
A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo bloqueou R$ 176 milhões do grupo Genial Investimentos em uma ação cautelar fiscal vinculada à Operação Carbono Oculto, investigação que apura a infiltração do PCC no setor de combustíveis e no mercado financeiro. As informações foram publicadas pela coluna de Mariana Barbosa, no UOL, nesta segunda-feira (4).
A ação mira as empresas Áster e Copape, ligadas aos empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco. De acordo com a publicação, os dois são apontados pelo Ministério Público de São Paulo como principais alvos da operação. Pela ação cautelar, a Fazenda paulista tenta recuperar R$ 7,6 bilhões em ICMS, valor que inclui juros e multa.
Genial Investimentos no radar: Áster e Copape são alvo da Carbono Oculto
A Áster, distribuidora de combustíveis, e a Copape, formuladora do setor, são investigadas na Operação Carbono Oculto por suspeita de sonegação fiscal e organização criminosa. Segundo a coluna, a Genial Investimentos teria passado a fazer negócios com Primo e Beto Louco a partir do segundo semestre de 2024, após um desentendimento dos empresários com João Carlos Mansur, dono da Reag, até então a principal gestora utilizada pelo grupo.
Na migração para a Genial, os investigados teriam levado também um FIDC de cerca de R$ 500 milhões, atrelado a uma carteira de consignados do Banco Master, de acordo com a publicação.
Conforme descrito na coluna, o valor bloqueado está relacionado a uma operação de emissão de CDB vinculada a um empréstimo com o mesmo grupo. A usina Itajobi, pertencente ao grupo Copape e Áster, teria investido R$ 176 milhões em CDBs do Genial por meio do fundo Radford, posteriormente bloqueado na ação movida pela Fazenda.
Em seguida, segundo a publicação, o Genial teria concedido empréstimo via CCB para a empresa Berna, com garantia do mesmo CDB comprado pelo Radford. A Berna, por sua vez, teria adquirido quotas do fundo Los Angeles, então administrado pela Reag e depois rebatizado como Lucerna, com gestão transferida para a Banvox.
A Berna detém cerca de 20 imóveis avaliados em mais de R$ 200 milhões, incluindo terrenos nos bairros do Tremembé e da Vila Guilherme, em São Paulo, além de postos de gasolina. Segundo registros em cartório citados pela publicação, os imóveis estão alienados fiduciariamente ao Genial como garantia do empréstimo.
De acordo com a coluna, a estrutura sugere que recursos dos próprios investigados teriam sido usados para adquirir bens, em uma operação apontada pelas autoridades como destinada à lavagem, ocultação e blindagem patrimonial.
Tentativa de desfazer operações foi considerada fraude
Durante a Operação Carbono Oculto, em 28 de agosto de 2025, o Genial teria tentado desfazer duas operações, alegando que a ordem de desfazimento havia sido dada em data anterior. A procuradoria, no entanto, considerou a manobra uma “fraude à ordem de execução” e determinou o bloqueio dos valores, segundo autos do processo citados pela publicação. O Genial recorreu, mas perdeu. A última decisão foi proferida em 9 de janeiro.
Em nota a BM&C News, o Banco Genial afirmou atuar em conformidade com as normas do mercado financeiro, com padrões de governança, transparência e controles internos. Sobre a Operação Carbono Oculto, a instituição disse que tem colaborado com as autoridades desde que tomou conhecimento dos fatos.
O que é a Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto foi deflagrada em 28 de agosto de 2025 pela Receita Federal e órgãos parceiros. Segundo a Receita, a ação mira um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com uso de fintechs e fundos de investimento para ocultação e blindagem patrimonial.
De acordo com a Receita Federal, a operação envolveu cerca de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, em oito estados. O órgão também informou que ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio de R$ 30 bilhões, teriam sido usados como estruturas de ocultação de patrimônio.
A Receita apontou ainda que uma fintech atuava como uma espécie de “banco paralelo” da organização, com movimentação superior a R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024.
Em abril de 2026, a Justiça de São Paulo concedeu mais 90 dias para que o Ministério Público de São Paulo conclua as investigações da Carbono Oculto. O caso corre sob sigilo e é considerado de alta complexidade.
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