Após 10 anos, exumação e mudanças na investigação levam à condenação de marido de enfermeira morta no AP


Vítima chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu
Redes sociais/Reprodução
Carlos Roger da Silva, companheiro da enfermeira Lidiane Gurjão Guedes — morta a tiros em outubro de 2015 na rodovia do Centenário, conhecida como Norte/Sul, em Macapá — foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão no julgamento realizado nesta segunda-feira (4), uma década após o crime.
Até a condenação de Carlos, o caso passou por diversas reviravoltas e linhas de investigação diferentes. A princípio, a morte de Lidiane foi tratada como resultado de um assalto. Na versão apresentada pelo marido, o casal teria seguido por uma rota alternativa na rodovia e foi atacado por criminosos em uma motocicleta.
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Segundo a polícia, os assaltantes buscavam uma quantia em dinheiro que o casal possuía após a venda de um imóvel. Em depoimento, Carlos afirmou que os dois estavam sendo seguidos e que, ao tentar fugir, a enfermeira acabou atingida.
Essa versão foi descartada com o avanço das investigações. Em 2018, a exumação do corpo apontou que Lidiane foi morta com apenas um tiro, e não três, como indicava a primeira perícia.
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Durante esse período, o Ministério Público reuniu provas para tentar identificar os criminosos citados por Carlos. No entanto, segundo a família, não foram encontradas evidências concretas, e o marido acabou indiciado.
O caso não é tratado como feminicídio porque, segundo a acusação, o motivo do crime teria sido o seguro de vida da vítima.
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John Pacheco/G1
A defesa informou que vai recorrer da sentença, enquanto a acusação pretende pedir o aumento da pena.
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Eligiane Gurjão, irmã da vítima, relembrou o caso e disse que algumas atitudes de Carlos chamaram a atenção da família. Uma delas foi o recebimento de uma quantia de R$ 100 mil do seguro de vida da companheira.
“Ele simplesmente sumiu das nossas vidas depois que recebeu o seguro. Sempre que meu pai pedia ajuda para pagar advogado e dar andamento ao caso, ele se negava, dizia que havia investido o dinheiro e não podia usar. Eu penso que, se fosse minha esposa, eu gostaria de elucidar o caso”, afirmou.
Carlos deve ser encaminhado ao Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
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