Arquiteto sueco cria casa de campo de 210 metros quadrados que lembra uma catedral gótica por fora e uma casa de bonecas por dentro

Nem toda casa de campo precisa seguir o visual rústico tradicional. Na Suécia, o arquiteto Daniel Fagerberg criou a Villa Färingsö, uma residência de 210 metros quadrados que combina tetos abobadados, madeira, luz natural e um contraste raro entre grandiosidade e delicadeza.

Por que a casa de campo foi projetada para a mãe do arquiteto?

Fagerberg, à frente do estúdio Strombro Building Workshop, recebeu uma missão incomum: projetar uma residência para a própria mãe, uma botânica e artista que dedicou a vida a estudar e desenhar flores, ervas e vida silvestre. O terreno escolhido era uma encosta de 10% de inclinação, voltada para o oeste, com carvalhos, árvores frutíferas e uma floresta ao fundo.

A solução de dividir a casa em volumes independentes surgiu da necessidade de respeitar as plataformas existentes do terreno. Segundo o arquiteto, em entrevista à Revista AD, qualquer outra abordagem resultaria em uma grande parede com nível subterrâneo, trazendo todos os problemas estruturais que isso implica.

A escada que sobe ao loft reforça a cobertura abobadada como elemento estruturante de todo o projeto

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Como os quatro volumes abobadados acompanham o ritmo do bosque?

A casa de campo foi dividida em quatro volumes com tetos abobadados, escalonados conforme o ritmo das árvores e dos canteiros ao redor. A disposição não é linear: os módulos seguem a topografia e criam uma progressão de espaços que vai do jardim de inverno, voltado para o sul, até o ateliê no extremo oposto.

A partir do corredor central, a residência oferece uma vista panorâmica de 180 graus sobre os diferentes ambientes: cozinha na parte superior, sala com lareira no módulo central e ateliê ao final. A escada que sobe ao loft reforça a cobertura abobadada como elemento estruturante de todo o projeto.

Qual foi a inspiração por trás dos tetos abobadados da casa de campo?

A referência formal dos tetos abobadados veio de uma obra histórica: a Villa Erskine, residência e ateliê construída entre 1962 e 1963 pelo arquiteto sueco-britânico Ralph Erskine na ilha de Lovön, município de Ekerö, próxima a Estocolmo.

A homenagem não foi apenas estética. A escolha pelos volumes separados com tetos em arco preservou intacta a paisagem ondulada do terreno, sem cortes bruscos ou grandes movimentações de terra. As fachadas, originalmente concebidas em estuque branco, foram substituídas por painéis de madeira que conferem detalhe e textura ao conjunto.

Como as janelas foram posicionadas para enquadrar a paisagem?

A disposição dos módulos permitiu envidraçar as esquinas para enquadrar vistas específicas, árvores determinadas e mirantes integrados à paisagem. Para o arquiteto, uma janela deve definir o interior ao longo do ano sem criar contrastes excessivos ou zonas de penumbra.

Os óculos-de-boi redondos na parte superior do arco criam um cone de luz que, em determinado momento do dia, atravessa o espaço e se alinha com a parede oposta. Posicionadas nas esquinas, as janelas proporcionam:

  • Luz ambiente que se difunde conforme o percurso do sol ao redor do edifício
  • Enquadramento de árvores e vistas específicas sem elementos indesejados no campo visual
  • Variação de escala interior, que oscila entre o grandioso e o minúsculo com apenas um giro de cabeça
  • Cones de luz rastreáveis ao longo do dia, alinhados com pontos fixos nas paredes opostas

Os materiais que constroem a casa de campo sem desperdício

O edifício foi construído inteiramente com peças fabricadas sob medida por usinagem CNC, elementos pré-fabricados e materiais de biomassa. Nenhum detalhe exigiu fixações especiais ou madeiras fora do padrão de fácil disponibilidade, o que manteve o orçamento no planejado.

O estúdio Strombro Building Workshop detalha a combinação de materiais que resultou em uma construção 100% de origem biológica:

Componente Material utilizado Função
Painéis de vedação Palha Ecococon Isolamento e estrutura das paredes
Revestimento externo Painéis Tiber Proteção e textura da fachada
Revestimento interno Compensado de três camadas Acabamento e rigidez interna
Fundações Concreto celular Base estrutural leve
Arcos estruturais Madeira laminada colada Sustentação das abóbadas
Acabamento acústico Tecido de juta sobre ripas Melhora da acústica interna

O canal The Arch Files registrou em vídeo a Villa Färingsö, nome dado à residência, com imagens dos volumes, dos materiais e da integração com o bosque sueco. No vídeo a seguir, é possível acompanhar visualmente cada decisão de projeto descrita acima:

O que essa casa de campo prova sobre arquitetura e orçamento?

A residência de Fagerberg é uma demonstração prática de que restrições orçamentárias e ambições estéticas não são opostos. O uso de peças CNC padronizadas, materiais de biomassa e pré-fabricação permitiu construir um edifício de alto acabamento sem desperdício e sem itens fora de catálogo.

A frase que o próprio arquiteto usa para resumir o projeto sintetiza bem essa filosofia: não projete nada mais caro do que o inevitável, mas mais belo do que o necessário. Para uma casa de campo construída no bosque de uma botânica, essa parece ter sido a medida certa.

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