão, alvo de busca e apreensão durante a ação da Polícia Civil, permanece ativa.
Foram derrubados os seguintes os perfis dos seguintes influenciadores investigados:
Patrik Adhan: perfil principal com 616 mil seguidores e conta reserva com 13,6 mil);
Raniely Carvalho: perfil principal ‘Portal Raniely Carvalho’, com 173 mil seguidores, conta pessoal com 45,7 mil e conta reserva com 39,8 mil;
Adrielly Araújo: conta principal com 148 mil e conta específica para divulgar jogos de azar, 18,3 mil;
Laís Ramos: conta principal, com 179 mil seguidores;
Victoria Paixão (Vick Paixão): conta reserva com 10,7 mil seguidores;
Amanda Faria: conta principal com 35,3 mil seguidores;
Gildázio Cardoso (Mulherzona): conta principal com 28,9 mil seguidores;
Juliana Lima: conta principal com 27,7 mil seguidores;
Vitória Reis: conta principal com pouco mais de 5 mil seguidores.
O perfil de Dione dos Santos, marido da influenciadora Adrielly Araújo, também continua no ar. O nome dele, não integrava a lista de páginas utilizadas para divulgar os jogos clandestinos. A conta bancária dele era usada pela esposa para dar aparência legal ao dinheiro faturado com a divulgação dos jogos de azar, segundo a investigação.
As contas ligadas ao empresário Ruissian Braga, que chegou a ser preso por posse irregular de munições após cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa e na loja de carros dele, permaneceram ativas.
A operação Mantus ocorreu na segunda-feira (27) em Boa Vista e em Goiás. Os policiais prenderam oito pessoas e cumpriram mandados de busca e apreensão contra outras três. Os suspeitos respondem por estelionato, lavagem de dinheiro e crimes contra o consumidor.
Contas ‘demo’ e vida de luxo
A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) conduz o caso. De acordo com os investigadores, o grupo utilizava contas de demonstração, programadas para sempre vencer. A tática criava a falsa ilusão de lucros fáceis.
Para atrair vítimas, os suspeitos exibiam viagens internacionais, carros importados e procedimentos estéticos caros na internet. Os destinos incluíam locais como Dubai, Maldivas, China e Ibiza. A Polícia Civil relata que a estratégia visava transmitir a ideia de enriquecimento rápido.
As plataformas clandestinas operam sem registro na Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Elas pagavam os influenciadores de três formas. O repasse ocorria pelo acesso aos links, pelos depósitos das vítimas ou pelas perdas dos seguidores. Um valor fixo por postagem também compunha a renda dos investigados.
Lavagem de dinheiro
Após lucrar com as fraudes, os suspeitos ocultavam os bens por meio de empresas ou de terceiros. A influenciadora Adrielly Araújo, apontada como a pessoa com maior volume financeiro no esquema, movimentou R$ 144 milhões entre 2023 e 2024. Ela comprou casas e veículos de luxo.
Outro investigado, Patrik Adhan, transferiu um carro de R$ 280 mil para o nome da própria empresa para dificultar o rastreio policial. Já a comunicadora Raniely Carvalho utilizava uma BMW avaliada em R$ 240 mil registrada no nome do empresário Ruissian Braga, dono de uma loja de veículos e também alvo da operação.
Veja reportagem sobre o esquema milionário:
‘Influencers do tigrinho’ alvos da Polícia Civil ostentavam vida de luxo em Roraima
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