O gigantesco e brilhante tanque cilíndrico forrado com 50 mil toneladas de água ultra pura a 1000 metros de profundidade no subsolo de uma montanha japonesa construído para tentar capturar as partículas mais indescritíveis do universo

O gigantesco e brilhante tanque cilíndrico forrado com 50 mil toneladas de água ultra pura a 1000 metros de profundidade no subsolo de uma montanha japonesa construído para tentar capturar as partículas mais indescritíveis do universo

A colossal instalação científica do observatório Super-Kamiokande (Super-K) no Japão é um gigante de aço inoxidável escondido a 1.000 metros de profundidade sob uma montanha. O tanque cilíndrico, forrado com 11 mil válvulas fotomultiplicadoras e 50 mil toneladas de água ultra pura, atua como um olho mecânico para tentar capturar as partículas mais indescritíveis do universo: os neutrinos.

Por que o observatório foi construído a 1.000 metros de profundidade?

Os neutrinos são partículas subatômicas sem carga elétrica e quase sem massa, que atravessam a matéria (incluindo a Terra) aos bilhões a cada segundo sem interagir com ela. Para detectá-los, os cientistas precisam eliminar a interferência dos raios cósmicos que bombardeiam a superfície do planeta.

Ao enterrar o tanque na mina de Mozumi, em Hida, a rocha maciça da montanha atua como um escudo, bloqueando a radiação de fundo. Registros e documentações científicas da Universidade de Tóquio confirmam que apenas os neutrinos conseguem atravessar um quilômetro de rocha sólida e alcançar a água do tanque.

O gigantesco e brilhante tanque cilíndrico forrado com 50 mil toneladas de água ultra pura a 1000 metros de profundidade no subsolo de uma montanha japonesa construído para tentar capturar as partículas mais indescritíveis do universo
(Imagem ilustrativa)Observatório de neutrinos submerso em tanque de água ultra pura a mil metros abaixo do solo japonês

Como as válvulas de luz conseguem “enxergar” partículas invisíveis?

Apesar de atravessarem a água livremente na maioria das vezes, raramente um neutrino colide com o núcleo de um átomo de oxigênio ou hidrogênio na água ultra pura do tanque. Essa colisão cria uma partícula carregada que se move mais rápido que a luz na água, gerando um flash de luz azul sutil chamado de Radiação Cherenkov.

As 11 mil válvulas fotomultiplicadoras douradas, que revestem o interior do tanque como olhos dourados gigantes, amplificam esse flash microscópico para que os computadores possam registrá-lo e analisar de onde o neutrino veio, seja do sol, de supernovas ou da atmosfera.

Qual a importância da água “ultra pura” no tanque do Super-K?

A água usada no tanque é filtrada continuamente para remover minerais, bactérias e até oxigênio dissolvido. Essa pureza extrema é necessária para que a luz azul da Radiação Cherenkov não seja absorvida ou espalhada antes de chegar aos sensores nas paredes.

Para demonstrar o rigoroso controle laboratorial da instalação japonesa, compare as qualidades do fluido interno com a água que conhecemos:

Característica da Água Água Ultra Pura (Super-K) Água Potável Comum
Condutividade Elétrica Praticamente zero (sem íons dissolvidos) Alta (presença de sais minerais)
Transparência à Luz Altíssima (luz viaja dezenas de metros sem perda) Média a Baixa
Ação Química Agressiva (tende a dissolver metais e plásticos) Neutra (segura para materiais)

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O que a descoberta da oscilação de neutrinos mudou na física?

Os dados gerados pelo Super-Kamiokande provaram que os neutrinos mudam de “sabor” (tipo) enquanto viajam pelo espaço. Essa descoberta, conhecida como oscilação de neutrinos, rendeu o Prêmio Nobel de Física em 2015 a Takaaki Kajita.

A implicação mais revolucionária dessa prova é que os neutrinos possuem massa, algo que o Modelo Padrão da física de partículas anterior considerava impossível. Isso abriu novos caminhos para entender a matéria escura e como o universo evoluiu logo após o Big Bang.

Para mergulhar no fascinante e colossal mundo da física de partículas, destacamos uma reportagem do canal nature video. No vídeo a seguir, a equipe desce a milhares de metros de profundidade em uma montanha japonesa para mostrar o Super-Kamiokande, um gigantesco tanque de água usado para detectar partículas elementares:

Como os cientistas realizam a manutenção desse tanque colossal?

Como a água ultra pura é agressiva e pode “roubar” minerais de tudo o que toca, as equipes de manutenção navegam em botes de borracha na superfície da água do tanque para inspecionar e trocar as válvulas queimadas, tomando extremo cuidado para não contaminar a piscina com partículas do próprio corpo.

Super-Kamiokande não é apenas uma caverna de pesquisa; é uma catedral da ciência moderna. É a prova de que para enxergar os maiores mistérios do cosmos e as explosões de estrelas distantes, a humanidade precisou construir o seu telescópio mais preciso no lugar mais escuro e profundo da Terra.

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