
A polícia austríaca anunciou neste sábado (02) que prendeu um homem de 39 anos em conexão com uma tentativa de extorsão envolvendo vidros de papinha de bebê adulterados com veneno de rato.
O caso foi revelado no mês passado, quando diversos vidros com raticida foram recolhidos em supermercados na Áustria, República Tcheca e Eslováquia.
A polícia afirmou que o suspeito foi preso no estado de Burgenland, no sul da Áustria.
O Ministério Público confirmou a detenção do suspeito na Áustria. Sua identidade não foi divulgada. A polícia informou que ele está sendo interrogado.
O caso das papinhas envenenadas
No mês passado, autoridades localizaram cinco vidros de papinha de bebê da marca alemã Hipp adulterados em diferentes na Áustria, República Tcheca e Eslováquia. Nesses casos, os vidros foram recolhidos antes de serem consumidos.
O primeiro frasco foi descoberto perto de Eisenstadt, em Burgenland, a província mais oriental da Áustria. Testes iniciais mostraram que o frasco de 190 gramas contendo papinha de cenoura com batata estava contaminado com veneno.
Posteriormente, dois frascos envenenados foram encontrados em uma loja em Brno, na República Tcheca. A imprensa local informou que, segundo a promotoria, ambos os frascos estavam marcados com um adesivo branco e um círculo vermelho.
O alerta das autoridades austríacas também mencionava essa marcação. Frascos contaminados também foram encontrados na cidade de Dunajska Streda, no sul da Eslováquia. Frascos contaminados também foram encontrados na cidade de Dunajska Streda, no sul da Eslováquia.
A polícia da Alemanha também envolveu no caso porque os potes foram fabricados por uma empresa alemã.
Uma busca ainda está em andamento por um sexto pote potencialmente envenenado na Áustria. Segundo a empresa, a linha de produtos alemã não foi afetada.
Todos os frascos afetados tinham tampas danificadas e não faziam o estalo característico ao serem abertos. Como muitos alimentos, a papinha para bebês é envasada quente em frascos e selada com uma tampa de rosca; à medida que esfria, forma-se um vácuo. O estalo ao abrir confirma que o frasco não foi aberto desde o envase. De acordo com a Hipp, as contaminações foram resultado de manipulações “criminosas externas” que devem ter ocorrido fora das instalações da fábrica.
Chantagista teria exigido 2 milhões de euros
Logo após o caso vir à tona, o jornal austríaco Die Presse noticiou que um e-mail havia sido enviado à HiPP em março por um chantagista, que exigiu um pagamento de 2 milhões de euros (R$ xx milhões) em seis dias. No entanto, a empresa só notou o e-mail duas semanas após o prazo imposto pelo chantagista.
Posteriormente, a empresa declarou que o e-mail havia sido enviado para um endereço que não era verificado com frequência. Publicamente, a companhia afirmou que estava sendo “vítima de extorsão”.
A HiPP é uma empresa familiar fundada há mais de 120 anos na Baviera, Alemanha. A sede alemã e a principal unidade de produção da empresa estão localizadas em Pfaffenhofen an der Ilm, na região da Alta Baviera. No entanto, a HiPP Holding AG, empresa controladora, está sediada em Sachseln, Suíça.
Casos semelhantes
Essa não é a primeira vez que papinhas para bebês são adulteradas na Europa. Num caso notório anterior, o chantagista era, na verdade, um policial da Scotland Yard, no Reino Unido. Entre 1988 e 1989, Rodney Whitchelo adulterou papinhas de bebê usando produtos químicos e lâminas de barbear e, em seguida, recolocou os potes nas prateleiras dos supermercados. Ele exigiu 4 milhões de libras (7 milhões de dólares na época) como resgate, mas foi preso e condenado a 17 anos de prisão.
Este e outros casos na década de 1980 levaram à introdução de tampas com lacre de segurança, que permitem aos consumidores verificar se o conteúdo do pote foi adulterado.
Em 2017, vários potes de papinhas para bebês contaminados com anticongelante – cada um com uma dose potencialmente letal – foram descobertos em Friedrichshafen, no sudoeste da Alemanha. O autor do crime tentou extorquir cerca de 12 milhões de euros (R$ 70 milhões atualmente) de uma rede de supermercados. Ele está cumprindo uma pena de 10 anos de prisão.
Novamente no Reino Unido, em 2018, um chantagista tentou extorquir 1,4 milhão de libras em Bitcoin. Ele havia colocado pedaços de metal em vários potes e ameaçado contaminar outros, inclusive com salmonela. Imagens de câmeras de segurança de um supermercado levaram à sua prisão, e ele foi condenado a 14 anos de prisão.
Em 2025, a polícia polonesa prendeu um homem sob a acusação de tentar extorquir dinheiro ameaçando envenenar comida para bebês. No entanto, ainda não há veredicto e nenhum produto contaminado foi encontrado.
Por que os alimentos para bebês são alvo?
Colocar bebês indefesos em perigo para obter resgate provavelmente soa algo particularmente cruel para muitos, o que garante máxima atenção ao criminoso e pressão sobre as empresas para que paguem os valores exigidos. Além disso, alimentos infantis estão disponíveis em inúmeras lojas, oferecendo aos criminosos diversos potenciais pontos de acesso.
No entanto, de modo geral, os alimentos infantis estão sujeitos a um monitoramento relativamente rigoroso, decorrente de regulamentações já bastante estritas, a fim de minimizar os riscos. Os fabricantes restringem o acesso às suas fábricas e, além das embalagens invioláveis já, utilizam números de lote para facilitar o recolhimento de produtos específicos.
Alguns varejistas também reforçam a segurança instalando câmeras – impedindo, assim, que criminosos como os que atuaram no Reino Unido em 2018 coloquem potes contaminados nas prateleiras sem serem detectados.
