
O Museu de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, vai devolver um crânio raro de um dinossauro brasileiro.
O fóssil, adquirido pela instituição alemã em 1991, tem sido alvo de uma campanha de restituição do Brasil.
O crânio do dinossauro, indentificado como Irritator challengeri, foi retirado da Chapada do Araripe, no Ceará, há 35 anos.
De acordo com uma lei brasileira aprovada em 1942, os fósseis encontrados no país pertencem ao Brasil, como um tesouro da natureza.
Além disso, desde 1990, as peças só podem ser exportadas com autorização e em parceria com uma instituição científica brasileira.
Não há informações exatas de como e quando o fóssil foi desenterrado, ou quando ele saiu do Brasil. A suspeita é de que tudo ocorreu de maneira ilegal.
A devolução foi confirmada no dia 20 de abril, após uma visita do presidente Lula à Alemanha. A data e o formato da devolução ainda serão definidos.
A peça é considerada um dos crânios mais completos já encontrados entre os espinossaurídeos, e se tornou um símbolo da campanha de pesquisadores brasileiros contra o contrabando de material paleontológico.
A expectativa é que o fóssil seja encaminhado para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, no sul do Ceará, próximo à região de onde ele foi encontrado.
A decisão foi celebrada pela Sociedade Brasileira de Paleontologia, que vê o caso como uma vitória na defesa do patrimônio científico nacional.
A professora paleontóloga brasileira, Aline Ghilardi, que participou da campanha, afirmou que o retorno é um passo importante e simbólico para o Brasil.
Irritator challengeri
Os cientistas que estudaram o crânio do Irritator Challengeri, em 1996, batizaram o gênero de Irritator.
O termo deriva da palavra “irritação” e foi escolhido pelos paleontólogos alemães após eles perceberam que o focinho do fóssil havia sido adulterado por contrabandistas brasileiros.
Já o nome da espécie, challengeri, é uma homenagem ao personagem Professor Challenger, da obra O Mundo Perdido, escrita por Arthur Conan Doyle.

