Subida do rio Tapajós segue gradual em Santarém e previsão indica maio ainda chuvoso, diz meteorologista


Orla de Santarém e Rio Tapajós
Marcelo Brandt/g1
O nível do rio Tapajós segue em subida lenta e contínua em Santarém, no oeste do Pará, impulsionado ainda pelo volume de chuvas típico da região neste período. Dados mais recentes da Defesa Civil apontam que o rio chegou a 6,94 metros nesta terça-feira (5), mantendo a tendência de elevação observada desde o fim de abril.
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Na última semana, o avanço foi gradual: o rio saiu da faixa de 6,72 m (28 de abril) para 6,77 m (30 de abril e 1º de maio), atingiu 6,82 m (2 de maio) e seguiu subindo nos dias seguintes. Apesar da elevação, o nível ainda está abaixo de anos anteriores, como 2025, quando já ultrapassava 7,40 metros no mesmo período.
A cota de alerta é de 7,10 metros, o que mantém o município fora de situação de risco imediato. A marca desta terça-feira está 1,18m abaixo da marca no mesmo período registrada em 2009, data da cheia histórica na região.
Chuva ainda sustenta elevação do rio
A tendência de subida está diretamente ligada ao comportamento das chuvas. Segundo o meteorologista Alex Santos, doutor em meteorologia aplicada e professor do curso de Ciências Atmosféricas da Ufopa, o mês de maio ainda registra volumes significativos, mesmo com a transição para o período menos chuvoso.
“Março e abril são os meses mais chuvosos. Em maio, a chuva diminui, mas essa redução é gradual. Ainda estamos dentro da climatologia”, explicou.
De acordo com ele, os primeiros dias de maio já acumularam cerca de 35 a 40 milímetros de chuva, e a previsão é que o mês feche com aproximadamente 385 a 390 milímetros.
O especialista destaca que o padrão climático atual favorece dias intercalados entre sol e chuva.
“Não são mais períodos contínuos de chuva. Teremos intervalos maiores de sol, o que aumenta a sensação de abafamento, mas ainda com ocorrência de pancadas e até tempestades pontuais”, afirmou.
Sem cenário de seca extrema no momento
Chuvas em Santarém
Agência Santarém/Divulgação
Outro ponto observado pelo meteorologista é que, até agora, não há indicativo de um fenômeno climático forte que provoque estiagem severa.
“O El Niño ainda não está estabelecido. A condição atual é mais próxima da neutralidade, com resquícios de La Niña. Não é o cenário de seca extrema como vimos em 2023 e 2024”, destacou.
Segundo ele, mesmo que o fenômeno se intensifique, seus efeitos não seriam imediatos na região amazônica.
Situação sob controle, diz Defesa Civil
Para a Defesa Civil, o comportamento do rio neste momento não é considerado preocupante. O coordenador Darlisson Maia reforça que a subida está dentro do esperado para o período.
“Não é alarmante esse nível. Se comparar com anos anteriores, estamos abaixo e ainda não atingimos a cota de alerta”, afirmou.
Ele explica que maio ainda pode registrar elevação, mas em ritmo mais lento.
“Geralmente, em maio o rio sobe pouco e, em junho, tende a estabilizar para depois iniciar a descida”, disse.
As bombas de drenagem da orla seguem em funcionamento automático, como medida preventiva.
Tendência para as próximas semanas
A expectativa é de que o rio continue subindo de forma moderada ao longo de maio, acompanhando o restante do período chuvoso. A partir de junho, a tendência histórica é de estabilização e início da vazante.
O cenário, até agora, é de monitoramento constante, mas sem risco iminente, com a cheia se comportando dentro da normalidade para Santarém.
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