O assassino que disse ter vendido carne humana em hambúrgueres

Joe Metheny (também conhecido como ‘Joe the Cannibal’) no início dos 1990Reprodução

Na cidade de Baltimore, na década de 1990, ocorreram assassinatos que chocaram os Estados Unidos, não só pela violência exercida durante os crimes, como também pela confissão do autor do crime, seu nome era Joseph Roy Metheny, mas que depois ficou conhecido como Joe o Canibal.

Joe nasceu em 1954, e a casa onde cresceu foi marcada por ausências. Seu pai morreu quando ele ainda era muito jovem, e sua mãe, para sustentá-lo, trabalhava muito, deixou-o a maioria do tempo com familiares ou sozinho. Quando adulto, tornou-se um homem de grande porte físico maior que 1 metro e 80 e com mais de 200 quilos, seu  apelido na ocasião brincava com a ironia de seu tamanho, Tiny (pequeno).

Ele chegou a servir no exército dos EUA, mas na sua vida civil mergulhou no álcool e drogas pesadas como o crack. A sua cidade, Baltimore, passava por uma epidemia de drogas nos anos 1980, alí ele vivia em uma vida à margem da sociedade. 

Ele morava em um trailer dentro de um depósito de paletes, localizado do lado de uma rodovia, um endereço vazio e longe da cidade, frequentado por prostitutas, moradores de rua e trabalhadores temporários, um lugar que se tornaria o local perfeito para os seus crimes. 

E não pense que isso era tudo de caso pensado, ele não era um daqueles serial killers que pensava em tudo, ele era impulsivo e nada metódico, suas vítimas eram simplesmente escolhidas pela vulnerabilidade ou oportunidade: prostitutas, usuários de drogas, e pessoas em vulnerabilidade social, ele os atraía com promessas simples oferecendo abrigo, dinheiro, comida ou drogas.

Joe atacava suas vítimas com muita selvageria, utilizando da sua força bruta, as executava com facas ou machados. Em algumas vezes desmembrava os corpos e os escondia em áreas próximas de onde morava. 

Durante um tempo ele executou seus crimes sem ser notado, Baltimore era um caldeirão de violência naquela época, pessoas marginalizadas mortas ou desaparecidas eram rotina e não recebiam atenção das autoridades.

Até que, no ano de 1996, Joe cometeu o erro que o levaria para a prisão. 

Ao tentar matar duas pessoas ao mesmo tempo, acabou perdendo o controle da situação e uma das vítimas conseguiu fugir e alertar as autoridades. A polícia logo ligou o caso há alguns desaparecimentos na área e conseguiu identificar o local onde ele morava. Ele foi preso em sua casa sem nenhuma resistência. Foi o fim de sua série de crimes. 

Preso, Metheny passou a confessar uma série de assassinatos, alegando ter feito até 13 vítimas. Em seus relatos, afirmou ter cometido atos ainda mais perturbadores, dizendo que teria desmembrado corpos e misturado carne humana com carne de porco para vender em hambúrgueres.

Apesar do impacto da história, não existe nenhuma prova concreta de que isso tenha acontecido.

Nenhuma investigação encontrou restos humanos ligados à venda de alimentos. Nenhum cliente foi identificado. Nenhuma evidência forense sustentou essa versão. E, talvez mais importante: ele nunca foi acusado ou julgado por qualquer crime relacionado a canibalismo ou comercialização de carne humana.

Ou seja, a história dos hambúrgueres existe e não é mais uma mentira da internet, porém é necessário dizer que ela não foi confirmada, presente apenas dentro da confissão de um assassino cuja credibilidade era questionada. Por exemplo, algumas descrições de seus não batiam com registros reais de desaparecimento que reforça a dúvida sobre a veracidade de parte de seus relatos.. 

Durante o julgamento, a Justiça adotou uma abordagem mais consistente, não se apoiando exclusivamente na alegação de que ele teria feito 13 vítimas. Apenas dois homicídios, os de Kathy Spicer, em 1994, e Donna Toppins, em 1995, apresentaram restos mortais e evidências forenses que ligavam Joe diretamente aos crimes, sendo, por isso, os únicos casos considerados com base probatória suficiente para apreciação pelo júri.

Os demais supostos crimes permaneceram no campo das suspeitas. Embora a polícia da época tenha considerado a possibilidade de um número maior de vítimas plausíveis, especialmente devido a uma série de desaparecimentos registrados na região onde os ataques ocorreram, nenhum outro corpo ou evidência material foi encontrado para confirmar essas alegações.

Metheny foi condenado por homicídio em primeiro grau e sentenciado à morte. Em 2000, a pena foi convertida em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional nos Estados Unidos.

Na prisão, manteve uma postura fria. Demonstrava pouco remorso e, em alguns relatos, parecia confortável com a própria reputação que havia ganhado depois de ser descoberto. Esse comportamento ajudou a alimentar a construção de sua imagem, uma mistura de criminoso real com personagem grotesco e folclórico dos Estados Unidos.

Ele faleceu em 2017, aos 63 anos, por causas naturais, enquanto estava preso.

Mas sua história não morreu com ele. Sobretudo após seu óbito, um assassino desorganizado virou lenda urbana, “O homem que fez carne de hambúrguer com carne humana”. 

A partir dos anos 2000, fóruns, blogs e redes sociais começaram a amplificar e distorcer os relatos atribuídos a Metheny. O elemento mais famoso, e também mais controverso, é a história dos “hambúrgueres de carne humana”, que viralizou como se fosse um fato confirmado. Na internet, ele passou a ser retratado quase como uma figura de horror extremo, um “canibal de estrada” que alimentava caminhoneiros sem que eles soubessem. 

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