
É triste acompanhar a morte da Europa — de sua alma, de sua identidade, de sua vocação. O fato de ela não ocorrer silenciosamente causa ainda maior aflição a quem a observa. Essa decadência exposta se desenrola diariamente diante das câmeras e do silêncio da população nativa que, mesmo descontente, não reúne forças para reagir. Líderes que poderiam mudar o curso do Velho Mundo não o fazem, por motivos bem pouco nobres.
Está claro que os europeus perderam a energia (que já tiveram de sobra) para defender seus interesses, sua história e suas tradições. É um pensamento sombrio imaginar que os últimos quase 90 anos de paz no continente — uma paz inédita, vale dizer — os tenham conduzido a essa situação. Como se, de alguma forma, eles acreditassem tanto na paz a qualquer preço que acabassem por perder o instinto de reconhecer e combater aqueles para quem a guerra é sua razão de existir.
Os inimigos da civilização europeia estão, portanto, guerreando sem encontrar resistência.
Culturas bárbaras no Velho Mundo
A Europa — com exceção de países que reforçaram, em vez de diluir, sua identidade nacional, como é o caso da Polônia — vem se convertendo em um amálgama do que há de mais degradado no Oriente Médio e na África. Essas regiões sofrem o resultado de uma onda duradoura de islamização que impôs códigos particulares, inaceitáveis em sociedades desenvolvidas e inexistentes em outras culturas. Basta ler qualquer lei da Sharia para entender do que se trata.
Sem compreender ou analisar esses códigos e em nome de uma postura humanitária que não se sustenta diante de culturas bárbaras, os europeus se renderam. Restou-lhes permanecer na defensiva. A perda de espaço para tudo o que não diz respeito à sua identidade se evidencia em suas ruas e já integra o cotidiano.
O Velho Mundo perde não apenas perante si mesmo, mas também perante outras nações. O continente que dominou terras e mares, moveu fronteiras, foi palco da Revolução Industrial e fomentou a ciência, a cultura e a arte — além de, claro, ter cometido crimes imperdoáveis em suas infindáveis guerras e cruéis processos de colonização — passa a ocupar um papel cada vez mais irrelevante nos grandes temas mundiais.
Soterrados pela falta de identidade
A diversidade lhe faz falta. À medida que seus horizontes se tornam cada vez mais achatados, violentos e homogêneos, a criatividade definha. A cultura, que se alimenta da diferença, da tradição e da história para florescer, vai perdendo sua matéria-prima. Países que já foram importantes e brilhantes, como a Inglaterra, a Espanha e a França, encontram-se soterrados por sua falta de identidade, gerada pela invasão de uma cultura estrangeira impermeável, resultado de sua “vocação humanista” (que busca compensar uma grande carga de culpa, verdade seja dita). O desequilíbrio nunca é bom.
Não à toa, desses países escorrem rios do velho antissemitismo que o continente conhece tão bem, agora apenas revestido de uma roupagem atualizada, chamada de antissionismo.
Mais uma vez, vale a regra de ouro do antissemitismo, que aproveita para ressurgir do esgoto toda vez que uma sociedade passa por um momento de degradação, pelo motivo que for: desequilíbrio de governo, conflitos, decadência financeira ou outras crises que a levam a perder sua alma. Como disse o historiador irlandês Conor Cruise O’Brien, “antisemitism is a light sleeper” (o antissemitismo tem o sono leve, em tradução livre).
É por isso que não há surpresa entre os judeus diante do que se assiste no momento — de facadas na vizinhança de Golders Green, em Londres, a tiros de fuzil em Sydney, Austrália. Mudam os slogans, as desculpas e as estratégias, mas os ataques covardes permanecem os mesmos dos últimos incontáveis séculos.
Essa história os judeus já conhecem. Resta saber se essas nações, perdidas em meio a um ódio racial que obscurece o olhar, começarão, em algum momento, a se perguntar se esse é realmente o futuro que buscam para si mesmas.
Tomara que não, mesmo que esse não seja um problema só para os judeus, mas também para você, que acaba de ler este texto.
