SP tem quase 3 mil casos de estupro de vulnerável em três meses

Estupros de vulneráveis aumentam em SP no primeiro trimestre de 2026Rogério Machado/Agência de Notícias do Paraná

O estado de São Paulo registrou, no primeiro trimestre de 2026, 2.942 casos de estupros de vulneráveis. Os dados foram divulgados pela Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

O que chama a atenção é que os números estão subindo mês a mês.

Em janeiro deste ano, foram 892 casos; já no mês seguinte, o número subiu para 915 e em março chegou a 1.135. Entre janeiro e março houve um aumento de mais de 27% nos casos.

Ariel de Castro Alves, advogado, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB e colunista do iG,  fez uma análise do aumento do crime nos primeiros meses do ano.

Comparativo com 2025

Nos primeiros três meses de 2026. foram registrados 10 casos a mais do que no mesmo período de 2025. No ano passado, os dados foram: janeiro (979), fevereiro (910) e março (1.043), totalizando 2.932.

Apesar dos dados serem elevados, o estado de São Paulo continua sendo o único do país sem uma delegacia especializada na proteção de crianças e adolescentes.

Segundo Ariel de Castro, as delegacias especializadas de proteção de crianças e adolescentes estão previstas em lei.

As Delegacias Especializadas de Proteção de Crianças e Adolescentes (DPCA/DECA) são responsáveis pelas investigações de crimes praticados contra menores de idade.

Nesses locais existem psicólogos e assistentes sociais, além de policiais capacitados com base nas leis de proteção da infância e juventude.

O colunista do iG ainda fez um comparativo entre casos de estupros de vulneráveis que aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro: 

O estado paulista conta com apenas duas delegacias voltadas à infância e adolescência, por meio Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa- DHPP. Em uma é apurada homicídios e a outra é voltada ao combate da pedofilia e prioriza crimes digitais.

O colunista do iG ainda enfatizou que para prevenir violências sexuais é fundamental a participação da família, educando seus filhos a não interagirem na internet com estranhos, evitarem sair junto ou entrar na casa de pessoas que não são familiares ou de extrema confiança da família.

O que diz a SSP

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP-SP) para questionar o aumento de casos e a falta de delegacia especializada.

Por meio de nota, o órgão afirmou que “o enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de estupro de vulnerável, é prioridade do Governo de São Paulo, que tem intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção”.

Afirmou que o Estado ampliou a rede, com 144 DDMs e 173 Salas DDM para atendimento remoto, e o reforço de mais de 650 policiais. E que, além disso, estão previstas 69 novas salas DDM, parte de um pacote de medidas anunciadas no final de março para ampliar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

Disse que este pacote também prevê ações que incluem a criação de um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a ampliação da rede de proteção, com atendimento itinerante, o Circuito Integrado de Proteção às Mulheres – SP Por Todas, acordo de cooperação com TJ para ampliar monitoramento eletrônico de agressores, entre outras medidas.

A Polícia Civil também intensificou o combate a esses crimes, com grandes operações especializadas para responsabilização de agressores, como a Operação Damas de Ferro III, deflagrada nesta quinta-feira (30).

 A nota não esclarece, no entanto, porque o estado de São Paulo não possui delegacia especializada na proteção de crianças e adolescentes, já que o número de casos registrados é elevado.

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