
Romeu Zema entrou na pista da sucessão presidencial e encontrou um terreno interditado. No campo da extrema-direita, que é a posição dele no jogo, Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) se estapeiam para mostrar aos eleitores quem é mais capaz de entregar as riquezas naturais do Brasil aos Estados Unidos.
Zema, vendo a concorrência, decidiu: e se eu chamasse a atenção pelo absurdo?
Então ele foi lá e declarou, em entrevista a um podcast, que bom mesmo era o tempo em que crianças poderiam trabalhar e isso não feria a lei.
Zema citou até o exemplo de crianças nos Estados Unidos que supostamente auxiliam a renda dos pais entregando jornais. Talvez tenha na cabeça alguma cena de filme dos anos 1930. Hoje em dia nem os donos de jornais auxiliam na renda de casa.
Segundo ele, foi a esquerda quem criou “essa noção de trabalho para prejudicar a criança”.
“Essa noção”, que não foi a esquerda quem criou, leva em conta a probabilidade de uma criança de hoje produzir um foguete no futuro se tiver preservadas as horas de estudo, descanso e lazer em comparação a outra que não estudou porque passou a vida entregando jornais.
Antes, Zema já tinha provocado polêmica ao dizer o que nem o mais radical dos candidatos tem coragem de dizer com medo de afugentar eleitores: que, em seu plano de governo, “marmanjos” serão obrigados a aceitar emprego se quiserem ganhar Bolsa Família. É assim: quer receber um benefício de R$ 600 para uma família composta por pai, mãe e dois filhos? Então vai ter de aceitar salário de R$ 50 do escravocratas contemporâneos. É isso ou a fome.
Zema não tem ideia de como funciona uma política de distribuição de renda, mesmo tendo governado o segundo estado mais populoso do país por dois mandatos.
O pré-candidato do Novo também se adiantou ao filho de Bolsonaro e garante que, se for eleito, vai distribuir anistia a todos os envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro. Fica um convite aberto a todos os que tentarem invadir e quebrar o patrimônio público – que ele tentará privatizar enquanto tiver a caneta.
Nesse ritmo não vai faltar muito para que ele defenda a pena de morte e o retorno dos fuzilamentos públicos – aliás, no caso dele, privados.
A postura rende a ele manchetes e alguma indignação. Não ganha um mísero voto. Mas, para quem já decidiu que não votará em Lula, ajuda a transformar Flávio Bolsonaro num candidato aparentemente mais palatável do que realmente é.
Por enquanto Zema é só o candidato à Malvado Favorito da eleição. Ao que parece, sem o coração amolecido do protagonista da animação.
